Tombini fala em ajuste 'moderado' e juros futuros caem

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, voltou a falar, na noite de quinta-feira, em ajuste 'moderado' nas taxas de juros e, com isso, mudou a percepção dos investidores sobre a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para a semana que vem.

MÁRCIO RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2011 | 03h05

Durante a tarde de quinta-feira, os investidores haviam elevado suas apostas em um corte agressivo da taxa básica de juros, a Selic, de 0,75 ponto porcentual na reunião do Copom. Cerca de 60% das apostas no mercado de juros futuros na BM&FBovespa indicavam o corte de 0,75 ponto. A motivação dos investidores era a crescente preocupação com a crise europeia e como o Banco Central tem reagido à deterioração externa com cortes nas taxas.

Mas, após a fala de Tombini, as expectativas foram realinhadas. Ontem, a maioria das apostas voltou a se concentrar em um corte de 0,5 ponto porcentual. Cerca de 60% dos investidores se concentraram nesta aposta.

O quadro externo continuou incerto, mas as bolsas europeias subiram após o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, afirmar que a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, não é contra os eurobônus, mas questiona o momento.

O comentário de Tombini foi feito durante evento pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Tombini afirmou que a deterioração do cenário externo justificou que o Banco Central adotasse um "ajuste moderado na taxa de juros". Ainda que no passado, a frase dita pelo presidente do BC foi interpretada por muitos agentes econômicos como indicação que o ciclo de cortes de juros de 0,50 ponto porcentual será mantido na quarta-feira, quando ocorrerá a última reunião do Copom do ano.

Além da piora externa dos últimos dias, a expectativa de um corte mais pronunciado da Selic foi alimentada pelos comentários da presidente Dilma Rousseff e do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Eles sinalizaram que o governo tem vários instrumentos, como a política fiscal e a monetária, para mitigar os efeitos da crise.

"Depois da surpreendente decisão de agosto, o mercado passou a precificar os comentários de Dilma e Mantega", disse um profissional que atua no mercado de renda fixa.

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