Tombini diz que não deixará País virar 'praça de desvalorização' de moedas

O Banco Central (BC) tem munição e pode intervir no mercado de câmbio neste fim de ano, se for identificado algum desequilíbrio entre oferta e demanda por dólares que possa alterar de forma significativa o valor da moeda. A afirmação é do presidente do BC, Alexandre Tombini, que não fixou, no entanto, um limite para a cotação da moeda americana, que fechou praticamente estável ontem, a R$ 2,097.

EDUARDO CUCOLO , RENATA VERÍSSIMO , EDUARDO RODRIGUES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h17

Em relação à cotação atual, o presidente do BC afirmou que, tradicionalmente, a oferta de dólares no fim do ano diminui e a demanda aumenta, mas disse se tratar de movimento temporário, que tende a se reverter no início de 2013. "Se preciso for, vamos intervir na virada do ano."

Durante audiência pública ontem no Congresso Nacional, Tombini também falou do problema contrário, a possibilidade de valorização do real. Afirmou que a instituição não busca uma cotação nem uma banda de câmbio específica. Mas defende, sim, um dólar em "outro patamar", mais alto, em relação a níveis verificados até o ano passado, quando estava bem abaixo de R$ 2 ou "fora do que seria razoável".

"O BC continua praticando a política cambial que sempre praticou para que o real não seja objeto de valorização por causa da política adotada por outros países."

Tombini repetiu, pelo menos três vezes, que o Brasil tem um regime de câmbio flutuante, mas isso não significa que o governo não possa intervir se achar necessário. "Não temos qualquer objetivo de câmbio. Estamos sob regime de câmbio flutuante. O que se tem se dito ao longo do tempo é que nós sempre tomaremos as precauções para evitar que o Brasil não seja uma praça de desvalorização de moedas importantes, por exemplo, o dólar, contra a nossa moeda. Temos tomado as precauções para que isso não ocorra."

Repercussão. O economista-chefe do banco J. Safra, Carlos Kawall, interpretou as declarações de Tombini como um recado de que não há interesse do governo em ter um nível de câmbio ainda mais desvalorizado.

"Não parece correta a visão de que existe um movimento intencional, neste momento, para buscar um outro nível de banda, como se andou especulando", afirmou. Para Kawall, a alta do dólar dos últimos dias não refletiu o comportamento do mercado de moedas no Brasil e no exterior. "O movimento não veio da lógica do mercado de câmbio. Mas, sim, pela especulação de que essa desvalorização era intencional (do governo)."

Nos últimos 30 dias, o dólar subiu 3,6%. No acumulado de 2012, a valorização é de 12,2%. Quarta-feira, a moeda americana atingiu o nível mais alto desde maio de 2009. Ontem, as declarações de Tombini acalmaram um pouco o mercado. Tanto que o dólar avançou só 0,14%. / COLABOROU MÔNICA CIARELLI

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