TIM aposta em smartphones de até US$ 100

Estratégia da companhia é priorizar fornecedores asiáticos, que são uma alternativa mais em conta ao iPhone e ao Blackberry

Sabrina Valle / RIO, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2010 | 00h00

A TIM anunciou ontem que aposta nos smartphones de baixo custo para aumentar as vendas de aparelhos, a base de clientes e a penetração da operadora no País nos próximos trimestres.

O foco da companhia está em aparelhos de até US$ 100, vindos de fornecedores europeus e asiáticos, e não nos caros BlackBerrys e iPhones, que chegam a custar dez vezes mais que isso.

"BlackBerrys e iPhones têm penetração limitada no Brasil", diz o presidente da TIM, o italiano Luca Luciani, em teleconferência com analistas após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre.

Segundo a operadora, as duas marcas, embora mais famosas, representam apenas entre 5% a 7% do total de assinantes de smartphones no País. A meta da empresa é atingir 50 milhões de linhas até o fim do ano, com as vendas do Natal impulsionando o resultado do quarto trimestre. Hoje, há 46,9 milhões de linhas.

A TIM divulgou ontem um lucro líquido consolidado no terceiro trimestre de R$ 124,720 milhões, o que representa queda de 36% ante R$ 194,934 milhões do mesmo período de 2009. Segundo a TIM, a diferença se deve ao ganho cambial do ano passado.

Classe C. A TIM vem concentrando sua estratégia no desejo por acesso à internet das classes C e D, que muitas vezes não têm computador em casa e encontram no celular o seu primeiro acesso à web.

"Não acreditamos que o futuro da internet seja via PC e modem. A internet tem um apelo maior em telas pequenas, e para todo mundo", diz.

Críticos afirmam que a estratégia é arriscada pois amplia a base de clientes, mas sem gerar receitas substanciais.

A base de assinantes cresceu 19% entre o terceiro trimestre de 2009 e o terceiro trimestre de 2010. A receita bruta de serviços acompanhou a alta, crescendo 9,3% (R$ 4,736 milhões) no período. No entanto, a receita média por usuário recuou 10%.

Mais de 84,6% das linhas da operadora são do segmento pré-pago e a TIM registrou uma queda de 15,6% para 15,4% na base de usuários pós-pagos.

A empresa, no entanto, diz que está se concentrando na venda de aparelhos sem subsídio, o que reduz os custos com aquisição de novos clientes. Além disso, quer ampliar a receita com dados, hoje responsável por apenas 12% do total, um porcentual que Luciani diz estar muito abaixo do potencial. Esse crescimento, segundo ele, será chave para a geração de receita em 2011.

Em conferência com analistas, o executivo afirmou que a TIM não pretende focar na geração de receita com a cobrança por uso de aplicativos.

Ele ressalta que o Brasil está entre os países com maior número de usuários de redes sociais como Facebook e Twitter e que a operadora pretende trabalhar para fornecer aplicativos gratuitos aos usuários.

"Há uma sede muito grande por conexão. Acreditamos ser mais importante conectar as pessoas à internet do que ter uma receita forte com aplicativos."

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