'The New York Times' lança site em chinês News Corp

Rupert Murdoch decide separar suas lucrativas operações de entretenimento da unidade editorial

LONDRES, NOVA YORK, LONDRES, NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2012 | 03h07

O conglomerado de mídia News Corp. confirmou que vai se dividir em duas unidades distintas, separando as suas operações lucrativas de entretenimento do negócio editorial, abalado pelo escândalo dos grampos telefônicos no Reino Unido.

Uma divisão vai abrigar empresas de entretenimento, como a 20th Century Fox, Fox e Fox News Channel; a outra ficará com os ativos editorias, como os jornais Wall Street Journal e Times e a editora HarperCollins.

O presidente da News Corp., Rupert Murdoch, disse durante conferência com analistas que a divisão é o resultado de um processo de revisão de três anos e que a mudança vai criar duas companhias que poderão ser mais facilmente gerenciadas.

Murdoch será o presidente executivo e do conselho da empresa de mídia e entretenimento, e Chase Carey, atual diretor operacional da News Corp., continuará no cargo nessa nova companhia. O grupo não revelou quem vai chefiar a companhia que cuidará do segmento editorial, mas Murdoch disse que deve ser um candidato interno.

Divisão. A News Corp. planeja reunir os gestores das duas companhias ao longo dos próximos meses. Embora o grupo não tenha dado detalhes de como vai dividir sua dívida de longo prazo, de quase US$ 15,2 bilhões, e seus US$ 10,7 bilhões em caixa, Murdoch prometeu que a divisão editorial será dotada de um caixa "robusto", enquanto o negócio de entretenimento deve ficar com uma parte maior da dívida.

O conselho administrativo da News Corp. aprovou a divisão, em princípio, em uma reunião na noite de quarta-feira em Nova York, segundo uma pessoa com conhecimento do assunto. Segundo o plano anunciado ontem, os acionistas da News Corp. vão receber uma ação da nova companhia para cada ação que eles detêm atualmente. Mas essa taxa pode mudar ao longo do processo de divisão, que deve durar 12 meses. Cada uma das duas novas companhias vai manter duas classes da ações.

A família Murdoch, que tem quase 40% das ações com direito a voto da News Corp., deve manter o controle das duas companhias. / DOW JONES NEWSWIRES

O jornal americano The New York Times lançou ontem uma edição em chinês na internet, com a esperança de superar a "grande muralha" digital erguida por Pequim, anunciou o periódico em um comunicado.

O jornal lançou a edição http://cn.nytimes.com para oferecer "uma cobertura de qualidade dos acontecimentos políticos, econômicos e culturais mundiais aos chineses, cidadãos do mundo cada vez mais confortáveis financeiramente e com alto nível de instrução".

O site trará traduções de artigos escritos originalmente em inglês, bem como uma produção original redigida por colaboradores chineses, alguns dos quais trabalham em Pequim, Xangai e Hong Kong. A nova edição terá 30 artigos por dia.

Uma porta-voz do jornal, Eileen Murphy, assegurou que não foi feito acordo com as autoridades chinesas com relação ao conteúdo do site. "O conteúdo do site será escolhido pelo New York Times", disse. "Sabemos das dificuldades que serão encontradas por alguns leitores, que não podem ter acesso a certos artigos nos sites chineses ou estrangeiros. É possível que tenhamos de enfrentar este problema." Diferente do site em inglês, a versão chinesa do New York Times será gratuita. / AFP

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