Tishman Speyer investe mais de R$ 1 bi em imóveis no Brasil

Fundo captado nos EUA, Europa e Ásia mostra o forte interesse de investidores estrangeiros pelo País

Ricardo Grinbaum, O Estadao de S.Paulo

05 de dezembro de 2007 | 00h00

A Tishman Speyer, empresa americana de incorporação, construção e administração de imóveis, acaba de concluir a captação de um fundo de US$ 600 milhões (mais de R$ 1 bi) para investir no Brasil. Uma das donas do Rockefeller Center, em Nova York, a Tishman já negociou ou administrou US$ 70 bilhões em imóveis, desde 1978.O novo fundo mostra como o mercado imobiliário brasileiro entrou na moda entre os investidores estrangeiros. Uma das líderes do mercado americano, a Tishman começou a atuar em outros países em 1988 quando os EUA passaram por mais uma de suas crises imobiliárias.Na época, a Tishman diversificou seus negócios, comprando e administrando imóveis em outros países, principalmente na Alemanha, Inglaterra e Espanha. A empresa atuava desde 1985 no Brasil, mas só decidiu abrir um fundo de investimentos mais ambicioso no início de 2006. O plano inicial foi rapidamente superado. Daniel Citron, presidente da Tishman no Brasil, visitou mais de 100 investidores nos EUA, Ásia e Oriente Médio. Houve tanto interesse pelo investimento que o fundo Brasil captou US$ 100 milhões a mais do que o previsto. "Muitos investidores não tiveram tempo para entrar no fundo. Eles já pedem a abertura de um novo fundo", diz o executivo. Mais do que isso: o interesse pelo Brasil é tão grande que os investidores telefonam para Citron pedindo conselhos para comprar imóveis no País, seja um prédio em São Paulo ou um terreno em Natal. "Eles acham que é a hora de entrar no Brasil porque os imóveis estão baratos e o País está perto de receber o investiment grade (nota segura para investimentos, segundo as agências de classificação de risco )", diz Citron. "A aposta é que deve haver uma nova onda de investimentos que deve valorizar os imóveis no País." Com os bons resultados no Brasil, a Tishman decidiu fazer investimentos parecidos na Índia e na China, levantando um fundo de US$ 700 milhões para cada país. No Brasil, já existem planos para novas captações. "Quando tivermos alocado todo o dinheiro, é inevitável pensar em novos fundos."Em um fundo desse tipo, a empresa pode começar a gastar o dinheiro antes de concluir a captação. No Brasil, dois terços dos recursos captados já foram usados na compra de imóveis, como a sede da Sul América, em São Paulo. A expectativa de Citron é usar 80% do dinheiro até o fim do ano.BOLSA"A Tishman ficou algum tempo em dúvida sobre o investimento no Brasil", diz Walter Cardoso, presidente da consultoria especializada no mercado imobiliário CB Richard Ellis. "O fato de eles terem vindo é um sinal muito positivo."Segundo Cardoso, o Brasil recebeu algumas ondas de investimentos estrangeiros em imóveis. Primeiro vieram os fundos de investimentos canadenses, como os que compraram parte da empresa de shoppings Multiplan. Depois vieram, os europeus, principalmente ingleses e espanhóis. E agora chegaram os americanos. Os próximos, diz ele, serão os árabes e os asiáticos.Os números mostram o quanto o mercado brasileiro está capitalizado. Desde o início do ano passado, o mercado imobiliário recebeu investimentos de US$ 10 bilhões. A maior parte do dinheiro - US$ 8 bilhões - foi captada pelas empresas em 26 IPOs (oferta pública de ações) na Bolsa. Outros US$ 2 bilhões vieram de compras de empresas do ramo imobiliário."O Brasil virou gente grande depois da estabilização", diz. Com 23 anos de mercado, Cardoso se espanta com o novo ritmo de negócios. "Antes, quando abríamos uma concorrência para vender um imóvel aparecia um candidato, com quem tínhamos de negociar bastante para fechar negócio", diz Cardoso. "Agora cada negócio atrai 30 propostas." RISCOMesmo com a crise imobiliária e de crédito nos Estados Unidos, o mercado brasileiro deve continuar aquecido, diz ele. "Como o custo de captação ficou um pouco mais caro, os investidores vão exigir um retorno maior do investimento. Mas o mercado continuará aquecido", diz. O risco, para Cardoso, é que uma eventual retração da economia provoque uma crise de inadimplência. "Enquanto a economia estiver crescendo vai dar para acomodar todo mundo."NÚMEROSUS$ 70 bilhõesé o valor dos imóveis negociados pela Tishman Speyer desde 197880 %dos US$ 600 milhões captados pela empresa no Brasil devem ser utilizados até o fim deste anoUS$ 700 milhõestambém foram captados, em processos semelhantes, tanto na Índia como na China, após osucesso do processo no BrasilUS$ 10 bilhõesforam os investimentos que o mercado imobiliário brasileiro recebeu desde o início de 200626 IPOsna Bolsa de Valores captaram a maior parte dos investimentos, cerca de US$ 8 bilhões. Os outros US$ 2 bilhões vieram de empresas do ramo imobiliário22 escritóriossão administrados pela Tishman Speyer ao redor do mundo

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