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A cidade cresce: Na velocidade de 110 imóveis por dia, com alta participação dos econômicos e uma oferta crescente de alto padrão. Rafael Arbex/Estadão

Top Imobiliário 2019: números mostram crescimento do mercado

Na velocidade de 110 imóveis por dia, com alta participação dos econômicos e uma oferta crescente de alto padrão

Cláudio Marques e Heraldo Vaz, Especial para O Estado

25 de junho de 2019 | 03h00

Uma em cada três unidades residenciais lançadas no Brasil inteiro está em construção na cidade de São Paulo, o maior mercado imobiliário do País. Em 2018, ano base da premiação do 26º Top Imobiliário, os lançamentos somaram 32,8 mil apartamentos na capital paulista para um total de 98,6 mil espalhados pelo território nacional, com base nos dados do Sindicato da Habitação (Secovi).

Ocorreu um “boom” no quarto trimestre, que concentrou a maioria (56%) dos lançamentos de novos prédios em São Paulo. Para o presidente do Secovi, Basílio Jafet, o mercado imobiliário saiu fortalecido de 2018 para se consolidar neste ano. Os números, segundo ele, são indicativos da trajetória de retomada.

Considerando-se o ano passado inteiro, os imóveis de alto padrão chamaram a atenção. Apartamentos com valor superior a R$ 1,5 milhão registraram o maior crescimento porcentual, com 2.134 unidades lançadas - número 142% superior às 882 unidades de 2017. Nesta faixa de preços houve a maior variação nas vendas, com 1.626 unidades comercializadas em 2018, alta de 123% sobre os 729 apartamentos do ano anterior.

Divulgada neste mês, a última pesquisa do Secovi aponta o total de 39,6 mil imóveis novos lançados em 12 meses (de maio de 2018 a abril deste ano), o que dá a média de 3,3 mil unidades/mês. “Olhando só os números, vemos claramente uma tendência de crescimento”, afirma o diretor da Embraesp, Reinaldo Fincatti. Parceira do Estadão no prêmio Top Imobiliário, a Embraesp identifica os maiores operadores do mercado em três categorias: Incorporadoras, Vendedoras e Construtoras.

“A outra face da moeda são a persistência do desemprego, contínua perda de renda das famílias e o adiamento das decisões de investimento”, diz Rodrigo Luna, diretor da Plano&Plano, a líder no ranking das incorporadoras nesta edição do Top Imobiliário. Para ele, a retomada do setor depende da melhoria na economia.

Bicampeã na categoria das construtoras do Top Imobiliário, a Tenda - como a Plano&Plano - atua exclusivamente no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), destinado a moradias de baixa renda. No ranking das vendedoras, a consultoria imobiliária Lopes foi a vencedora, com 40% dos seus lançamentos atrelados a produtos do MCMV.

Com participação crescente nos últimos três anos, os imóveis populares foram o motor do setor em meio à crise, chegando a 44% do total de unidades residenciais lançadas em São Paulo em 2018. Foram 14,4 mil moradias de baixa renda.

São Paulo é o único mercado com “sinais claros e efetivos” de retomada, diz Claudio Hermolin, presidente da Brasil Brokers Participações, que controla as imobiliárias Abyara e Brasil Brokers, também premiadas. “Nas outras regiões do País ainda são incipientes os sinais”, analisa. “Os imóveis econômicos do MCMV passaram ao largo da crise, porque a demanda é enorme.”

Plano&Plano, Tenda e Lopes formam trio campeão

Prêmio identifica maiores operadores do mercado com base em todos os lançamentos da região metropolitana de SP

No 26º Top Imobiliário, Plano&Plano é a líder das incorporadoras e Tenda a bicampeã das construtoras. Ambas têm produção exclusivamente voltada para o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), destinado ao segmento de moradias populares. A consultoria imobiliária Lopes venceu, mais uma vez, entre as vendedoras.

Nas três categorias, o prêmio classifica as dez empresas que apresentaram os maiores volumes de lançamentos na Região Metropolitana de São Paulo, conforme os dados registrados pela Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Nesta edição, 202 incorporadoras, 174 construtoras e 217 vendedoras disputaram o topo do ranking.

