Tombini alerta para o 'risco' da aposta na queda do real

Em nota, o presidente do BC também falou sobre o mercado de juros futuros, que estaria com 'prêmios excessivos'

RENATA VERÍSSIMO, ADRIANA FERNANDES, TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2013 | 02h04

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, fez um alerta sobre os riscos dos investidores concentrarem suas apostas na alta do dólar, uma vez que a cotação pode virar, impondo perdas a quem agiu de forma "unidirecional". O chefe do Comitê de Política Monetária (Copom) também identificou que "os movimentos recentemente observados nas taxas de juros de mercado incorporam prêmios excessivos". As taxas de juros no mercado futuro, que tentam antecipar o comportamento do BC, estariam altas demais.

Ao mesmo tempo, a autoridade monetária confirmou que não deixará o mercado sem proteção, ou "hedge" no jargão financeiro, como vem fazendo nos últimos meses. Na nota, Tombini disse ainda que, "se necessário", o Banco Central poderá oferecer "liquidez aos diversos segmentos do mercado", mensagem cifrada para informar que poderá usar parte das reservas internacionais para assegurar divisas ao bom funcionamento da economia. Ontem, o colchão de proteção internacional do País fechou em US$ 373,95 bilhões.

Diante do impacto do dólar na inflação, Tombini apontou que "a adequada condução da política monetária contribui para mitigar riscos para a inflação, a exemplo dos oriundos da depreciação cambial". Alguns investidores leram a afirmação como um sinal de que o Copom, ao menos por ora, manterá o ritmo de aperto da taxa básica de juros em 0,5 ponto porcentual a cada reunião.

"Em relação à taxa de câmbio, o presidente reitera que o BC está atento ao processo de realinhamento global das moedas", assinalou Tombini.

Nos bastidores, fontes do governo avaliam que o País sente mais o impacto das expectativas do mercado sobre a redução de estímulos monetários nos Estados Unidos. Fontes avaliam que o Brasil está "um pouco pior" por causa da perda de credibilidade das ações de política econômica. A avaliação é que o Brasil poderia atravessar melhor o momento de volatilidade dos mercados internacionais não fossem os discursos contraditórios em relação à política fiscal e a proximidade da eleição presidencial.

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