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''Tombo nos investimentos pode indicar recessão''

Para o diretor da Abimaq, Carlos Pastoriza, o pior momento para o setor de máquinas não passou

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2009 | 00h00

Não é sem motivos que os fabricantes de máquinas são os que mais sentem no caixa e nos estoques os efeitos da crise. No quarto trimestre do ano passado, o investimento caiu 9,8% ante o terceiro trimestre. E a razão da retração foi a queda na produção e importação de máquinas e equipamentos para a indústria."Os números de janeiro são estarrecedores. O faturamento caiu 38% sobre dezembro, o maior recuo da história do setor", afirma diretor da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Carlos Pastoriza. A Sondagem da Indústria de Transformação da FGV mostra que esse é o setor mais crítico no acúmulo de estoques. Em fevereiro, o número de empresas com volume de produtos indesejáveis era 35% maior que a média histórica. Na análise do diretor da Abimaq, o resultado do faturamento de janeiro é preocupante. É que o tombo nos investimentos em máquinas hoje pode sinalizar recessão amanhã. Para ele, o pior ainda não passou. Do fim de 2008 até janeiro, o setor demitiu oito mil trabalhadores.Elizabeth Bozza, diretora da José Murília Bozza Ltda, fabricante de equipamentos para lubrificação de máquinas de indústrias como mineradoras, cimenteiras e empresas de papel e celulose, por exemplo, viu sua carteira de pedidos cair pela metade em fevereiro na comparação com dezembro. "Até agora não demiti nem tomei atitude radical, mas gastei todas as férias", conta a empresária, que emprega 200 trabalhadores na fábrica de São Bernardo do Campo (SP) e admite que já pensa em demissões.Na tentativa de ganhar tempo, ela reduziu as compras de matérias-primas, alocou parte dos funcionários para executar trabalhos de manutenção e organização da fábrica e decidiu agilizar a venda de seus equipamentos por meio do cartão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que permite parcelar em até 36 vezes.ELETRÔNICOS"Infelizmente, o momento ainda é difícil", afirma o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e eletrônica (Abinee), Humberto Barbato. Uma pesquisa feita pela entidade mostra que tanto os estoques de insumos como de produtos acabados estão elevados para a maioria das empresas.No mês passado, 51% das indústrias do setor estavam com estoques de matérias-primas acima do normal , ante 52% em janeiro. No caso de produtos acabados, a fatia de empresas com estoques acima da média era de 48% no mês passado, o mesmo índice verificado em dezembro de 2008. "Em fevereiro houve melhora na expectativa de vendas, mas não dá para afirmar que se trata de um recuperação sustentada", diz Barbato.

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