DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Todos viram que minha tese estava certa, diz Maia sobre repatriação

Presidente da Câmara tentou diversas vezes alterar pontos da Lei de Repatriação, mas não conseguiu o apoio necessário

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2016 | 20h24

BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta terça-feira, 1º, que a ideia do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-RJ), de apresentar um projeto para reabrir o prazo do programa de repatriação de recursos mostra que a tese dele "estava certa". Antes do fim do prazo de adesão, Maia tentou votar um projeto com mudanças nas regras do programa, mas recuou por não contar com apoio do governo. 

"O importante é que todos viram que minha tese estava certa. Perdemos arrecadação", afirmou o deputado ao Broadcast, sistema de informações do Grupo Estado, via WhatsApp direto do Azerbaijão, onde está em missão oficial. Ele disse que não se sente preterido pelo governo, que declarou apoio à proposta de Renan. "Claro que não fico. Se o Renan quer votar, ótimo. Sou amigo dele e não vou brigar por isso. Enquanto ele vai nesta pauta, posso votar outros temas importantes", disse.

O prazo para adesão ao programa de repatriação acabou nessa segunda-feira, 31 de outubro. Segundo a Receita Federal, o governo arrecadou R$ 50,9 bilhões com a multa e Imposto de Renda (IR) cobrados sobre o valor regularizado pelos contribuintes, cerca de R$ 30 bilhões abaixo da estimativa mais otimista de Maia e de alguns integrantes do governo. Em troca desse pagamento, o programa dá anistia penal e tributária aos contribuintes brasileiros.

Com a arrecadação abaixo do esperado, o presidente do Senado disse hoje que apresentará na próxima terça-feira, 8, um projeto para reabrir o prazo do programa em janeiro de 2017. Braço direito de Renan, o senador Romero Jucá (RR), presidente nacional do PMDB, previu que o governo pode arrecadar mais R$ 30 bilhões. O peemedebista defende, porém, que haja uma taxação maior para quem perdeu o primeiro prazo.

No projeto que Maia queria aprovar, o prazo de adesão ao programa de repatriação seria estendido de 31 de dezembro para 16 de dezembro. A proposta, porém, previa que a tributação paga pelos sonegadores seria menor. Os 30% de multa e IR incidiriam apenas sobre o saldo do contribuinte em conta em 31/12/2014, e não sobre todo o fluxo de recursos enviados ilegalmente, no que chamam de "foto" e "filme".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.