O valor geral de vendas (VGV) lançado, número de empreendimentos, de blocos, total de unidades residenciais e área em metros quadrados são os cinco itens aferidos. A Embraesp faz a ponderação, com pesos diferentes para os três segmentos, obtendo como resultado um “número puro”, que define a colocação no ranking.

O prêmio identifica os maiores operadores do mercado em São Paulo, atesta o engenheiro Reinaldo Fincatti, diretor da Embraesp. “São números reais de cada concorrente.” É um balizamento para a indústria imobiliária. 

A Tenda, Plano&Plano e a Cury, que também é voltada para o segmento de baixa renda, ganharam troféu nas três categorias. Ao todo, foram 19 empresas premiadas nesta edição do Top Imobiliário.

Só MCMV

As duas campeãs, mais a MRV Engenharia, líder nacional no segmento de imóveis econômicos, e a Econ, especializada em habitação social, ocupam as primeiras quatro posições nos rankings tantos das construtoras como das incorporadoras.

Em 2018, ano base da premiação do 26º Top Imobiliário, chegaram ao mercado da capital paulista 32,8 mil novos apartamentos. Segundo o Sindicato da Habitação (Secovi), 44% dos lançamentos (14,4 mil) são imóveis econômicos com preço até R$ 240 mil, o teto do MCMV.

Indicativo

Para o presidente do Secovi-SP, Basilio Jafet, os números indicam uma retomada do mercado imobiliário de São Paulo. Além do aumento de 4,4% nos lançamentos no último ano, as vendas subiram 27%, chegando a 29,9 mil imóveis novos em 2018.

Apesar da lenta retomada da economia, do rebaixamento constante da previsão do Produto Interno Bruto (PIB) e do alto índice de desemprego, os lançamentos imobiliários cresceram mais neste ano.

Divulgada neste mês, a última pesquisa do Secovi aponta o total de 39,6 mil imóveis novos lançados em 12 meses (de maio de 2018 a abril deste ano), o que dá a média de 3,3 mil unidades/mês. Os números repetem o maior volume em unidades (com mais de 39 mil imóveis) registrado em 2007, de acordo com o Secovi.

Na avaliação do Secovi, o mercado imobiliário da cidade de São Paulo apresenta certo descolamento da instabilidade da economia e se apoia na demanda represada dos últimos anos.

O problema é que grande parte do crescimento está atrelada ao MCMV, o que, segundo o Secovi, influencia negativamente o resultado do valor geral de vendas, porque os preços dos imóveis são mais baixos.

Jafet defende a aprovação da reforma da Previdência para equilibrar as contas públicas do governo e estimular retorno dos investimentos, assegurando condições para o desenvolvimento econômico e permitir que o setor volte a produzir em sua capacidade máxima.

 

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Vencedora eleva participação no segmento de corretoras

Lopes divulga que sua fatia de mercado subiu de 37% em 2017 para 41% no ano passado

Cláudio Marques, Especial para O Estado

25 de junho de 2019 | 03h00

A Lopes chega novamente ao topo do ranking na categoria Vendedoras embalada pelo aumento de sua participação no mercado da Região Metropolitana da Grande São Paulo. Em 2018, abocanhou 41% do mercado imobiliário dessa área ante 37% no ano anterior. Por sua vez, as companhias “in house”, imobiliárias próprias das grandes incorporadoras, tiveram a presença reduzida para 24% contra 30% em 2017. As demais empresas vendedoras registraram leve aumento na atuação, conquistando 34% do setor ante 33% no período anterior. Os dados fazem parte das mensagens da empresa para o mercado.

Contribui para o desempenho o fato de a Lopes ter participado, de acordo com informações da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), de 43 lançamentos que somam mais de 7,2 mil unidades com área construída total de 815.806 m² e valor geral de vendas (VGV) de R$ 4,2 bilhões. Desse total, segundo informações da intermediadora, 59% vieram de operações em São Paulo, 18% do Sul, 8% do Rio de Janeiro, 6% do Nordeste e 9% de outros locais. 

Os resultados da empresa refletiram o movimento do mercado, que registrou uma aceleração dos negócios no último trimestre de 2018. No caso da Lopes, 50% do VGV lançado corresponde a operações realizadas nesse período. 

