Tombo em NY derruba bolsas asiáticas e impulsiona busca por segurança

As praças acionárias do continente têm forte baixa, mas analistas permanecem divididos sobre se há apenas uma correção nos preços dos ativos ou se o mercado entrou em tendência de queda

Mateus Fagundes e Victor Rezende, O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2018 | 01h01

A queda superior a 4% dos principais índices das bolsas de Nova York na sessão desta segunda-feira, 5, leva os investidores da Ásia a uma busca por segurança nas primeiras horas do pregão desta terça-feira, 6. Todas as praças acionárias do continente têm forte baixa, os juros dos Treasuries estão nas mínimas em semanas e o dólar desaba em relação ao iene e ao franco suíço. Os analistas, no entanto, permanecem divididos sobre se há apenas uma correção nos preços dos ativos ou se o mercado entrou em tendência de baixa.

Entre o fechamento das bolsas de Nova York e a abertura dos mercados asiáticos, já havia sinais de que a liquidação não ficaria restrita ao pregão de segunda-feira. Chamou atenção a forte queda do fundo de índice VelocityShares Daily Inverse VIX Short Term, mais conhecido como XIV, que despencou mais de 80% no after hours. O indicador opera como contraponto do Índice de Volatilidade da CBOE (VIX), considerado o medidor de medo de Wall Street, e pode indicar tendências futuras dos índices acionários americanos. Assim, quando o XIV cai, a aposta e de que o VIX avance e, consequentemente, que o índice S&P 500 recue.

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Não por acaso, os indicadores de ações de Nova York operavam em queda no mercado futuro. Após abrirem em baixa, os mercados não resistiram e passaram a exibir fortes perdas após a abertura dos negócios em Xangai. O futuro do Dow Jones chegou a cair 3%, mas, à 0h35, perdia 2,11%, enquanto o S&P 500 recuava 1,59% e o Nasdaq cedia 1,30%.

A Bolsa de Tóquio abriu às 22h (de Brasília) em queda de 4,19%, aos 21.733,50 pontos, e no horário acima operava em 21.491,00 pontos (-5,21%). A de Xangai iniciou os negócios em baixa de 1,90% e cedia 2,08%.

Seguindo o movimento baixista, outras bolsas da Ásia e do Pacífico também exibiram perdas substanciais. A Bolsa de Sydney recuava 2,92%, a de Seul cedia 3,11%, a de Hong Kong perdia 4,16% e a de Taiwan caía 4,29%.

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Mesmo diante da forte perda acionária, os analistas permanecem divididos em relação à continuidade da onda de vendas. Em relatório, o analista Clint Sorenson, da firma de investimentos WealthShield, afirmou que "um dia de queda do Dow Jones não modifica a tendência de alta" e que os mercados devem retomar a trajetória de alta em breve.

Para o chefe do departamento econômico para a América Latina do banco Natixis, Juan Carlos Rodado, a queda pode ser considerada temporária, ainda que "não seja possível saber quando o ajuste terminará".

Já o estrategista macro global do Saxo Bank, Kay Van-Petersen, acendeu o alerta e considerou que "os incrédulos devem passar a acreditar que estamos diante de um bear market". De acordo com ele, o movimento baixista visto, principalmente, em Nova York desde a última sexta-feira "aconteceu muito rápido".

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Ainda assim, prevalece a busca por segurança nos mercados. Mesmo diante dos desafios do governo americano em aprovar a extensão do teto da dívida, os títulos do Tesouro do país seguem atrativos, levando os rendimentos a expressivas quedas. No horário acima, o juro projetado pela T-note de 2 anos caía para 1,991%, o da T-note de 10 anos recuava para 2,678% e o do T-bond de 30 anos cedia para 2,999%. Já o rendimento do bônus do governo japonês (JGB) de 10 anos caía de 0,084% ontem para 0,071%.

Ao mesmo tempo, no mercado de moedas, o dólar recuava para 108,69 ienes e cedia para 0,9379 franco suíço. Ambas as moedas são consideradas ativos de segurança. /Colaborou Ricardo Leopoldo, correspondente em Nova York 

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