FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

‘Todos estão cautelosos, até o Banco Central’

Para economista, queda de um ponto porcentual da Selic ontem reflete as incertezas quanto ao futuro do governo Temer

Entrevista com

Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central

Douglas Gavras, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2017 | 21h34

A queda de um ponto porcentual na taxa Selic é conservadora, mas faz sentido em função das incertezas na política, segundo avaliação de Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central e sócio da Tendências Consultoria. Para ele, desde a revelação da gravação do presidente Michel Temer em conversa com Joesley Batista, da JBS, a opção por uma cautela maior acabou, corretamente, se impondo na equipe econômica.

 

 

A seguir, trechos de sua entrevista ao Estado.

A queda de um ponto da taxa Selic foi uma decisão correta?

Com a crise política, a opção por uma cautela maior se impôs corretamente, apesar de continuarmos com resultados bem favoráveis de inflação, os preços devem ficar comportados. O momento é de incertezas, todos estão mais cautelosos, até o Banco Central. Uma “sorte” que a crise coincida com um apetite maior dos investidores estrangeiros pelo risco, o que favorece os emergentes, até aqueles em situações institucionais bem delicadas, como a Turquia.

Há muito a ser feito agora, além de cortar a Selic?

Inflação e Selic são as principais alavancas hoje. Há uma retração das expectativas, com o aumento da incerteza sobre o futuro do governo Temer, e os investimentos devem ser prejudicados. O Banco Central está atento, mas economia e política ainda estão descoladas. Mas os dados mais recentes de emprego mostram uma acomodação. Pode não ser suficiente para acalmar a crise, mas imagine se a economia estivesse apontando para baixo, o governo estaria em situação pior...

Até quando economia e política vão continuar descoladas?

A política trouxe volatilidade, mas os preços dos ativos brasileiros devem continuar comportados. Isso porque se mantém firme a sinalização de que a política econômica atual, distante da nova matriz dos anos anteriores, deve ser mantida.

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