Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

‘Tive que ir para a maré tirar meu sustento'

Em dois meses, a vida de Genildo José Severino dos Santos, 37 anos, virou do avesso. Ele se orgulhava de ter feito carreira como pintor na Plain, fabricante de estruturas metálicas. Estava na empresa havia 18 anos. Ganhava R$ 5 mil por mês. Tinha esposa e dois filhos.

O Estado de S. Paulo

24 Maio 2015 | 03h00

“Tudo desmoronou de uma hora para outra”, diz. Santos perdeu o emprego. Se desentendeu com a mulher, que se mudou levando os filhos: “A situação já não andava muita boa e piorou com a minha demissão”, diz. Sem a menor perspectiva de conseguir trabalho, foi ganhar a vida “na maré”, como dizem em Pernambuco. Passou a viver da pesca de mariscos na praia de Mangue Seco.

“Tive de ir para a maré tirar o meu sustento, pôr comida na mesa”, diz. Na melhor das semanas, conseguia tirar uns R$ 150 reais. Mas chegou a ganhar apenas R$ 50. Para garantir o pagamento de R$ 540 da prestação de um Fiesta usado, e não perder o carro, recebe ajuda dos irmãos. “A vida é assim, pode ser cruel: você às vezes está por cima, às vezes por baixo.” O antigo patrão, ao saber da situação, lhe deu um bico, mas que só dura mais 15 dias – e ele pode voltar para a maré depois disso.

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