“No último trimestre, dobramos nosso VGV certificado”, diz a diretora executiva da Lopes, Mirela Parpinelle, admitindo as dificuldades enfrentadas no ano passado. “Realmente foi um ano bem difícil. Colocamos uma meta para fechar o ano, mas não esperávamos que fosse assim. Houve dez emendas de feriados e a Copa do Mundo. E ao final nos deparamos com indefinição política e com a greve dos caminhoneiros, que atrapalhou bastante.”

Segundo Mirela, foi um ano que exigiu muito mais esforço. “Sempre se precisou trabalhar muito, mas tivemos de trabalhar dez vezes mais para obter esse resultado, que talvez não precisasse de tanto esforço em outras ocasiões.”

A estratégia adotada, segundo a executiva, foi “trabalhar muito” no campo com os corretores. “Toda a diretoria da empresa foi para os plantões fazer esse trabalho junto com os vendedores”, diz ela. “Nós capacitamos muito nossos profissionais, adotando treinamento técnico e de vendas. Trabalhamos bastante esse pilar de venda e também fizemos um trabalho muito forte com nossa equipe do digital.” 

Ainda assim, o ano teve destaques de vendas, como a boa performance na comercialização do Ibirapuera by Yoo, empreendimento de alto padrão da Cyrela, projetado pelo estúdio do famoso designer Philipe Stark. “Vendemos em 15 dias no final do ano. Foi um trabalho super-rápido, vendemos na carteira de nossos clientes. O cliente quer algo novo, quer o diferente.” O projeto tinha unidades custando até R$ 2,8 milhões.

Em 2019, ela acredita que o desempenho será melhor. “No ano passado, 40% do que lançamos foram produtos do Minha Casa Minha Vida (MCMV), mas neste ano, este número deve ser menor, vai crescer a participação de apartamentos de alto e médio padrão”, afirma. 

Caso a expectativa se concretize, haverá aumento do VGV negociado, embora Mirela ressalte que os valores dos imóveis estão defasados, em razão da crise econômica. “Este ano, o preço ainda não se atualizou em relação ao preço histórico de 3 ou 4 anos atrás.” Por isso, diz ela, a situação está “muito boa” para o comprador.

Apesar das dificuldades, dados do Sindicato da Habitação (Secovi) mostram que em 2018 foram vendidas 29,9 mil novas unidades em São Paulo, elevação de 26,7% sobre 2017. E o lançamento de 32,76 mil unidades ficou 4,4% acima do volume registrado em 2017.

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Bicampeã concentra atuação em São Paulo

Capital paulista responde por 80% do valor de R$ 606 milhões lançados pela Tenda em 2018 na região metropolitana

Heraldo Vaz, Especial para O Estado

25 de junho de 2019 | 03h00

Bicampeã do Top Imobiliário no ranking das dez construtoras com os maiores volumes de lançamentos na Região Metropolitana de São Paulo, a Tenda venceu a disputa com 173 empresas pela liderança do setor. Dividiu o pódio da categoria com a Plano&Plano, vice-líder, e a MRV Engenharia.

O principal mercado da Tenda está na capital paulista. “São Paulo foi a regional que mais cresceu no último exercício”, afirma o diretor financeiro (CFO) da companhia, Renan Sanches. Foram 11 novos empreendimentos, com 3,7 mil imóveis econômicos, lançados na região metropolitana em 2018, com valor geral de vendas de R$ 606 milhões. “80% do VGV foi na cidade de São Paulo”, diz.

A construtora atua exclusivamente no programa habitacional Minha Casa Minha Vida (MCMV), destinado ao público de baixa renda. Os seus produtos são destinados às faixas 1,5 e 2, com limites de renda de R$ 2,6 mil e R$ 4 mil, respectivamente.

O diretor aponta a estratégia de, “primeiro, preencher a capital”, deixando para depois outras praças da região metropolitana da capital. “Consigo vender mais rápido dentro da cidade de São Paulo.”

Crescimento

No Brasil, segundo o balanço operacional do ano de 2018, os números são de crescimento. Os lançamentos totalizaram valor geral de vendas (VGV) de R$ 1,91 bilhão (13% acima de 2017). Foram 49 novos empreendimentos com 13,6 mil unidades (aumento de 16%). O preço médio foi de R$ 140 mil por apartamento lançado no mercado nacional.

