Tombini: está havendo 'certo arrefecimento' na demanda por swaps

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou nesta quinta-feira que está sendo percebido "certo arrefecimento" na demanda por swaps cambiais, a pouco mais de um mês do fim da atual fase programa de leilões diários feitos hoje pela autoridade monetária.

Reuters

22 de maio de 2014 | 15h34

"Mais recentemente... temos observado certo arrefecimento da demanda", afirmou Tombini durante evento em São Paulo. "Por um lado, swaps continuam sendo canalizados para empresas não financeiras e fundos de investimentos. Por outro, investidores não residentes reduziram ligeiramente a busca por essa proteção", acrescentou ele.

O BC iniciou o programa de intervenções em agosto passado, quando o dólar estava perto de 2,45 reais diante das incertezas sobre o futuro do programa de estímulos do Federal Reserve. Naquele momento, a autoridade monetária brasileira ofertava todos os dias até 10 mil contratos de swaps, com exceção na sexta-feira.

No último dia útil da semana, fazia leilões de venda de dólares com compromisso de recompra, conhecidos como leilão de linha.

No início deste ano, com o dólar mais comportado a 2,35 reais e sinais consistentes de que o Fed continuaria cortando seus estímulos de forma gradual, o BC reduziu bem suas ações no mercado, passando a fazer leilões diários apenas de swaps cambiais e com até 4 mil contratos por dia. Na época, informou que isso ocorreria até "pelo menos até 30 de junho de 2014".

Em janeiro e fevereiro, o BC vinha rolando integralmente os swaps que venciam neste período, sem afetar a liquidez. Mas, nos últimos dois meses, rolou apenas 75 por cento dos contratos que venceram. E, agora, sinalizou que vai reduzir essa fatia para 50 por cento.

Após os comentários de Tombini, o dólar anulou a queda e passou a subir ante o real, com os operadores avaliando que o presidente do BC sinalizou que o programa de leilões pode ser reduzido ou até mesmo encerrado no meio do ano.

Tombini reafirmou que as intervenções no mercado de câmbio foram bem sucedidos e reduziram a volatilidade. Além disso, sustentou que muitos emergentes apresentam fundamentos mais consistentes do que no passado.

Ele também voltou a dizer que a redução gradual das compras de ativos pelo Fed causou uma reprecificação natural dos ativos financeiros.

Para Tombini, a menor volatilidade nos mercados pode ser explicada também pela expectativa de que novas rodadas de estímulo possam ocorrer na Europa. O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, deixou a porta aberta para adotar mais medidas para estimular a economia da região.

(Reportagem de Aluisio Alves; Texto de Tiago Pariz)

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