Tombini prevê inflação menor no ano que vem

Menor pressão salarial, sistema financeiro sólido e capitalizado e melhora no cenário externo vão ajudar o PIB, diz Tombini

IURI DANTAS/BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2012 | 02h05

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, indicou ontem que vê a economia brasileira crescendo mais e gerando menos inflação nos próximos meses. O economista descreveu menor pressão de salários, sistema financeiro sólido e capitalizado e uma certa melhora no ambiente internacional como fatores que possibilitam a retomada do crescimento em 2013, após a freada vista desde a posse da presidente Dilma Rousseff, em janeiro do ano passado.

O desempenho do PIB no terceiro trimestre deste ano já demonstra alguns sinais de recuperação, embora ainda abaixo do esperado pelo governo, admitiu Tombini. Segundo os cálculos do IBGE, a economia brasileira cresceu 0,6% entre julho e setembro, metade da velocidade esperada pelo governo.

"O Brasil tem todas as condições de retomar uma trajetória de crescimento mais forte", afirmou Tombini. "Do ponto de vista da estabilidade monetária e financeira, o Brasil vai bem, obrigado." O mercado financeiro reagiu às declarações de Tombini. Ao ouvir que a autoridade monetária espera inflação no ano que vem menor do que neste ano, os operadores entenderam que o BC deve manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, inalterada em 7,25% ao ano, como vem indicando em documentos e declarações recentes. Em seu relatório trimestral de inflação, divulgado em setembro, o BC estimava uma alta de 5,2% neste ano, contra 4,9% em 2013.

Transparência. Tombini e outros diretores da instituição receberam ontem jornalistas para um café da manhã no Museu de Valores do BC, que completa 40 anos em 2012. Antes de se ausentar, agradeceu a cobertura jornalística e prometeu continuar mantendo a transparência.

Ao fazer um balanço sobre o ano, Tombini lembrou que algumas medidas econômicas tomadas pelo governo, sem especificar quais, ainda não causaram impacto nos preços. "As medidas tomadas terão repercussão direta sobre a inflação nos próximos meses", disse.

Em agosto do ano passado, Tombini surpreendeu o mercado ao cortar os juros antevendo a piora do cenário internacional. Ontem, traçou um quadro um pouco mais positivo: a economia mundial deve crescer no ano que vem, mas sem pressionar o IPCA, usado como parâmetro da meta de inflação do governo: "Não há um cenário inflacionário vindo do exterior."

Ele citou, ainda, condições "confortáveis" para financiamento externo da economia, melhoria no âmbito da política fiscal e a trajetória declinante da relação dívida/PIB como outras bases para a retomada do crescimento. O BC espera crescimento de 1,6% neste ano e expansão de 3,3% nos 12 meses que terminam no segundo trimestre do ano que vem. Eventuais revisões dos dados serão apresentadas na quinta-feira, no novo relatório de inflação.

Focus. A previsão do mercado para o crescimento da economia em 2012 recuou de 1,03% para 1%, segundo a pesquisa Focus do BC divulgada ontem. Esta é a quinta revisão consecutiva para baixo. Para 2013, a estimativa passou de 3,50% para 3,40%, também a quinta queda seguida.

No caso da inflação, os analistas consultados pelo BC elevaram pela segunda semana consecutiva a projeção para o IPCA em 2012. A mediana das expectativas passou de 5,58% para 5,60% . Para 2013, a mediana do IPCA projetada pelo mercado passou de 5,40% para 5,42%.

A projeção para o desempenho do setor industrial em 2012 segue negativa, mas acentuou a queda de -2,27% para -2,32. Para 2013, economistas preveem avanço , mas a previsão de expansão caiu de 3,75% para 3,70%. /COLABOROU RENATA VERÍSSIMO

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