Tombini diz que se deve evitar excesso de crédito

Para o presidente do BC, a situação internacional é um alerta das más consequências da expansão de empréstimos

FERNANDO NAKAGAWA, CÉLIA FROUFE / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2011 | 03h07

Pouco mais de uma semana após a reversão de algumas das travas às operações de crédito anunciadas pelo Banco Central, o presidente da instituição, Alexandre Tombini, defendeu ontem que os financiamentos devem crescer sem exageros. "O crescimento virtuoso do acesso ao crédito e a serviços financeiros necessita evitar excessos e ser sustentável", disse Tombini em evento promovido pelo Banco Central sobre a inclusão de novos brasileiros nos serviços financeiros.

Um dos argumentos de Tombini é que a situação internacional pode ser lida como um alerta das más consequências de uma expansão generalizada dos empréstimos. "Temos o alerta dado pela recente crise financeira global, em parte causada por tomada de riscos excessivos, tanto do lado da oferta de crédito, quanto da demanda de crédito".

Apesar do tom de alerta, Tombini fez a ressalva de que, por enquanto, nada disso preocupa no Brasil. "Felizmente, temos respostas para prevenir o surgimento desses riscos. No Brasil, temos uma regulação prudencial robusta e exigente, e temos procurado melhorar a qualidade da informação e a educação financeira dos cidadãos brasileiros".

Ritmo saudável. Tombini comentou que o aumento da participação do crédito na composição PIB - do patamar de 20% para próximo de 50% - aconteceu de maneira saudável. "Isso é fruto da estabilidade macroeconômica nos últimos anos", disse. "E, em parte, tem sido fruto de regras responsáveis para o sistema regulatório e prudencial."

O sucesso do País, de acordo com Tombini, é fruto também de outros fatores que ocorreram de forma simultânea, como o maior acesso a serviços financeiros e o aumento do emprego.

No entender do presidente do BC, a inclusão financeira é importante, principalmente por dois motivos. O primeiro é por ser um instrumento que pode contribuir para a redução das desigualdades social e o crescimento do País. O segundo é porque ela fortalece o principal canal de transmissão da política monetária do Banco Central, que é o sistema financeiro. "A inclusão ajuda a aumentar eficácia da nossa política monetária e contribuirá para o aperfeiçoamento das políticas públicas".

Tombini também destacou a necessidade de maior oferta de educação financeira aos brasileiros que estão estreando no acesso às operações financeiras. "Para que o processo continue, é fundamental educação financeira", defendeu.

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