Fábio Motta/Estadão
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Títulos de renda fixa atrelados ao IPCA viram opção com alta dos preços

Segundo especialistas, além de ser uma boa opção para quem busca proteção nos investimentos, renda fixa deve ser considerada após prévia da inflação subir a 0,94% em outubro

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2020 | 05h00

O ritmo de alta dos preços em outubro surpreendeu investidores e gestores, que passaram a avaliar novos cenários para proteger o patrimônio de um repique da inflação. Segundo especialistas, nesse contexto a renda fixa pode ganhar força, com destaque para os títulos pós-fixados com taxas de retorno atreladas ao IPCA.

Pressionado pelos alimentos, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) acelerou em outubro para 0,94%. Trata-se da maior taxa para o mês desde 1995 e da maior alta mensal desde dezembro do ano passado. O IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação oficial do País, o IPCA, e é auferido entre os últimos 15 dias no mês anterior e os primeiros 15 dias do mês vigente.

O resultado surpreendeu o professor Belmiro do Nascimento João, de São Paulo. Ele tem boa parte de seus investimentos em títulos de renda fixa de longo prazo – e não pretende mexer nisso. Sua dúvida recai sobre as novas aplicações. “Eu ainda não sei o que fazer, para onde ir. Acho que vou deixar em um CDB de liquidez diária e ficar esperando o que vai acontecer na economia, para definir um rumo mais definitivo”, afirma.

Para Daniel Weeks, economista-chefe da gestora Garde, João não está de todo errado. Ele diz que ainda é cedo para dizer se a inflação veio para ficar ou se é pontual, para se dissipar ao longo dos meses. Mas, a julgar pelo aumento dos preços no atacado, Weeks acredita que o movimento deve permanecer no horizonte ainda por um tempo. “Isso tem impacto nos investimentos. Dado que os juros Selic estão bem baixos, a 2%, ter uma parcela dos investimentos alocada em títulos de renda fixa que se beneficiem da alta da inflação é uma boa oportunidade.”

Opções

O mercado oferece diversos títulos de dívida atrelados à inflação, que podem ser públicos ou privados. Entre os privados, algumas debêntures oferecem ao investidor um prêmio, além da recomposição da inflação. Já com relação aos públicos, o aplicador os encontra, por exemplo, no site do Tesouro Direto, com a inscrição NTNB, acrescido de IPCA+. Isso significa que os ativos, no vencimento, pagam ao seu detentor um valor determinado, acrescido da inflação verificada no período, sendo por isso conhecidos como pós-fixados.

“A dica é sempre essa: subiram juros ou inflação, procure uma forma de se proteger, colocando uma parte do dinheiro em títulos pós-fixados”, afirma o professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) Fábio Gallo

Ex-economista-chefe da XP e hoje também professor da FGV, Marcos Ross diz esperar que o aumento nos preços mexa também nos investimentos. “É o caso de pensar em um pouco de proteção contra uma possível alta de inflação. (O investidor) tem de diversificar, mais que nunca”, afirma. 

Para Ross, o governo, escorado em medidas extraordinárias como o auxílio emergencial, gerou um choque de demanda mais forte do que o previsto, com aumento nos preços do atacado. “O mercado já vê o IGP-M em 17% em 2020.” O Índice Geral de Preços – Mercado sofre grande alta devido à sua composição ser influenciada pela valorização das commodities e do dólar, que se valoriza quase 30% neste ano ante o real.

“Acredito, ainda mais pela questão fiscal, pela forma como o governo tem se endividado, que vamos ter uma inflação maior do que a esperada e uma taxa de juros que começa a subir no ano que vem”, diz Fabio Passos, que comanda a área de investimentos do banco Indosuez. 

No mercado, o balcão de compra e venda de juros futuro têm sinalizado a aposta dos investidores em um ciclo de alta na taxa Selic, hoje a 2% ao ano. Os títulos com vencimento em 2023 trazem a Selic a 4,86%, os de 2025, a 6,59, e os de 2027, a 7,44%. “A renda fixa é importante para diversificar e se proteger. Eu, particularmente, tenho sido muito crítico sobre a visão quase que única de alguns investidores em aplicar na renda variável. Parece futebol de criança, que a bola passa e vai todo mundo atrás”, compara.

Selic a 2%

Desde agosto, a Selic, a taxa básica de juros, está em 2% ao ano – menor patamar histórico. Com esse porcentual, vários fundos de renda fixa e a poupança passaram a ter rendimento negativo, o que tem estimulado a procura por ativos de maior risco. O número de pessoas físicas com registro na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, atingiu em setembro a marca de 3 milhões, o que representou um aumento de quase 80% em relação a 2019. A Selic também foca a inflação e o nível de atividade do País. Quando o Copom reduz juros, a tendência é que o crédito fique mais barato e que as empresas e as pessoas produzam e consumam mais. Na situação inversa, o objetivo é conter a demanda e, assim, baixar os preços.

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