The Economist critica estratégia de negociação de Lula

A revista The Economist, em sua edição desta semana, critica a estratégia de negociação comercial adotada pelo governo brasileiro. "Quando Luiz Inácio Lula da Silva olha para o mundo externo ele apresenta uma de duas faces: uma acolhedora e outra cautelosa", disse a revista semanal britânica.A primeira face, segundo a revista, foi apresentada na semana passada na Índia, onde o presidente do Brasil assinou o primeiro acordo comercial entre o Mercosul e um país asiático. "Mas nesta semana, a face cautelosa de Lula pairou sobre um encontro em Puebla, no México, que reuniu 34 vice-ministros do comércio que negociam a prosposta Área de Livre Comércio das Américas". Segundo a revista, colocando essas duas posições juntas, "Lula parece um promotor ardente de uma velha idéia, moda no Movimento Não-Alinhado dos anos 70; segundo a qual os países pobres podem enfrentar os ricos e conquistar desenvolvimento cooperando entre si".A Economist observa que as vendas externas brasileiras vêm registrando um crescimento nos últimos anos, inclusive conquistando novos mercados. "Mas os EUA, a União Européia e o Mercosul continuam sendo os principais mercados do Brasil", afirma. "E enquanto a maior exportação do Brasil para a China é a soja, para os EUA são aeronaves".Segundo a revista, a "timidez do Brasil" na Alca poderia ter custos. Uma Alca sem o maior país da América do Sul não valeria ser criada e um Mercosul com um status de segundo classe dentro do bloco continental "arrisca isolamento e perda de investimentos". A Economist salienta que a esperança do Brasil de firmar um acordo comercial com a União Européia depende em parte do vigor da Alca. A revista afirma que o comércio Sul-Sul provavelmente não renderá grandes benefícios logo. A China será um forte competidor dos manufaturados brasileiros, a Índia tem uma das economias mais protegidas do mundo e até a Argentina está tentando reduzir as importações de têxteis do Brasil. "A cautela de Lula ao lidar com os EUA é compreensível, especialmente na ausência de progresso nas negociações comerciais globais", disse a Economist. "Mas essa necessidade não a torna sábia."

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