Tombini está otimista com economia e inflação

Para presidente do banco central, PIB vai crescer por causa do avanço da renda e do emprego e pela combinação da queda do juro e dos preços

FERNANDO NAKAGAWA, RENATA VERÍSSIMO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2012 | 03h09

O Banco Central está mais animado com o ritmo da economia brasileira. Ontem, o presidente do BC, Alexandre Tombini, disse que a atividade já avança com velocidade maior e há outros sinais positivos, como a queda da inadimplência. O ambiente reforçou a previsão de mercado, endossada por Tombini, de que o Brasil começará 2013 com um crescimento equivalente a 4,0%. Mesmo assim, não fechou a porta para o corte de juro.

Durante o lançamento das novas cédulas de R$ 10 e R$ 20, o presidente do BC usou números do mercado para mostrar que até os analistas confiam que o País ganhará velocidade nos próximos trimestres. O ritmo pleno, porém, só será alcançado no ano que vem. Segundo Tombini, após atingir o ritmo anual de 4,0% no fim deste ano, a economia deve atingir a velocidade de expansão de 4,5% ao longo do primeiro semestre de 2013.

Tombini argumenta que o Brasil vai crescer graças ao efeito de dois movimentos. O primeiro é o resultado do crescimento da renda e emprego. "A economia continua gerando empregos e ampliando a renda do trabalhador", disse, ao comentar que isso eleva a capacidade de pagamento e consumo das famílias. Nos últimos 12 meses, lembrou, o País criou 1,2 milhão de empregos e a renda real avançou 5,1%.

Preços baixos. A outra razão para a reação da atividade é o resultado combinado da queda do juro e inflação mais amena. Tombini defende que incentivos recentes - como o corte da taxa Selic e favorecimento do crédito - ainda não são sentidos plenamente. Nesse esforço para ajudar o crescimento, o juro caiu 4,5 pontos desde agosto do ano passado e o BC liberou R$ 60 bilhões em depósitos dos bancos para elevar a oferta de crédito.

O resultado de tanto esforço, afirma, já começa a ser visto. O presidente do BC destacou que juros ao consumidor estão em queda e o custo de vida tem subido menos. "Isso permite uma reorganização dos balanços das famílias", afirmou, ao comentar que isso já provoca "sinais de redução da inadimplência e atrasos" nos financiamentos.

Além de estar otimista com o crescimento, Tombini ainda mostra tranquilidade com os preços. Na manhã de ontem, em entrevista a correspondentes estrangeiros, ele comentou que a convergência da inflação para a meta de 4,5% ainda é possível em 2012. Mais do que isso: a projeção oficial para o IPCA em 2013, de 5,0%, "não restringe" a política monetária. A frase foi entendida por parte do mercado como um sinal de que o juro continua em queda em agosto.

Focus. Ao contrário de Tombini, o mercado está mais pessimista. Pesquisa Focus divulgada ontem mostra que a previsão dos analistas para o desempenho da indústria em 2012 piorou pela oitava semana seguida e passou de crescimento de 0,09% para queda da produção de 0,04%. Para o conjunto da economia, analistas preveem expansão do PIB de 1,90% no ano, bem menos que os 2,5% esperados pelo BC e os 3% pela Fazenda. / COM DOW JONES NEWSWIRES

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