Timidez externa deixa dólar estável a R$1,826

O dólar fechou estável nesta quarta-feira, em uma sessão de pouca volatilidade, influenciada pelo mercado internacional e marcada pela entrada de recursos no país.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

24 de fevereiro de 2010 | 16h47

A moeda terminou o dia a 1,826 real, após oscilar entre 1,819 e 1,826 real. Na semana, a moeda acumula alta de 1,16 por cento e, em fevereiro, queda de 3,13 por cento.

"O mercado até que estava movimentado, com volume bom", disse Rodrigo Nassar, gerente da mesa financeira da corretora Hencorp Commcor. "Teve bastante fluxo de entrada hoje".

Outros três profissionais de mercado ouvidos pela Reuters relataram fluxo positivo nesta sessão, principalmente entre 12h e 13h.

De acordo com dados parciais da clearing (câmara de compensação) da BM&FBovespa, houve mais de 3 bilhões de dólares em operações no mercado à vista. O principal contrato do dólar futuro tinha 280 mil contratos negociados às 16h30.

A principal influência sobre a taxa de câmbio, porém, foi o mercado internacional. O euro se recuperou ligeiramente ante o dólar, para 1,3531 dólar no fim da tarde. Ante uma cesta com as principais moedas, o dólar caía 0,05 por cento.

As variações, tímidas, eram um ajuste ao movimento dos dois dias anteriores, quando o aumento da aversão a risco valorizou o dólar em relação à maioria das moedas, exceto o iene.

No Brasil, essa tensão internacional fora responsável pelo aumento da posição comprada em dólares de investidores estrangeiros. Na terça-feira, essas posições --que equivalem a uma aposta na alta do dólar-- eram de 4,692 bilhões de dólares, ante 3,717 bilhões de dólares no fim da semana passada.

Nesta sessão, porém, nem mesmo a apresentação à Câmara dos Deputados do chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, teve poder para trazer volatilidade à taxa de câmbio. Ele reiterou que os juros devem seguir baixos por um longo período.

FUNDO SOBERANO

No plano doméstico, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, confirmou que o Fundo Soberano está pronto para comprar dólares no mercado após a criação, na segunda-feira, de seu Conselho Deliberativo. Mas ele ponderou que, no momento, ainda não vê a necessidade de uma atuação.

A notícia teve pouca repercussão sobre o câmbio. Mas o gerente de câmbio de um banco nacional, que preferiu não ser citado, afirmou que "isso só aumenta a impressão" de que o dólar tem um piso em torno de 1,80 real.

"Se ele for para lá, eu vou comprar bem", disse.

(Reportagem de Silvio Cascione)

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