'Todo dia a gente sobe um Himalaia', diz Dilma

Cerimônia do início da colheita da soja em Mato Grosso é marcada por discursos otimistas e ataques à oposição

Rafael Moraes Moura, enviado especial, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2014 | 02h07

LUCAS DO RIO VERDE (MT) - Encurralada por críticas de industriais e investidores, a presidente Dilma Rousseff comemorou ontem os números do agronegócio, setor da economia que salvou a balança comercial brasileira no ano passado. A cerimônia de início da colheita da soja foi marcada por tom otimista e eleitoral, com direito à presidente dirigindo uma colheitadeira. Dilma disse que o agronegócio "surpreende" e é um exemplo para o País, comparando as conquistas do governo com a subida ao Himalaia.

A presidente aproveitou o evento para anunciar uma resposta a uma demanda antiga do setor: o reajuste no preço mínimo do algodão, que estava no patamar de R$ 44,60/arroba. O valor foi reajustado para R$ 54. Segundo Dilma, o agronegócio é "exemplo para o País".

"Não há e não pode haver paralisia, nós somos um país que não pode se contentar com o que já fez. O que já fez está feito, nós temos de querer fazer mais do que fizemos. Só vamos para frente se não nos conformamos com o que conquistamos. Então é uma coisa terrível: todo dia a gente sobe um Himalaia. Você conquistou, deixou de ter importância, passa a querer mais no dia seguinte", afirmou Dilma. "E é por isso que eu tenho certeza que o agronegócio é um exemplo para o País. A cada ano vocês surpreendem o Brasil com novo recorde, a cada ano aparecem aqui inovações, melhorias."

Passado. Em novo ataque à oposição, Dilma criticou a política agrícola anterior ao governo Lula (2003-2010). "Lembro que, quando chegamos ao governo em 2003, a política agrícola tinha limitações fortes. Sabe quanto era - a gente esquece as coisas -, sabe quanto era o total de recursos de crédito para agricultura na safra 2002/2003? O que foi realizado: foram R$ 27 bilhões. R$ 27 bilhões hoje é quase todo o programa de armazenagem. Hoje R$ 27 bilhões (de crédito) mostra que não era compatível com as necessidades da agricultura deste país", discursou.

"Ninguém faz agricultura sem crédito e sem juros adequados. Por isso eu fico muito feliz de saber que até dezembro tínhamos liberado R$ 91 bilhões (de crédito para os agricultores para a atual safra)."

Antes da cerimônia, a presidente se reuniu com produtores agrícolas de Mato Grosso para discutir as principais ações do governo federal para o setor. Dilma recebeu um documento com várias demandas, entre elas a de que os investimentos em infraestrutura sejam acelerados.

"As obras na BR-163 sentido Sinop (MT) e Santarém (PA) precisam acelerar. Contamos com o apoio de vossa excelência no sentido de agilizar o asfaltamento de toda a BR-163, pois somente assim teremos o transporte de produtos alimentícios com maior segurança e custos bem inferiores", diz o texto.

No documento, as associações advertem que o atraso na Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico) "traz considerável prejuízo socioeconômico e ambiental para toda a sociedade brasileira" e argumentam que há "pouco empenho" do governo federal em investimento para o transporte de cargas no sistema hidroviário.

"Na verdade, elencamos algumas prioridades, e a principal é logística. Queremos a conclusão da BR-163, queremos a Fico, que ela saia do papel e comecem as obras. O feedback da presidente foi muito bom, ela nos prometeu que as coisas vão acontecer, que vão trabalhar. Saímos otimistas", afirmou o presidente da Famato, Rui Prado.

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