Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Tombini tenta convencer G-20 que País voltará aos trilhos

Neste domingo, em Istambul, presidente do BC reconheceu que a inflação seguirá elevada no curto prazo

FERNANDO NAKAGAWA, O Estado de S.Paulo

09 Fevereiro 2015 | 02h03

ISTAMBUL - Convencer estrangeiros de que o Brasil voltará aos trilhos é a principal meta do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, na reunião das 20 maiores economias do mundo, o G-20. Neste domingo, 8, na véspera do encontro de dois dias na Turquia, ele reconheceu que a inflação seguirá elevada no curto prazo e o Brasil não deve crescer em 2015. Medidas, porém, estão sendo tomadas. Por isso, disse querer "convencer" o mundo de que a alta dos preços perderá força e a economia voltará a crescer a partir de 2016 com a melhora da confiança.

Na véspera da reunião de ministros de economia e banqueiros centrais do G-20, o brasileiro foi o convidado especial de um almoço durante seminário do Instituto Internacional de Finanças (IIF). À plateia formada por banqueiros e representantes de grandes instituições financeiras, Tombini não escondeu que o cenário de curto prazo é desafiador no País.

"Eu tenho a ambição de convencer vocês de que temos a agenda certa para melhorar a confiança no Brasil nos próximos anos e de que as políticas que estamos implementando hoje irão criar uma melhor perspectiva econômica para o médio prazo, começando em 2016", disse ao ser questionado sobre qual era seu principal objetivo em Istambul.

Para convencer banqueiros, empresários, investidores e autoridades internacionais de que o Brasil está fazendo a coisa certa, Tombini bateu na tecla fiscal. Ao citar medidas recentes, como a mudança no seguro-desemprego e pensões por morte, o presidente do BC argumentou que o "reforço na política fiscal e a correção de alguns desequilíbrios" permitirão ampliar a confiança. "Acho que a política macroeconômica, especialmente no lado fiscal, é muito importante para fortalecer a credibilidade."

Tombini disse ainda que, com cenário fortalecido, investidores e empresas terão mais confiança para investir. O resultado desse esforço, porém, só deverá aparecer no médio prazo - como ele disse: a partir do próximo ano.

Com esse discurso realista, o presidente do BC mostra que pouca coisa pode ser feita no curto prazo. Ele reconheceu, por exemplo, que a inflação sobe diante de medidas como o aumento das tarifas públicas e, ao citar o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que o PIB tende a ficar estável - flat, em inglês - em 2015.

"Ações como o realinhamento nos preços administrados geram inflação no curto prazo", afirmou. Em linha com o realismo do discurso, as previsões do mercado para o IPCA em 2015 já chegaram à casa de 7% na pesquisa Focus divulgada na semana passada. Diante disso, o discurso do BC parece migrar para meses adiante, onde o cenário surge menos pior. Tombini destacou mais uma vez o fato de que as previsões de analistas para a inflação de médio e longo prazo têm apresentado uma "modesta, mas bem-vinda" queda.

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