Tolmasquim minimiza as críticas sobre o leilão de Libra

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, minimizou as críticas sobre o resultado final do leilão de Libra, realizado na segunda-feira, 21, disputado por só um consórcio. Sob a tese de que todo o petróleo da área pertencerá à União e que Libra terá efeito multiplicador na sociedade brasileira, Tolmasquim classificou a licitação como uma etapa importante na história do Brasil.

WELLINGTON BAHNEMANN, Agencia Estado

22 de outubro de 2013 | 15h14

"O Estado brasileiro vai ficar com 85% da renda de Libra. Esse é um número incontestavelmente muito bom. É difícil dizer que foi um mau negócio", argumentou Tolmasquim, que participou nesta terça-feira, 22, do Congresso de Energia Brasileiro, organizado pela Coppe/UFRJ. O presidente da EPE contestou a tese de que o leilão foi uma forma de privatização de uma área do pré-sal. "No modelo de partilha, todo o óleo do campo pertencerá à União", rebateu.

Segundo Tolmasquim, a propriedade do óleo coloca o Brasil em um novo patamar em termos de geopolítica e eleva o poder de negociação internacional, uma vez que o País pode usar os barris de petróleo como instrumento comercial. "O Brasil irá se transformar em um player fundamental, porque é um País que respeita os contratos, tem democracia e não tem conflitos", disse, lembrando que boa parte das reservas de petróleo está em regiões de conflito no Oriente Médio.

O executivo comparou Libra à agência espacial americana Nasa no sentido de ter um grande potencial para fomentar a pesquisa e o desenvolvimento no País e a expansão da indústria nacional. Com a Petrobras operadora de todos os campos do pré-sal, o governo buscou assegurar o atendimento das encomendas de serviços e equipamentos por universidades brasileiras e pelos fornecedores locais.

Tolmasquim ainda destacou o fato de que 75% dos royalties a serem pagos nos campos do pré-sal serão destinados à educação e 25% à saúde. "O petróleo é um recurso finito. É obrigação da atual geração deixar um legado para as gerações seguintes", afirmou. Por sua vez, o diretor da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Helder Queiroz destacou a força do consórcio vencedor do leilão de Libra.

"A grande satisfação foi saber que temos um consórcio com capacidade técnica, financeira e operacional. Não só para assegurar os R$ 15 bilhões de bônus de assinatura, que é um recurso muito grande, mas, sobretudo, para assegurar o ritmo de investimento necessário para o desenvolvimento de Libra", argumentou Queiroz. O consórcio operador de Libra é formado pela Petrobras (40%), Shell (20%), Total (20%) e as chinesas CNPC (10%) e o CNOOC (10%).

Queiroz ainda reforçou o caráter técnico das pessoas escolhidas para comandar a PPSA, estatal criada para representar os interesses da União nos consórcios do pré-sal.

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