Títulos de inflação e prefixados anteciparam alta do juro

Para especialistas, rendimento está interessante; papéis de inflação ainda têm a vantagem de proteger contra o aumento dos preços

Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios,

28 de abril de 2010 | 20h14

Em um primeiro momento, o investidor pode achar que a alta da taxa básica de juros torna interessante as estratégias pós-fixadas, que acompanham a alta da Selic de perto. Para especialistas, porém, o ciclo de aperto monetário, iniciado na noite de hoje, mostra um cenário diferente: a elevação era tão esperada que o mercado de renda fixa já havia se ajustado. Segundo eles, os títulos públicos prefixados e de inflação negociados no Tesouro Direto passaram a pagar rendimentos mais interessantes nos últimos dias.

 

A melhora da rentabilidade faz com que estes papéis se tornem alternativas interessantes para aqueles que não acreditam que o Banco Central deva elevar tanto o juro nas próximas reuniões. Os pós-fixados continuam a ser indicados para os mais conservadores, que preferem seguir de perto o retorno do juro básico brasileiro.

"Da metade de março para cá, os papéis de inflação foram melhorando o juro oferecido ao investidor, já antecipando essa primeira alta que o BC fez ontem", diz o especialista em finanças Fábio Guelfi Pereira, autor do livro "Títulos Públicos sem Segredos". Esses papéis pagam ao comprador um juro fixo mais variação do IPCA. O título de inflação mais curto, por exemplo, com vencimento em 2015, no início do mês chegou a oferecer retorno de 6,25% mais IPCA. Atualmente, o juro fixo já estava em 6,79%.

 

 

"É uma ótima rentabilidade acima da inflação", diz Guelfi, ao lembrar que o juro real brasileiro é bem menor, de 4,5%. Esses títulos ainda são interessantes por proteger o recurso aplicado da alta da inflação. "Por mais que o juro suba, o rendimento real nos prefixados e pós-fixados ainda ficará baixo porque a inflação também tem subido", diz o sócio e diretor de operações da Hera Investment, Nicholas Barbarisi, ao indicar a aplicação.

 

Pré e pós-fixados

Os prefixados também anteciparam a alta do juro que ocorrerá nos próximos meses. As LTNs mais curtas, com vencimento em janeiro de 2011, por exemplo, atualmente têm juro de 10,9% ao ano. No último boletim Focus, a expectativas de analistas era de que o juro médio de 2010 seja de 10,25%. "Há um prêmio aí que o investidor pode ganhar se acreditar que o juro ficará dentro das expectativas", diz Guelfi..

 

Especialistas lembram, no entanto, que as duas alternativas que pagam juro fixo – prefixados e de inflação - devem ser opções para os investidores que planejam aplicar no título até o vencimento. "Se ele antecipar a venda pode perder dinheiro, caso o juro oferecido no momento seja maior do que o contratado lá na compra", explica o professor da Faculdade Veris IBTA, do Grupo Ibmec Educacional, e diretor da consultoria Strategy Partners, Estevão Garcia de Oliveira Alexandre.

Os pós-fixados devem aumentar a rentabilidade conforme o juro seja elevado nos próximos meses, mas como a inflação também está aquecida podem, ao final das contas, pagar um retorno real abaixo dos prefixados e papéis de inflação.

 

Independentemente do título escolhido pelo investidor, especialistas lembram que o Tesouro Direto é melhor opção de renda fixa do que aplicar por meio de fundos de renda fixa e DI. Nos fundos, dizem eles, as taxas de administração são maiores. Segundo dados da Anbima, associação que reúne os fundos do mercado, os mais caros chegam a cobrar administração de 6,5% ao ano. No Tesouro Direto, a grande maioria das corretoras e bancos cobram até 0,5% ao ano.

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