A Tenda registrou lucro líquido de R$ 200 milhões em 2018 milhões (aumento de 87%) e de R$ 50 milhões no primeiro trimestre deste ano, com as operações em oito regiões metropolitanas. 

Além de São Paulo, está presente nas praças de Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ), Curitiba (PR) e Goiânia (GO), onde estreou em dezembro passado.

Em 2018, foram entregues pela construtora mais de 10 mil unidades prontas para morar. A empresa encerrou o ano com 44 obras em andamento espalhadas pelo País.

Um terço

Além de representar um terço do VGV lançado no Brasil, a Região Metropolitana de São Paulo respondeu por 29% do valor geral das vendas realizadas no mercado nacional, onde a Tenda faturou R$ 1,85 bilhão (20% acima de 2017) com a comercialização de 13,5 mil imóveis econômicos.

Para 2019, a companhia estima um crescimento de 5% a 16% no volume de vendas. “As vendas oscilarão entre R$ 1,95 bilhão e R$ 2,15 bilhões”, conforme guidance que consta no balanço do primeiro trimestre.

Apetite

Apoiando-se na orientação já divulgada, Sanches diz que, neste ano, a expectativa é continuar crescendo. “Estamos comprando mais terrenos do que lançando em São Paulo. A Tenda vem com bastante apetite para compra de terrenos”, afirma o executivo. 

Ele ressalta os resultados positivos do primeiro trimestre, quando lançou dois empreendimentos em São Paulo, com valor global de R$ 106 milhões, triplicando o VGV lançado de R$ 35 milhões entre janeiro e março de 2018. “Tivemos um início de ano melhor.”

Novo patamar

Os projetos da companhia ganharam altura depois da construção do Colibris, na zona leste de São Paulo, o primeiro projeto com elevador entregue em abril de 2018. Este empreendimento foi um marco ao permitir construção de edifícios populares, mais altos e com melhor aproveitamento do terreno. 

“Foi nosso primeiro projeto com elevador desde a mudança de gestão da companhia, que ocorreu em 2011”, diz Sanches, referindo-se ao Colibris. “Hoje, 90% do landbank de São Paulo é composto por terrenos para prédios com elevador. Isso fez com que nossa capacidade de comprar terreno saltasse de forma relevante.”

A Tenda aposta também na formação do banco de terrenos para os anos futuros. “Estou me fortalecendo para continuar crescendo em São Paulo por ser a região com maior potencial de crescimento e também a de maior rentabilidade do Brasil.”

Espalhado por oito regiões, o landbank da Tenda fechou 2018 com um VGV potencial de R$ 8,9 bilhões. Cresceu para R$ 9,4 bilhões, no fim do primeiro trimestre deste ano, puxado por São Paulo, que tem um banco de terrenos para projetos com valor de R$ 3,2 bilhões, representando uma fatia de 34%.

“A perspectiva é de incrementar esse percentual ao longo do ano”, diz o CFO. Até 2017, a Tenda comprava terrenos para projetos de edifícios, sem elevador, de apenas quatro pavimentos.

Depois de “ganhar convicção” sobre os custos similares para prédios mais altos, segundo o diretor financeiro, a companhia aumentou o volume de compra de terrenos na cidade de São Paulo.

No próximo mês, a Tenda entrega mais um empreendimento da safra com elevador. Formado por dois projetos, Alameda Freguesia e Pátio Limão, está localizado na Freguesia do Ó, a 200 metros da Marginal Tietê.

São 504 apartamentos de um e dois dormitórios (40 m² a 42 m²), que custam, em média, R$180 mil, distribuídos em sete blocos, com nove andares.

No primeiro trimestre, a Tenda lançou dez empreendimentos no País, totalizando R$ 386 milhões em valor geral de vendas, incluindo dois novos projetos em São Paulo. 

Um deles foi o Verona, no bairro de Ermelino Matarazzo, na zona leste, com 456 apartamentos, de um e dois dormitórios (área de 42 m² a 44 m²), a partir de R$ 160 mil. O projeto terá três blocos, com 18 pavimentos mais o térreo.

