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Tolmasquim descarta risco de crise energética até 2015

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, descartou nesta segunda-feira o risco de o País enfrentar racionamento de energia elétrica até 2015. Segundo ele, a garantia de equalização entre oferta e demanda advém do início de operação de empreendimentos que enfrentaram atrasos na obtenção de licenças ambientais ou estão em fase final de construção, do ingresso de novos projetos a serem licitados nos próximos anos e a diversificação da matriz energética brasileira, com maior presença da biomassa e termoelétricas."Não existe, dentro do novo modelo (do setor elétrico), a possibilidade de haver racionamento nos próximos cinco anos. Pela primeira vez na história deste País, as distribuidoras têm 100% de sua demanda de energia contratada", declarou, após participar do seminário "Matriz Energética Nacional", realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.Ao mesmo tempo em que garantiu a regularidade de abastecimento de energia, Tolmasquim contestou pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), publicada hoje pelo jornal O Estado de S.Paulo. O estudo, apontado pela reportagem, indica que quase 60% de entidades representativas do setor elétrico admitem o risco de haver uma crise energética até 2010. "É a primeira vez que vejo um assunto tão sério e técnico ser debatido por meio de uma sondagem. Caminhamos agora para o campo do ridículo", criticou o presidente da EPE, durante entrevista coletiva.Maurício Tolmasquim foi alertado, durante o seminário, do temor da indústria de haver desabastecimento de energia após 2010. O executivo procurou tranqüilizar os empresários alegando que os modelos de projeção de mercado utilizados pela EPE indicam risco de racionamento abaixo de 5% - limite de porcentual aceito pelo governo, consumidores e empresas do setor -, em todas as regiões do País.As projeções utilizadas pela EPE no "Plano Decenal de Expansão do Setor de Energia Elétrica: 2006-2015" apresentado por Tolmasquim no encontro, são de crescimento econômico do País de 4%, em média, entre 2006 e 2011; e de 4,5%, entre 2011 e 2016. No período de 2005 a 2015, a estimativa é de que o crescimento da demanda por energia seja da ordem de 5,2% ao ano, em média.Para atender a esse mercado, a empresa considera nos cenários de fornecimento de energia a entrada em operação de empreendimentos polêmicos, caso da usina nuclear de Angra 3, a partir de 2013, e das usinas hidrelétricas a serem construídas nos rios Xingu (usina de Belo Monte) e Madeira (usinas Jirau e Santo Antonio), a partir de 2012. Tolmasquim ressalvou, entretanto, que as obras são "indicativas" e podem ser perfeitamente substituídas por meio de maior operação de termoelétricas movidas pela queima de biomassa, carvão e gás natural."Angra 3 é um projeto que ainda necessita de discussão e se trata de uma decisão política ainda não tomada por esse governo", admitiu. "Mas ela é descartável ou substituível tranqüilamente, sob o aspecto restrito do equilíbrio de oferta de energia, porque temos outras unidades de fornecimento de eletricidade", ressalvou.Sobre a polêmica em torno das usinas dos rios Madeira e Xingu, o presidente da EPE foi mais incisivo na defesa. Observou, por exemplo, que para manter o equilíbrio ambiental, os empreendimentos contariam com reservatórios menores, diminuindo assim a área inundada comparativamente a empreendimentos mais antigos.O custo financeiro também foi outro argumento utilizado pelo executivo para defender as usinas de Jirau, Santo Antonio e Belo Monte: R$ 6 bilhões seria o quanto custaria ao País não contar com o empreendimento e investir em outros projetos. Além disso, a energia a ser gerada por outras usinas, principalmente por termoelétricas, para substituir a oferta dos três empreendimentos teria um custo operacional da ordem de 6%.Tolmasquim também utilizou argumentos na área ambiental para reiterar a necessidade de concretização dos três projetos. Segundo ele, a maior produção de termoelétricas expandiria a emissão de CO2, em 2014, para 65 milhões de toneladas por ano. Com a construção das hidrelétricas, as emissões de CO2 ficariam em 45 milhões de toneladas/ano. "As térmicas emitem mais gás de efeito estufa. Ambientalmente, portanto, a presença de Belo Monte, Jirau e Santo Antonio são benéficas", ponderou. "Sem as três hidrelétricas, as emissões de CO2 acumuladas entre 2012 e 2015 ficarão em 49,08 milhões de toneladas", acrescentou.Nesse cenário, o executivo reiterou que a prioridade estabelecida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ser mantida caso o presidente seja reeleito, será de incentivar investimentos em hidrelétricas e por queima de biomassa, com a "complementaridade" das outras fontes de energia, além da manutenção pela busca da "modicidade tarifária" a ser obtida nos leilões de contratação de energia.

Agencia Estado,

28 de agosto de 2006 | 12h59

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