Títulos do Tesouro têm vantagens e desvantagens

O programa do Tesouro Nacional de venda de títulos públicos a investidores na Internet - o Tesouro Direto - foi muito bem-sucedido na estréia. No primeiro dia, o volume de títulos vendidos superou R$ 300 mil. Segundo corretoras que participam da operação, superaram as expectativas também os pedidos de informação e as consultas ao site www.tesouro.fazenda.gov.br.O analista da Souza Barros Corretora, Clodoir Vieira, afirma que, para investidores que apostam em queda das taxas de juros, uma boa opção de investimento é a compra de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional-série C (NTN-C). Ambas têm a rentabilidade e prefixada definida no momento da oferta. A NTN-C rende, além do juro prefixado, a variação do Índice Geral dos Preços do Mercado (IGP-M). "Como a expectativa é de queda dos juros, o papel prefixado poderá ser mais rentável do que aquele que remunera seguindo o juro corrente, o pós-fixado." O título pós-fixado, no caso, é a Letra Financeira do Tesouro (LFT), que remunera de acordo com a Selic, a taxa básica de juros da economia, mais uma taxa de juros ao ano.Entre os títulos em oferta pelo Tesouro, Vieira indica a LTN com vencimento em abril de 2003, que oferecia remuneração de 20,75% ao ano na quarta-feira, e a NTN-C com vencimento em março de 2011 e remuneração de 19,44% mais o IGP-M. "A LFT que vence em 2007, com remuneração pela taxa Selic mais 0,37% ao ano, pode ser uma opção para os mais conservadores." Segundo Vieira, o prazo elástico de vencimento dos títulos, que chega a 30 anos em alguns deles, não imobiliza o investidor, porque o Tesouro atuará também como recomprador dos papéis. "O que não está claro ainda é se o governo fará a recompra pelo preço de mercado ou abaixo dele." Veja como é feito este investimento no link abaixo.Opção tem algumas desvantagensAo optar por este segmento, o investidor deve levar em conta também as taxas cobradas pelas instituições que fazem a intermediação nesta negociação e o problema da liquidez dos papéis. Os títulos têm data definida para resgate e, caso não haja mercado secundário (entre investidores), os recursos só poderão ser resgatados no vencimento ou em caso de recompra dos papéis por parte do Tesouro Nacional.Para o gerente da divisão de renda fixa do Banco do Brasil Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários ? BBDTVM, Vinicius Raposo, este mercado não tem muitas perspectivas de crescimento, já que a maioria dos investidores deve continuar optando pelos fundos de investimento. ?No fundo, o investidor tem o custo da taxa de administração, mas é o gestor quem terá o trabalho de negociar os papéis e escolher os melhores títulos?Raposo também destaca o custo da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). ?Na compra direta do título, a cada negociação o investidor terá que arcar com este custo. Já o fundo de investimento movimenta seus papéis sem desconto deste valor no patrimônio da carteira do fundo?, explica.

Agencia Estado,

14 de janeiro de 2002 | 09h31

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