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Incorporadora líder projeta repetir crescimento

Depois de lançar 4,9 mil unidades em 2018, Plano&Plano planeja oferecer 7,5 mil apartamentos em 2019

Heraldo Vaz, Especial para O Estado

25 de junho de 2019 | 03h00

Após ser vice na edição anterior do Top Imobiliário, a Plano&Plano conquistou o topo do ranking das incorporadoras, com 15 novos empreendimentos que chegaram ao mercado em 2018, totalizando 4,9 mil unidades residenciais. Os registros da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp) apontam crescimento de 35% no valor geral de vendas (VGV) dos lançamentos da empresa em comparação a 2017.

“O VGV foi de R$ 860 milhões”, afirma o diretor da Plano&Plano, Rodrigo Uchôa Luna, informando que, em 2018, “100% dos lançamentos” ocorreram na cidade de São Paulo e dentro do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), cujo teto é R$ 240 mil. Agora, ele projeta incremento acima de 50% para 2019, tanto em valor quanto no número de apartamentos. “Vamos lançar 21 empreendimentos, correspondente a 7,5 mil unidades, com VGV de R$ 1,3 bilhão”, diz.

Neste ano, a empresa lançou o Estação Vila Sônia, na zona sul, a segunda fase do Parque do Carmo, na zona leste, e o Plano&Sacomã.

Luna está focado no mercado paulistano, o “maior e mais dinâmico” do Brasil. “Temos tido bons resultados nesses anos difíceis”, comenta, referindo-se à grave crise que assolou o setor. “A cidade de São Paulo tem legislação adequada a empreendimentos econômicos, pois não exige garagens nem áreas mínimas para apartamentos.” O desafio, de acordo com ele, é o mercado extremamente concorrido.

Vendas

Luna diz que, em 2018, sua empresa vendeu 4,7 mil apartamentos, contabilizando R$ 880 milhões, valor 35% maior em relação ao ano anterior. Para 2019, espera repetir o porcentual de crescimento. “A meta é comercializar 7,5 mil unidades, buscando patamar de R$ 1,2 bilhão em VGV.”

A performance comercial do conjunto de lançamentos no Cambuci, segundo Luna, merece destaque. “Já vendemos mais de 900 unidades com preços até R$ 230 mil”, diz ele, referindo-se a dois projetos (o primeiro lançado em 2016), com o total de 1.148 apartamentos.

Em junho do ano passado chegou ao mercado o Plano&Largo do Cambuci, na região central de São Paulo, com preços a partir de R$ 180 mil. São apartamentos de dois dormitórios, de 40 m² e 41 m², em duas torres com 17 pavimentos e em terreno de 3 mil m². O VGV é de R$ 58 milhões.

Ele ressalta a aderência do produto com “forte apelo de mobilidade e infraestrutura” pela sua proximidade do centro de São Paulo. “Oferecemos um produto completo, com as áreas comuns entregues equipadas e decoradas”, descreve, citando também as torres altas com elevador. “Fazemos baixa renda com acabamento de classe média.”

Incertezas

Luna acredita que a retomada do setor depende da reversão de expectativas macroeconômicas. “A articulação política entre o Executivo e o Legislativo não está suficientemente desenvolvida para que a sociedade acredite que as reformas estruturais possam ser realizadas a contento”, analisa. “A persistência do desemprego, a contínua perda de renda das famílias e o adiamento das decisões de investimento são a outra face dessa moeda.”

O cenário atual, segundo Luna, é um pouco melhor do que em junho de 2018, quando ocorreu a edição anterior do Top Imobiliário. “Mas o otimismo com o novo governo se arrefeceu, o que faz com que as expectativas estejam pessimistas para o segundo semestre de 2019”, afirma. Para ele, se o governo preservar o MCMV, especialmente as faixas 2 e 3, o mercado do imóvel econômico “continuará dando sustentação” ao setor imobiliário. “O déficit habitacional e a luta pelo sonho da casa própria nessa faixa é emergencial.”

Executivo diz que MCMV foi essencial para o setor

O programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) foi o motor para uma recuperação do mercado na cidade de São Paulo, onde foram lançados 14,4 mil imóveis econômicos no ano passado. “O MCMV foi fundamental para a sobrevivência do setor nessa vasta crise econômica que o país atravessa”, afirma o diretor da Plano & Plano, Rodrigo Luna, destacando a importância do programa para melhoria do emprego na região metropolitana e, principalmente, na oferta de casa própria ao segmento de baixa renda.

