Joedson Alves/Reuters
Joedson Alves/Reuters

'As reservas são um seguro. Pode e deve ser utilizado', diz Tombini

Presidente do BC deu uma sinalização mais clara a respeito da utilização das reservas internacionais para conter o ímpeto do dólar

Célia Froufe, Adriana Fernandes e Victor Martins, O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2015 | 12h59

Atualizado às 18h36

BRASÍLIA - Após deixar em aberto por várias vezes as insistentes perguntas dos jornalistas sobre o uso das reservas internacionais para conter a alta do dólar, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, acabou dando uma sinalização um pouco mais clara a respeito do seu pensamento sobre o uso dessa ferramenta.

"As reservas são um seguro. Pode e deve ser utilizado", afirmou durante uma entrevista que surpreendeu os jornalistas por não estar agendada. Tombini concede poucas entrevistas à imprensa, mas aproveitou a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação hoje para deixar o seu recado para o mercado, que apresentava alta do dólar.

Tombini acrescentou que o BC vem atuando em algumas frentes, como a venda de swaps, cuja posição da instituição é de US$ 100 bilhões ou cerca de 28% das reservas internacionais. "Instrumento é bastante útil e vem sendo reciclado. Temos visto isso nas nossas avaliações internas. Programa tem objetivo de segurar a estabilidade da economia brasileira", explicou. 

A fala de Tombini deu um alívio à cotação da moeda, que após atingir R$ 4,248 logo na abertura dos negócios, fechou em baixa de 2,15%, cotada a R$ 4,046, perto da mínima do dia.

Até então, o presidente vinha desconversando sobre o uso efetivo das reservas, dizendo que "certamente" nesse processo de tentar reduzir volatilidade todos os instrumentos estão à disposição do BC e que continuam no seu raio de ação num período à frente.

"A atuação do BC deve ser no sentido de fazer com que os mercados funcionem. No Brasil, temos um mercado de câmbio flutuante. E expressa toda a sorte de variáveis econômicas e não econômicas e a lógica é a da flexibilidade da taxa de câmbio", afirmou. 

Ao repetir numa das vezes que todos os instrumentos estão à disposição da autoridade, Tombini disse que como se dará, quando e se o BC realmente vai utilizar esse ou aquele instrumento é algo que se verá no acompanhamento diário do mercado de câmbio. "Todos os instrumentos estão no raio de ação do BC, caso seja necessário à frente", repetiu.

Questionado sobre se sofre pressão do governo, além do mercado para usar as reservas, Tombini disse que não vê o BC limitado ou compelido a usar determinado instrumento.

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