Guadalupe Pardo/Reuters
Guadalupe Pardo/Reuters

Tombini e Levy reforçam no FMI expectativa por CPMF

O ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central participaram de uma série de encontros reservados com investidores durante reunião do FMI em Lima

Altamiro Silva Junior, enviado especial, O Estado de S. Paulo

11 de outubro de 2015 | 17h52

LIMA - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, fizeram no fim de semana, durante reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), uma série de encontros reservados com investidores estrangeiros e brasileiros. Segundo participantes ouvidos Broadcast, eles buscaram reforçar o compromisso com o ajuste fiscal e a expectativa de que, com o avanço das medidas no Congresso, principalmente a aprovação da CPMF, a incerteza se dissipará e a economia brasileira voltará a crescer. A avaliação dos dois, segundo uma fonte da delegação brasileira, é que as explicações foram "bem recebidas".

Levy mostrou otimismo, conforme um dos investidores que participou de dois encontros, de que o governo vai conseguir aprovar a CPMF no Congresso, passo considerado fundamental para que o ajuste fiscal prossiga. Além disso, o ministro destacou que a valorização do dólar tem contribuído para que comece a ocorrer no País um processo de substituição de importações, o que deve ser positivo para a atividade econômica.

Em um dos eventos, Levy disse que o Brasil está no meio de um processo de transição, que já mostra resultados positivos, por exemplo, nas contas externas, que estão melhorando. Ele afirmou ainda que as exportações líquidas devem dar a primeira contribuição positiva para o Produto Interno Bruto (PIB) do País desde 2005.

Tombini procurou passar a mensagem de que a inflação vai convergir para a meta no fim de 2016 e que o BC está pronto para atuar no mercado para conter a volatilidade excessiva. Os juros devem continuar no patamar atual por um período longo e a desaceleração da China e a alta de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) são os dois principais eventos em curso na economia mundial, mas o Brasil está mais bem preparado agora para lidar com eles.

Um representante da delegação brasileira avaliou que as explicações foram bem recebidas pelos investidores em Lima. Para essa fonte, o mercado está entendendo que a crise política provoca entraves no ajuste fiscal, o que tem atrapalhado todo o resto da economia, incluindo a queda dos índices de confiança dos agentes para níveis historicamente baixos.

Entre os temas levantados pelos investidores na parte de perguntas e respostas, apareceram preocupações com a situação da Petrobrás e, em uma das conversas, com o apoio da presidente Dilma Rousseff ao ministro Levy, em meio a especulações de que ele poderia deixar o governo.

Em documentos apresentados ao longo da reunião, Levy e Tombini reforçaram a determinação do governo brasileiro de alcançar a meta de superávit primário de 0,7% do PIB em 2016. 

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