“Sem este programa teríamos um colapso social sem precedentes”, acrescenta. Na opinião de Luna, a entrada de concorrentes, como a Vivaz, da Cyrela, e a Fit, da Eztec, duas empresas tradicionais do alto padrão, foi consequência natural dessa oportunidade. “Os novos players precisarão fazer um grande esforço para manterem custos competitivos”, diz ele. “Esse mercado é extremamente sensível ao preço e às condições de financiamento.”

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Duas vidas que se confundem com a indústria da construção

Premiação consagra o construtor Romeu Chap Chap e o publicitário Pedro Cesarino

Cláudio Marques, Especial para O Estado

25 de junho de 2019 | 03h00

Quando se fala do mercado imobiliário de São Paulo, dois nomes personificam a história do setor econômico: Romeu Chap Chap e Pedro Cesarino.

Com trajetórias que se confundem com momentos importantes da atividade, os dois são homenageados nesta 26ª edição do Top Imobiliário, em razão do papel e da influência que têm exercido em décadas de um trabalho que busca os melhores resultados para a indústria da construção. 

Chap Chap começou a erguer casas em 1959 ,ainda antes de se formar em engenharia pela Universidade Mackenzie. Em 1960, fundou sua empresa e iniciou uma carreira ao longo da qual se tornou a voz do setor e deu visibilidade nacional para o Sindicato da Habitação (Secovi) - entidade que comandou por 15 anos em períodos diferentes a partir de 1981 até 2007. Desse ano até 2009, foi presidente do Conselho Consultivo.

O empresário também presidiu o capítulo brasileiro e o comitê para a América Latina da Federação Internacional da Profissões Imobiliárias (Fiabci) e foi membro de diversas instituições empresariais. Com toda essa atividade, ganhou o respeito de seus pares e de setores governamentais com os quais discutia temas que iam de políticas habitacionais a assuntos do interesse do setor. 

Dono da Archote, Pedro Cesarino conduziu a transformação da empresa de uma captadora de anúncios classificados em uma agência especializada no mercado imobiliário, que desempenhou papel importante na formação e desenvolvimento de bairros como Panamby, Vila Olímpia e Itaim, e na criação de Tamboré, que ocupa partes dos municípios de Barueri e Santana de Parnaíba.

Considerando-se um parceiro de incorporadores e construtores, ele participa da escolha do terreno, da decisão do que será construído no local, dos detalhes do projeto e da definição do nome do empreendimento. 

Ao longo de cinco décadas de trabalho, sempre esteve presente nos principais acontecimentos do mercado. Nos anos 1980, inovou ao criar os primeiros feirões. Com slogans como ‘Apartamentos a preço de banana’ e ‘Galinha morta’ os eventos fizeram sucesso. Também é de Pedro o bordão ‘Tijolo, moeda forte ontem, hoje e sempre’.

“Ele acredita e ama o mercado imobiliário”, afirma Mário Cesarino, seu filho.

‘Eu me dediquei bastante ao setor’

Empresário, que começou a construir em 1959 ainda na faculdade, deu voz ao mercado imobiliário

Decano do mercado imobiliário, o filho de imigrantes libaneses Romeu Chap Chap, hoje com 86 anos, começou a construir casas antes mesmo de se formar engenheiro pela Universidade Mackenzie, em 1959. No ano seguinte, fundou a construtora que leva seu nome.

A experiência de 60 anos no mercado de construção, incluindo inúmeras outras atividades ligadas aos setor, torna difícil condensar em um único texto uma vida dedicada ao mercado imobiliário. Ainda hoje, se recuperando de um AVC sofrido em fevereiro, Chap Chap vai uma ou duas vezes por semana ao seu escritório, localizado no Paraíso, bairro onde cresceu e ainda mora.

A relação com a tradicional região da capital é de mão dupla. De um lado, o bairro viu a transformação do menino que engraxava os sapatos dos amigos do pai para ganhar algum dinheiro no jovem que criou o Miami Club, que promovia bailes, e teve a inédita ideia de fretar um bonde para levar os sócios do clube até Santo Amaro. Posteriormente, assistiu ao moço com veia empreendedora virar o construtor que ganhou respeito do mercado e se tornou a voz do setor. De outro lado, o engenheiro não apenas viu, como também participou da transformação do Paraíso, onde estão muitas de suas obras.

