Valéria Gonçalvez/Estadão
A cidade de São Paulo responde por 43% das 130 mil unidades lançadas no Brasil em 2019.  Valéria Gonçalvez/Estadão

Top Imobiliário 2020: Para todos os gostos e bolsos

De olho na retomada do mercado no pós-pandemia, empresas do setor imobiliário vão dos projetos de luxo, que podem custar R$ 33 mil o metro quadrado, aos imóveis populares, destaque de vendas na crise

Heraldo Vaz , Especial para o Estadão

31 de julho de 2020 | 05h00

No 27º Prêmio Top Imobiliário, a Cyrela venceu em duas categorias – construtora e incorporadora –, conquistando o topo do ranking depois de se classificar em quinto lugar na edição anterior. A consultoria de imóveis Lopes repetiu o feito como campeã entre as vendedoras.

Criado em 1993 pelo Estadão, o Top Imobiliário é uma parceria com a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), cujos registros definem a premiação das dez empresas, em cada categoria, com o maior volume de novos projetos na Grande São Paulo.

O engenheiro Reinaldo Fincatti, diretor da Embraesp, diz que o setor imobiliário surpreendeu positivamente em 2019, ano-base do Top Imobiliário 2020. Foram lançadas 82.768 unidades residenciais na Região Metropolitana de São Paulo. “É o maior número de todos os tempos”, afirma ele, enfatizando o crescimento de 67%.

Com área total de 7,9 milhões de metros quadrados, um aumento de 52% em relação ao ano anterior, os empreendimentos lançados em 2019 somaram um valor geral de vendas (VGV) de R$ 37,9 bilhões, conta Fincatti, citando dados da nova edição do Relatório Anual da Embraesp (disponível para venda por R$ 600). 

Na sua avaliação, esses dados configuram uma nova realidade para o setor residencial.

Nesta edição, 174 construtoras, 217 vendedoras e 202 incorporadoras concorreram ao Top Imobiliário. São aferidos cinco quesitos: VGV lançado, número de empreendimentos, de blocos, total de unidades e área a ser construída. A Embraesp faz as ponderações, com pesos diferentes para os três segmentos, obtendo a pontuação que define o ranking final.

As mesmas empresas, classificadas no ranking das incorporadoras, também estão entre as dez mais na lista das construtoras. O valor total dos lançamentos feitos por elas atingiu R$ 16,6 bilhões, uma participação de 44% do total. 

Em seu anuário, o Sindicato da Habitação (Secovi-SP) divulgou os recordes de lançamentos (55,5 mil apartamentos) e vendas (44,7 mil unidades residenciais) registrados em 2019. Foi o ano que consolidou a recuperação do mercado de São Paulo, de acordo com o presidente do Secovi-SP, Basilio Jafet. 

Participação

A cidade representa 43% do total de 130 mil unidades residenciais lançadas no Brasil em 2019. Outro destaque do cenário paulistano é o crescimento exponencial, segundo o Secovi, dos imóveis econômicos, enquadrados no programa Minha Casa Minha Vida, com teto de R$ 240 mil de preço final.

No ano passado, 49% dos lançamentos na capital foram de habitações populares, produto que também respondeu por 45% do total comercializado.

Neste ano, os lançamentos caíram, mas as vendas ainda apresentam bons resultados em São Paulo e no mercado nacional. Mesmo com a crise da pandemia, o segmento de baixa renda foi responsável por mais de R$ 5 bilhões, somando negócios fechados pelas três primeiras colocadas no ranking das construtoras.

A MRV, com R$ 1,81 bilhão, e a Tenda, com R$ 689 milhões, bateram recordes de vendas no segundo trimestre, enquanto a Cyrela comercializou R$ 1,2 bilhão em moradias populares no primeiro semestre.

