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TIM adquire empresa de fibras ópticas da AES por R$ 1,6 bilhão

Com maior capilaridade nos mercados de São Paulo e Rio, empresa espera crescer no mercado corporativo

Sabrina Valle, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2011 | 00h00

A TIM anunciou ontem a compra da operadora de telecomunicações AES Atimus - um negócio de R$ 1,6 bilhão que dará à operadora a maior capilaridade de fibra óptica em São Paulo e Rio de Janeiro, o "filé mignon" do mercado brasileiro.

Com a aquisição, a TIM espera elevar receitas com dados e incrementar os serviços na rede fixa, com oferta de banda larga especialmente para o mercado corporativo.

"Nosso foco agora será na oferta de dados. A aquisição da AES vai neste sentido e traz um ganho de tempo, estamos cortando mais ou menos dois anos na nossa estratégia orgânica", disse em teleconferência o presidente da TIM Brasil, Luca Luciani.

A nova rede, de 5,5 mil quilômetros em 21 municípios da rede metropolitana do Rio e de São Paulo, será adquirida com caixa próprio e abre as portas da operadora no futuro também para a TV por assinatura, possivelmente via Web TV, segundo Luciani "a TV do futuro".

A fibra óptica permitirá serviços de altíssima velocidade, com até 100 megabits por segundo (Mbps) no mercado residencial e a 1 gigabit por segundo (Gbps) no mercado corporativo.

De acordo com o presidente da TIM, a aquisição provocará uma transformação no segmento de dados da empresa similar à que ocorreu no segmento de voz quando a empresa comprou a Intelig, por R$ 900 milhões, há 18 meses. Com isso, a companhia precisará reformular seu plano de negócios.

Os investimentos para o período de 2009 a 2013 estavam programados em R$ 14 bilhões, valor que não incluía aquisições como a de ontem.

A divulgação do plano está prevista para um dia depois da assinatura do contrato, assim como possíveis novos investimentos. O mercado reagiu positivamente ao anúncio: as ações preferenciais da TIM fecharam em alta de 2,96% e as ordinárias, em 2,73%.

Sinergias. Os ganhos com sinergias são calculados em R$ 1 bilhão ao longo de três anos. E o negócio, afirma Luciani, gerará economia imediata, ao liberar investimentos em fibra ótica no Rio e em São Paulo que estavam previstos anteriormente.

Apesar da compra com recursos próprios, Luciani não descartou a possibilidade de a TIM fazer alguma captação de dívida.

O negócio foi feito entre a TIM Celular e a holding Brasiliana, controlada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), com 53%, e pela empresa de energia AES, com 47%.

A operação deve ser assinada em 100 dias e os primeiros serviços devem ser ofertados já no primeiro trimestre de 2012. A AES a partir de agora se concentrará na área de energia.

Luciani aposta no potencial da combinação da rede da AES, hoje relativamente ociosa, com a base de clientes ativos da operadora.

Ele destaca que a rede adquirida atende a meio milhão de clientes corporativos e 8 milhões de residências nessas duas praças, representando um mercado de R$ 30 bilhões, dos quais apenas R$ 3 bilhões estão hoje com a TIM. "Dá para buscar um mercado adicional de R$ 27 bilhões", disse.

Em relatório, os analistas do JP Morgan Andre Baggio e Marcelo Santos classificam a operação como "um importante negócio" para a TIM, que agora poderá competir mais de perto com a Vivo, que atualmente lidera a oferta de serviços móveis de dados.

O BTG Pactual destaca que a aquisição deve reduzir os gastos com aluguel e incrementar a qualidade da rede da TIM - vital em tempos de crescimento exponencial do tráfego de dados.

Endividamento. O presidente do Grupo AES no Brasil, Britaldo Soares, afirmou que os recursos da venda podem ser usados para abater dívidas da Brasiliana, mas não descartou o uso para novos investimentos.

Segundo Soares, a venda da AES Atimus não significa que os acionistas da Brasiliana - AES Corp e BNDES - estejam preparando a venda da holding, que controla a AES Eletropaulo e a AES Tietê. / COLABORARAM WELLINGTON BAHNEMANN E BETH MOREIRA

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