TIM apresenta plano de 800 páginas, mas Anatel exige mais informações

A diretoria da TIM apresentou ontem à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) um plano de investimentos de mais de 800 páginas, com o direcionamento imediato de R$ 451 milhões para melhorias no atendimento nos call centers da operadora. O volume representa o dobro do previsto pela companhia para a área este ano e os recursos serão remanejados de outros segmentos da empresa.

EDUARDO RODRIGUES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2012 | 03h06

A TIM tenta convencer a Anatel a liberar as vendas de novas linhas em 18 Estados e no Distrito Federal, que foram interrompidas por determinação do órgão desde segunda-feira.

Após mais de três horas de reunião com o novo presidente da TIM, Andrea Mangoni, o superintendente de serviços privados da Anatel, Bruno Ramos, avaliou que a proposta apresentada ainda precisará passar por uma revisão. A ideia é ter mais detalhes sobre o plano de investimento da companhia para os próximos dois anos. Uma nova reunião com a empresa deve ser marcada para quinta ou sexta-feira.

"O plano da TIM é muito detalhado, por unidade da federação, e com projeções de evolução mês a mês. No entanto, falta aprimorar a questão de como a projeção de crescimento da demanda da companhia vai ser atendida com investimentos em equipamentos e nos call centers até 2014", disse Ramos.

De acordo com o superintendente, o plano de melhorias apresentado pela TIM nesse horizonte de tempo foi 80% concentrado nos investimentos na rede. "Queremos que o plano também contemple a criação de novos centros e postos de atendimento aos clientes",afirmou.

Ramos destacou ainda que a TIM também terá que aprimorar as informações apresentadas sobre a evolução da demanda da companhia, considerando os grandes eventos que o País irá receber nos próximos anos. A estratégia de marketing da empresa também precisará entrar nos cálculos.

Avanços. Segundo o superintendente da Anatel, a TIM "avançou bastante" e não discutiu no encontro o pedido de liminar contra a suspensão imposta pelo órgão regulador, negado pela Justiça Federal anteontem.

O vice-presidente de assuntos regulatórios da companhia, Mario Girasole, confirmou que a empresa não pretende voltar à Justiça ainda essa semana, mas ponderou que a estratégia da empresa será definida durante a visita do presidente da Telecom Itália, Franco Barnabé, a Brasília nos próximos dias. "Por enquanto estamos trabalhando na mesa técnica, e não na judicial", disse.

De acordo com o executivo, os investimentos previstos pela TIM no Brasil até 2015 são de R$ 9,5 bilhões, incluídos os pagamentos pelas licenças adquiridas pela companhia no leilão do 4G e a implantação das redes de quarta geração. "O problema hoje é conseguir gastar todos os recursos disponíveis, pois todos sabem que temos dificuldades para conseguir a instalação de antenas em algumas cidades. Os atrasos de investimentos hoje são mais importantes que o volume de recursos", disse Girasole.

Bancas. A Anatel vai investigar a comercialização de chips das operadoras que tiveram a determinação de interromper as vendas. Na segunda-feira, quando a punição entrou em vigor, foi possível adquirir chips das companhias em bancas de revistas e camelôs em diversos Estados.

"Será aberto um procedimento de apuração sobre a venda de chips e será avaliado se cabe sanção ou não", disse Ramos. "A fiscalização da Anatel vai verificar se ocorreram novas habilitações pelas empresas. Já a suspensão de vendas em todos os pontos é de responsabilidade delas, que têm que informar a decisão aos revendedores", completou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.