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Todos contra a Positivo

Agressividade dos concorrentes externos leva fabricante brasileira para o vermelho

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2011 | 00h00

A vida não está fácil para a Positivo Informática. Primeiro, a concorrente HP anunciou ter ultrapassado a empresa brasileira em vendas no País no primeiro trimestre. Depois, a ex-líder do ranking anunciou um prejuízo de R$ 33,7 milhões no período. Sua margem bruta passou de 33,3%, entre janeiro e março de 2010, para 20,7%. A receita líquida despencou 20,6% e suas vendas, em unidades, tiveram redução de 8,3%. Pela diferença entre faturamento e volume, dá para perceber que a empresa, além de vender menos PCs, vendeu também PCs mais baratos.

A briga pelo mercado brasileiro está feia. O Brasil é hoje um poucos mercados de PCs em expansão no mundo. No primeiro trimestre, as vendas de computadores caíram 3,2% no mundo, segundo a consultoria IDC. Por aqui, cresceram 13%, chegando a 3,1 milhões de unidades, de acordo com a consultoria ITData.

"A competição está muito forte", disse Ivair Rodrigues, diretor de Estudos de Mercado da ITData. "Eu achava que essa concorrência teria tempo para terminar. Nem o próprio varejo ganha com esses preços tão baixos. As margens estão muito apertadas."

A Positivo preferiu não comentar os seus resultados trimestrais, que saíram no último dia 12. Dias antes da divulgação, no entanto, Hélio Rotenberg chegou a falar sobre a conquista do primeiro lugar pela americana HP. Ele apontou fatores sazonais para explicar a mudança.

"A gente entregou muito pouco para governo, por causa da mudança dos governos estaduais e do federal", disse, na ocasião. "Temos esperança de recuperar a posição no segundo trimestre. O governo já retomou as compras. Foi uma coisa pontual."

A Positivo liderou o mercado brasileiro de microcomputadores por 25 trimestres consecutivos. O Brasil era um dos poucos países em que uma fabricante local liderava as vendas. Outra exceção é a China, em que a maior fabricante de PCs é a Lenovo.

Condições de mercado. Para quem vê de fora, pode parecer que a Positivo está derretendo. Mas quem conhece o mercado dá uma certa razão a Rotenberg, para quem a sua empresa acaba sendo foco das atenções por ser obrigada a divulgar os números. "Está todo mundo falando que mesmo as companhias fechadas tiveram grande prejuízo", chegou a dizer o presidente da Positivo, em março.

No mercado mundial, a situação também é complicada. A HP foi obrigada a adiantar a divulgação de seus resultados globais depois de um comunicado interno, assinado pelo seu presidente Léo Apotheker, ter vazado. O memorando alertava para "mais um trimestre difícil", recomendando "olhar cada centavo e minimizar todas as contratações".

Apesar de seu lucro ter crescido de US$ 2,2 bilhões para US$ 2,3 bilhões em seu segundo trimestre fiscal, encerrado em abril, a HP reduziu sua perspectiva para o ano, citando vendas menores de PCs, uma performance mais fraca da divisão de serviços e o terremoto no Japão.

Apotheker esteve no Brasil este mês. Mesmo sem divulgar os números do País, ele citou que os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) corresponderam a uma fatia de 11% do faturamento da empresa em seu primeiro trimestre fiscal, encerrado em janeiro, com crescimento de 11%.

No segundo trimestre, o crescimento do bloco de países se acelerou, para 19% (comparado a uma expansão global de 3%), com sua participação passando a 12% das receitas da empresa.

Mudança estrutural. A grande questão é saber quanto os números ruins da Positivo são o reflexo de uma circunstância do mercado, e não de uma mudança estrutural.

Existem poucas fabricantes brasileiras de PCs que revelam seus números. Dessa forma, é interessante olhar para outra delas, a Itautec. Além dos microcomputadores, a empresa também vende automação e serviços. No primeiro trimestre, sua receita caiu 5%, mas seu lucro subiu 30%.

Apesar do bom resultado na última linha, os números da divisão de PCs não foram tão favoráveis. As receitas com soluções de computação caíram 9,2%, para R$ 158,5 milhões. Em unidades, as vendas de computadores diminuíram 6,1%, para 102 milhões.

Ou seja, assim como a concorrente brasileira, houve uma queda maior no faturamento do que no volume, o que significa vendas de máquinas com preço médio menor.

O mercado brasileiro está migrando aceleradamente para os notebooks. Em 2010, pela primeira vez na história, foram vendidos mais computadores portáteis que de mesa.

Nesse cenário, cresce a vantagem das multinacionais, com sua escala mundial. Nos desktops, os fabricantes nacionais podem comprar as peças de diversos fornecedores, para depois montar suas máquinas. Nos notebooks, os kits, com a maioria das peças, são fornecidos por uma empresa só. Nesse caso, os estrangeiros levam alguma vantagem, com suas compras globais.

Além disso, essas empresas têm bolsos mais fundos para trabalhar com margens apertadas no País e ganhar mercado. A guerra de preços foi forte no segundo semestre de 2010 e a expectativa era que diminuísse este ano, o que não aconteceu. Resta saber quem terá fôlego para continuar nesse jogo.

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