Na época da faculdade, pegava o bonde para ir ao Pacaembu se exercitar. Durante o trajeto, ele conta, ficava entusiasmado com os prédios na Paulista. “Cheguei à conclusão de que queria aprender a construir”, recorda. E pôs mãos à obra juntamente com um estudante de arquitetura. Um parente engenheiro orientou na planta, no trato com a Prefeitura, na contratação de mestre de obras e pessoal. As duas primeiras casas foram erguidas no Planalto Paulista, ainda em 1959. 

“Foi aí que comecei a pegar gosto. Eu ia para a faculdade, mas pegava o bonde e ia ver a obra. No quinto ano, já estava fazendo outro grupo de casas, no Bosque da Saúde”, conta. 

As experiências tornaram-se a fundação que sustenta toda uma vida dedicada à construção. O entusiasmo com o setor não se resume a suas empresas e projetos: militou em entidades do setor. Presidiu o Sindicato da Habitação (Secovi) pela primeira vez de 1981 a 1984, período em que a entidade ganhou expressão nacional. “Em 1983, durante o governo João Figueiredo (1979-85), quando houve o primeiro plano habitacional, eu entendi que tinha de convidá-lo para um evento aqui em São Paulo. As pessoas me diziam ‘’você é louco?’. Consegui uma audiência, fiz o convite e ele veio.” 

Na TV

No discurso, Chap Chap homenageou o presidente pela sua atuação na área da habitação. Figueiredo ficou sensibilizado e comentou a respeito em um programa de televisão. “O Secovi ficou mais conhecido, graças ao Figueiredo”, conta.

“Modéstia à parte, eu me dediquei bastante à causa imobiliária”, afirma. Foi reeleito para o período de 1984-87. No ano 2000, voltou a comandar a entidade até 2007. Foi reitor da Universidade Corporativa Secovi e presidente do Conselho Consultivo de 2007 a 2009. Também presidiu o capítulo brasileiro da Federação Internacional da Profissões Imobiliárias (Fiabci) e o Comitê da América Latina da entidade, de 1989 a 1991, e foi presidente mundial adjunto para as Américas de 1994 a 1995. Ele ainda participou, como membro, de diversas entidades empresariais.

Dono de uma conversa fácil e agradável, dialogou, a partir dessas entidades, com diversos governos e teve papel importante em discussões para a formatação de políticas voltadas para a construção residencial e de medidas que afetariam o setor.

É autor do livro Contribuição para uma Política Habitacional (Editora Livre Iniciativa). Em 2007, publicou a autobiografia “Romeu Chap Chap - Uma Vida em Construção” (Elsevier). Em entrevista a uma publicação do Secovi, contou porque decidiu escrever sobre a sua vida: “Tive a oportunidade de aprender muito com muitas pessoas e com as mais diferentes situações. E decidi compartilhar essa vivência, como forma de colocar em prática uma das lições que recebi da vida: dividir é somar. Por isso o livro”. Chap Chap também escreveu inúmeros artigos para jornais, revistas e publicações especializadas.

Com tanta experiência, ele diz que considera a crise atual a pior nessas seis décadas de atividades. Ressalta que o mercado imobiliário ativa toda a economia, o que ajuda a combater o desemprego. “A construção imobiliária não é só ferro, madeira, cimento, é tudo que vem depois, para pôr aqui dentro.”

 

No entanto, lembra, grandes empresas da construção, por envolvimento na Lava Jato, não têm como investir, o governo está sem dinheiro para contratar obras e ainda há a questão tecnológica, que pode dar fim a muitos empregos. “Acho que tudo vai melhorar se a Previdência for aprovada. Mas a esta altura, por que não se vê notícias de grande atividade? Porque falta credibilidade, falta ter certeza de que vai dar certo.”

