'TLP desestimulará e encarecerá grandes projetos de infraestrutura'

De acordo com o pesquisador da FGV, José Roberto Afonso, a nova taxa para empréstimos do BNDES exigirá que investidores de longo prazo comprem proteção contra oscilações

Entrevista com

José Roberto Afonso

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2017 | 21h59

Pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o economista José Roberto Afonso foi um dos críticos mais ferozes à criação da TLP. Para ele, os empréstimos com recursos do FAT deveriam continuar sendo corrigidos pela TJLP.

Qual a importância da TLP para a politica de juros? Vai ajudar a diminuir a Selic?

No momento, mede 1,8%. É o peso do crédito direcionado concedido pelo BNDES no total de crédito para pessoas jurídicas no País em julho. Menos do que se concedeu de crédito consignado apenas para aposentados do INSS. 

Os críticos alegam que os investimentos ficarão mais caros e que a medida é inconstitucional?

Além de ser uma taxa maior que a praticada atualmente, os investidores de longo prazo que não tenham receita indexada ao IPCA precisarão comprar uma proteção contra oscilação dessa taxa. Serão mais penalizadas as microempresas, os governos regionais e as instituições sociais, que, aliás, não tem outra opção para se financiar. Sim, é inconstitucional por não atender as exigências do limite de gasto que exige mensurar e compensar medidas que aumentam gastos, e neste caso elevará os de equalização.

Quais as consequências para o setor produtivo?

Deve piorar as expectativas para retomada de investimentos produtivos, que nunca estiveram tão baixas. Estimulará as importações de bens de capital, financiados por outros países com juros que ficarão ainda mais baixos que aqueles a serem praticados no País. Desestimulará e encarecerá grandes projetos de investimentos de infraestrutura.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.