TIM espera que na próxima semana suspensão possa ser equacionada

‘A partir daí, continuaremos com a Anatel acompanhando a implementação do plano de investimentos’, afirmou presidente da companhia

Eduardo Rodrigues, da Agência Estado,

26 de julho de 2012 | 16h11

BRASÍLIA - A Telecom Italia, controladora da TIM, espera que semana que vem a suspensão de venda de novos chips pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) possa ser equacionada. "A partir daí, continuaremos com a Anatel acompanhando a implementação do plano de investimentos", afirmou o presidente da companhia italiana, Franco Bernabè.

De acordo com o executivo, o impacto da medida é grande e sério em termos midiáticos, mas se a situação se resolver rapidamente, o impacto financeiro será limitado. "A situação macroeconômica é complicada em todo o mundo, mas isso não muda o quadro. Nossa situação financeira no Brasil é muito boa. Não mudaremos a relação com os acionistas quanto a distribuição de dividendos".

O executivo usou algumas vezes o termo "crise" sobre o momento da operadora no Brasil e admitiu que houve atraso nos investimentos da companhia, por exemplo, devido a aquisições realizadas no passado. "Aquisições como a da Intelig e outras geraram mais complexidade de processos. Isso também atrasou investimentos", afirmou Bernabè. Segundo ele, "trata-se de uma crise de crescimento. Por isso, confiamos que sairemos muito mais fortes".

O presidente da TIM, Andrea Mangoni, complementou que a estratégia comercial não deve ser modificada, "mas precisamos desenvolver melhor capacidade de adequação da rede". Como exemplo, a companhia diz que lançará ofertas e planos onde a rede estiver apta a sustentar esse esforço.

Compartilhamento

O vice-presidente de assuntos regulatórios da TIM, Mario Girasole, avaliou que o compartilhamento das redes das operadoras de telefonia é fundamental para o desenvolvimento da infraestrutura do setor, mas precisa de regras mais claras e precisas.

"O regulamento de compartilhamento que está sendo preparado pela Anatel é ótimo e precisa ser colocado em prática logo", avaliou o executivo.

O órgão regulador deve votar nas próximas semanas o Plano Geral de Metas de Competição (PGMC), que abre as redes das principais companhias do setor para a passagem de dados - remunerada - por outras empresas.

Bernabè diz que a companhia, controladora da TIM, tem "grande consideração" sobre o esforço do governo para encontrar instrumentos para facilitar o trabalho das operadoras, como regulamento para compartilhamento de infraestrutura e desoneração da carga tributária para construção de redes. Segundo ele, merece destaque a maneira "bem articulada e sucedida" do leilão das licenças de 4G. "Assumimos compromisso no 4G por 30 anos", disse Bernabè.

Investimentos

O executivo completou que os R$ 8,5 bilhões investidos nos últimos dois anos pela empresa são um demonstrativo do compromisso e que os investimentos planejados são suficientes para atender às necessidades. "Esperamos que o governo ajude na obtenção das autorizações necessárias para que os recursos possam ser aplicados", afirmou o presidente da companhia italiana.

A companhia buscará alinhar sua estratégia comercial com os investimentos realizados. "Não vamos forçar estratégia comercial, comprometendo rede e qualidade", afirmou.

Magoni disse que a empresa sempre trabalha a rede considerando o aumento de tráfego. "O que acontece é que a exigência de tráfego cresce a um ritmo mais veloz que a nossa capacidade de adaptação das redes. Nosso empenho está no sentido de acelerar investimentos e acabar com esse descompasso". Admitiu, contudo, que foram detectados problemas em alguns Estados, "mas não tão graves para uma medida de suspensão". "Mas isso é passado e queremos aproveitar crise como oportunidade para melhorarmos nossa performance de rede".

A TIM já havia apresentado um relatório à Anatel, que exigiu mais detalhes. "Um documento de 800 páginas não se produz da noite para o dia", disse Mangoni. "Estamos trabalhando há alguns meses com a Anatel, mas talvez não tenhamos sido suficientemente claros ou detalhados e talvez seja essa uma das causas da decisão".

Tudo o que sabemos sobre:
TIMSuspensão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.