Publicitário parceiro e estrategista

Sob Pedro Cesarino, Archote vai de captadora de classificados a consultora e parceira de incorporadores

Quem nunca ouviu falar em um feirão de imóveis ou jamais ouviu o bordão “tijolo, moeda forte ontem, hoje e sempre”? Ou mesmo de Tamboré, uma área nobre que se estende pelos municípios de Barueri e Santana de Parnaíba. São casos marcantes para o setor e, em comum, têm a marca do publicitário Pedro Cesarino, presidente da agência de publicidade Archote. Sua vida profissional mostra que ele ousou ir além dos espaços tradicionais de atuação no segmento.

Com 75 anos e há 50 atuando na empresa, o tributo por seu trabalho de parceria com o mercado seria uma surpresa só revelada na festa de entrega dos prêmios, marcada para ontem à noite do Teatro Santander JK. 

A Archote foi fundada em 1945 pelo pai do empresário. Quando ele adoeceu, Pedro assumiu os negócios. E logo começou a colocar sua marca. Conduziu a transformação da empresa de uma captadora de classificados em uma agência especializada no mercado imobiliário, que desempenhou papel importante na formação e desenvolvimento de bairros como Panamby, Vila Olímpia e Itaim, e na criação de Tamboré, cuja área se espalha pelos municípios de Barueri e Santana de Parnaíba.

“Eu o considero, além de publicitário, um estrategista. São mais de cinco décadas de trabalho sempre presente nos principais momentos do mercado imobiliário. Ele acredita e ama o mercado”, diz seu filho Mário. 

Segundo ele, a atividade da companhia extrapola as campanhas. “Prestamos um serviço mais profundo, de consultoria mesmo. E de construção de um projeto em parceria com os incorporadores.”

Mário conta que o pai já participou do lançamento de “milhares” de empreendimentos de todos os tipos, superando desafios que vão além de campanhas publicitárias. Participa da escolha do terreno, da decisão do que será construído no local, de detalhes do projeto, da definição do nome do empreendimento e do show room de vendas. Segundo o filho, a vivência de mercado que lhe deu o conhecimento que é buscado por incorporadoras, construtoras e até bancos. 

Nos anos 1980, o setor imobiliário vivia um momento difícil e Pedro teve a ideia de realizar, para a Roque Seabra, a maior imobiliária da cidade na época, os então inéditos feirões. “Com slogans como ‘Apartamentos a preço de banana’ e ‘Galinha morta’ atraíram mais de 22 mil famílias”, afirma Mário.

O filho também conta que o segundo semestre de 2003 vivia dificuldades em relação à venda e financiamentos realizados pela Caixa, que estava até sem verba de publicidade . Pedro então sugeriu, e o banco aprovou, um feirão online chamado ‘Vem que tem’. Com ele, a Caixa vendeu mais de 1,8 mil unidades. “Foi depois dele que a instituição começou a fazer os feirões.”

Pedro também desempenhou papel importante ao participar da formação e do desenvolvimento de bairros, como o Panamby. “No caso da Vila Olímpia, que tinha uma vocação muito mais residencial, foi um incorporador que realmente começou, com a nossa parceria, a mudança no perfil e expansão do bairro.”

Pedro teve um papel fundamental no lançamento de Tamboré. “Em 1988, tínhamos um cliente que era proprietário de uma área enorme, onde hoje é Tamboré. Ele tinha as terras, mas não tinha verbas para fazer o marketing e para divulgar e vender os terrenos. A ideia do meu pai foi criar um ‘banco de mídia’. Ele foi conversar com diversos players de mídia do mercado e se permutou 500 mil m² em troca de publicidade para poder lançar os empreendimentos”, conta.

Em 1999, Pedro criou o Imovelweb, o primeiro portal do mercado imobiliário brasileiro, que foi vendido para o fundo americano Tiger Global, em 2012. Para Mário, investir na internet em seus primórdios foi uma decisão corajosa do pai. 

Em novo movimento, em 2004 cria a Id360 New Media, agência 100% digital, voltada à criação de campanhas de alta performance. O grupo também possui a Edit Produções. No final de 2018, a Archote participou do lançamento de uma área de 1 milhão de m², em Taubaté. 

Pedro é casado com Maria Cecília, tem dois filhos, Mário e João Carlos, e uma neta, Júlia. “De momentos delicados do mercado a momentos de euforia, ele enfrentou todos, sempre com a preocupação de valorizar o setor. Ele acredita que a compra de um imóvel foi, é e sempre será sinônimo de solidez e de segurança”, afirma Mário.

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