Tombini viaja de última hora para G-20

Presença do presidente do BC no encontro de cúpula, junto com a presidente Dilma e o ministro Mantega, abre espaço a especulações

FERNANDO NAKAGAWA, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2014 | 02h04

BRISBANE - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, teve a agenda alterada na última hora e está na Austrália desde o início da manhã de ontem (noite de terça-feira no Brasil). Ele foi a primeira autoridade brasileira a chegar ao encontro em Brisbane. Pessoas ligadas à delegação brasileira afirmam que o objetivo da viagem de Tombini é "assessorar a presidente Dilma Rousseff em temas relacionados à economia".

Originalmente, o Brasil seria representado no encontro de líderes pela própria presidente Dilma Rousseff e pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. A composição é explicada pela agenda do evento: o encontro de cúpula das 20 maiores economias do mundo tem programação dedicada apenas aos chefes de Estado e aos ministros de Finanças. Não há agenda pública para banqueiros centrais nesse encontro final.

O calendário de viagens internacionais de Tombini - que informa com antecedência a agenda em outros países - não previa até o fim da semana passada participação no G-20. No próprio BC, a explicação ouvida há alguns dias citava que o encontro de cúpula não é um evento dedicado aos banqueiros centrais. Por isso, o presidente da casa não planejava ir.

Mudança de agenda. O argumento para a ausência é verdadeiro. Em 5 e 6 de setembro do ano passado, Dilma foi acompanhada apenas por Mantega à reunião de cúpula do G-20 em São Petersburgo. Enquanto isso, Tombini teve "atividades de trabalho em Brasília, sem compromisso público", informa a agenda do BC.

Um ano antes, em 18 e 19 de junho de 2013, Mantega também ocupou sozinho o posto de assessor econômico de Dilma no encontro em Los Cabos, no México. Durante aqueles dias, Tombini manteve reuniões em Brasília e São Paulo e compareceu ao aniversário de uma revista econômica na capital paulista.

Ainda que a viagem tenha começado a ser costurada há mais tempo, o "ok" para a mudança agenda de Tombini só saiu na sexta-feira. Na tarde daquele dia, o banco suíço UBS foi avisado oficialmente que o presidente do BC cancelara a participação no painel "Relaxamento Quantitativo, o Carrossel Global" durante o UBS European Conference Agenda 2014. Motivo? "Mudança de agenda". O debate contou com nomes de peso, como o presidente Federal Reserve da Filadélfia, Charles Plosser, e próprio presidente do UBS, Axel Weber.

Especulações. Após as promessas de Dilma de mudança na economia e a sinalização de que Mantega não continuará no cargo no segundo mandato, a viagem inesperada de Tombini levanta questões e abre espaço para especulações. Membros da comitiva brasileira se esquivam ao serem questionados se a presença do presidente do BC indica que Tombini poderia ser escolhido como novo ministro da Fazenda.

Independentemente de Tombini ser citado como um dos nomes da lista de possíveis sucessores de Mantega, a viagem traz duas mensagens importantes: a reputação de Tombini anda elevada no Palácio do Planalto e é preciso mais que um ministro da Fazenda demissionário para debater com as 19 maiores economias do mundo.

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