Paula Whitaker/Reuters
Paula Whitaker/Reuters

TIM deve ficar com 50% dos ativos móveis da Oi, dizem analistas

Possível entrada da Algar na disputa pode elevar preços; tele mineira conta com apoio de fundo, afirmam fontes

Matheus Piovesana, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2020 | 05h00

Em uma primeira leitura, o mercado premiou a TIM como vitoriosa na proposta conjunta feita por ela, Claro e Telefônica Brasil pelos ativos de telefonia móvel da Oi. A visão de diferentes bancos é de que a operadora tende a levar metade ou mais dos ativos, o que fortaleceria sua posição no mercado. Para a Oi, a união das três concorrentes em uma única oferta não é exatamente uma boa notícia, mas a potencial entrada da Algar Telecom na disputa alimentou otimismo no mercado.

Apesar de estimarem números diferentes, os grandes bancos de investimento consideram que a TIM deve ficar com a maior parte da Oi Móvel. Em fevereiro, o Credit Suisse já havia considerado que a operadora deveria ter “participação ativa” na consolidação do setor no País. Agora, o banco suíço calcula que 54% das operações de telefonia móvel da tele brasileira devem ficar com ela.

A visão é dada pela distribuição atual do espectro de cobertura das redes móveis entre as quatro companhias. Nos cálculos do Bradesco BBI, Claro, Telefônica e TIM são as três maiores detentoras de frequências de telefonia móvel no País, nesta ordem, e possuem juntas 439 frequências. A Oi vem depois, com 93 delas. Os analistas do banco acreditam que, no rateio das 93, a TIM ficaria com 46 e metade de outra, chegando a 163,5 frequências e a 31% do espectro do País. Telefônica e Claro empatariam com 35% do total cada.

Em março, quando TIM e Telefônica anunciaram o interesse em disputar juntas os ativos da Oi no segmento, o mercado passou a ver a divisão desigual como a mais provável. Isso porque a dona da Vivo já é líder de mercado, e uma compra que concentrasse ainda mais poder na empresa poderia criar problemas com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Ranking da consultoria Teleco com dados até julho mostra que a Vivo tem 32,3% do mercado de telefonia móvel no País, seguida por Claro (24,7%), TIM (24%) e pela Oi (16,4%). A distribuição dos clientes da Oi entre as três concorrentes é vista pelos analistas do setor como necessária, para criar uma maior racionalidade nos preços praticados ao consumidor final.

O fator Algar

A grande surpresa da oferta, porém, foi a adesão da Claro à mesma proposta das três concorrentes. Em um primeiro momento, a entrada da marca da América Móvil no negócio foi vista com cautela pelos analistas. Tudo porque os cenários-base dos grandes bancos consideravam que apenas as grandes teles teriam condições de oferecer pela Oi Móvel os R$ 15 bilhões que a Oi acredita que ela vale. O BTG Pactual, por exemplo, ponderou que juntas, as três teles podem ter oferecido menos do que esse valor.

Mas a possível entrada da Algar Telecom na disputa muda a visão. A tele mineira, segundo fontes, estaria disputando o ativo junto com o fundo soberano de Cingapura, que desde 2018 detém uma fatia de 25% da empresa. Procurada, a Algar não havia respondido os pedidos de resposta até ontem à noite.

“É muito difícil achar que com mais de uma proposta, o valor vai ser menor. E acho que essa alta da ação, de certa forma, incorpora a possibilidade de outro concorrente”, afirma Glauco Legat, analista da Necton Corretora. Para ele, chamou atenção o fato de que a oferta das três demais teles não teve o valor divulgado. “Acho que a Oi demonstraria de forma mais clara para o mercado se a proposta fosse de R$ 15 bilhões”, aponta.

Procurada, a Oi não se pronunciou, assim como a Claro e a TIM. A Telefônica não respondeu até o fechamento da edição.

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