Thyssen diz que não entregará usinas 'de presente'

Presidente do grupo alemão, que colocou à venda a CSA, no Brasil, e uma siderúrgica nos EUA, diz que processo de venda é 'promissor'

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2012 | 03h04

O grupo alemão alemã ThyssenKrupp quer US$ 8,8 bilhões por suas usinas no Brasil e nos EUA. Ontem, em entrevista ao jornal alemão 'Welt am Sonntag' e ao 'Financial Times', o presidente da empresa, Heinrich Hiesinger, confirmou que a venda será realizada para reduzir as perdas sofridas pela empresa, que passará a concentrar seus negócios no próprio continente europeu.

A decisão da ThyssenKrupp de investir mais de US$ 10 bilhões em sua produção no Brasil e nos Estados Unidos nos últimos anos acabou sendo um fracasso, principalmente diante da volatilidade do real, dos custos de operação e inflação. O resultado foi um prejuízo de US$ 2,1 bilhões em 2011 para a empresa. Isso tudo em um cenário de queda na demanda mundial.

Desde o início de 2012, a empresa já iniciou uma ampla venda de suas divisões, entre elas a de super iates milionários. No inicio do ano, a ThyssenKrupp já aceitou se desfazer de operações na Finlândia, no valor de 2,7 bilhões. Em junho, a empresa contratou os bancos Morgan Stanley e Goldman Sachs para ajudar a encontrar um comprador para as usinas no Brasil e nos Estados Unidos.

Entre as principais joias da coroa à venda estão os 73% de ações que os alemães detêm na Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA). A ThyssenKrupp revelou em maio deste ano a intenção de vender a participação na siderúrgica brasileira, que tem pouco mais de dois anos de operação e consumiu 5,2 bilhões de investimentos.

O executivo já indicou que ofereceria a planta para a Vale, que detém um quarto da usina. Mas a empresa brasileira já informou que não estaria interessada na aquisição. Hiesinger admitiu que poderá oferecer o negócio para investidores asiáticos.

No mercado, analistas apontam que ArcelorMittal, Hebei e Baosteel possam estar interessados. A Posco também declarou em junho que poderia estar interessada na planta no Brasil.

Nos Estados Unidos, a empresa alemã colocou à venda uma usina no Alabama que há anos sofre para manter suas contas equilibradas.

Em 2011, a usina registrou perdas da ordem de US$ 1,1 bilhão, além de outros US$ 773 milhões em 2012. O executivo admite que as duas usinas terão de ser vendidas a dois compradores diferentes e que se desfazer desses ativos não será uma tarefa fácil.

"Talvez tenhamos de negociar com dois compradores separados", disse, lembrando que, ainda assim, a venda terá de ser coordenada, já que as produções no Brasil e nos Estados Unidos estão interligadas.

Equilíbrio. Segundo Hiesinger, a meta na venda das usinas é a de pelo menos equilibrar as contas da empresa, o que significaria ter de arrecadar US$ 8,8 bilhões com elas. Mas analistas de mercado acreditam que a multinacional alemã não conseguirá chegar ao valor que espera e que, juntas, as duas usinas não valeriam mais que 4 bilhões.

O executivo nega que aceitará entregar as usinas a preços reduzidos. Segundo ele, haveria mais de dez interessados pela planta nos Estados Unidos. "O processo de venda é promissor. Temos as cartas em nossas mãos e não vamos entregar como um presente", disse.

Apesar do otimismo em relação a sua nova estratégia, a ThyssenKrupp enfrenta uma situação cada vez mais complicada na Europa, diante da crise na zona do euro. Para Hiesinger, o setor siderúrgico europeu dificilmente vai se recuperar nos próximos seis meses.

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