Econômico é 49% da produção em São Paulo

Em 2019, São Paulo bateu recorde em lançamentos, com 55,5 mil apartamentos (50% a mais do que em 2018). No mesmo período, o número de novas habitações populares cresceu 67%, de 16,3 mil para 27,2 mil em 2019, conquistando uma fatia de 49%, a maior participação já registrada para moradias do programa MCMV no mercado paulistano.

Além da marca inédita em volume de lançamentos, São Paulo também registrou recorde de vendas, com 44,7 mil apartamentos novos vendidos em 2019. Para o economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, esse alto desempenho resulta principalmente do aumento do volume de empreendimentos econômicos, que apresenta “crescimento exponencial” desde 2016. 

A participação, que era de 16% em 2016, atingiu 45% em 2019, quando foram vendidos 20.092 imóveis enquadrados no MCMV, ante 11.203 unidades em 2018.

Valor do lançamento mais caro chega a R$ 33 mil o m²

A curva de preços dos 39.245 apartamentos lançados pelas dez empresas classificadas no ranking final das construtoras vai de R$ 150 mil até R$ 9,5 milhões na cidade de São Paulo. Segundo a Embraesp, parceira do Estadão no Top Imobiliário, o mais caro é o Fasano Residências, lançado em setembro.

A Even é a responsável pela incorporação e construção do empreendimento, com data de entrega prevista para novembro de 2022. Localizado no Itaim, as unidades do Fasano Residências têm 288 metros quadrados preço médio de R$ 33 mil por m². As vendas estão a cargo da Evenmob, também premiada na edição deste ano.

Na outra ponta do mercado, está o edifício Hortência, lançado pela Tenda, em dezembro, no programa Minha Casa Minha Vida. A torre de 18 andares tem 456 apartamentos, com 2 dormitórios, de 44 m² (cerca R$ 3,4 mil o m²), sem garagem.

A comercialização das unidades é feita pela própria Tenda. Com data de entrega para setembro de 2022, o Hortência fica no Campo Limpo. 

Com uma distância de aproximadamente 18 km entre os dois edifícios, que representam os extremos de preços entre os lançamentos residenciais de 2019, ambos ficam na zona sul de São Paulo.

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Mercado espera por retomada rápida

Empresas citam melhora nas vendas e apontam previsão de aceleração no ritmo de lançamentos ainda neste segundo semestre

Cláudio Marques, Especial para o Estadão

31 de julho de 2020 | 05h00

A Lopes manteve a tradição e mais uma vez ocupa o primeiro lugar no ranking Vendedoras do Top Imobiliário, prêmio oferecido pelo Estadão aos destaques do mercado imobiliário, com base em dados da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp)

O levantamento feito pela consultoria mostra que, em 2019, a Lopes participou da intermediação de 55 lançamentos na capital paulista com 11.538 unidades, correspondendo a 1.106.154 m² de área construída e R$ 6,07 bilhões em valor global de vendas (VGV)

As vendas feitas pela empresa na capital e Região Metropolitana resultaram em uma receita de R$ 2,8 bilhões, representando um crescimento de 40% em relação ao ano anterior, de acordo com a diretora executiva da Lopes, Mirela Parpinelle

Os resultados divulgados pela companhia mostram que o quarto trimestre de 2019 concentrou quase 45% do total de lançamentos de toda a empresa, somando R$ 5,8 bilhões, um volume 17% maior que o registrado no mesmo período de 2018. Foram 58 projetos, com 10.034 unidades, dos quais 86% se concentraram no Estado de São Paulo e, destes, 71% na capital. Para a empresa, os números mostram que a retomada do mercado esteve concentrada na capital.

“Para 2020, estávamos projetando um crescimento de 45%, mas a pandemia ocorreu logo depois do carnaval e, para o mercado imobiliário, o ano começa depois dessa época”, afirma Mirela, a respeito do impacto da crise provocada pela pandemia sobre a empresa. 

No entanto, o setor está otimista em relação ao segundo semestre. “Todo o mercado acredita em uma retomada em V, rápida. A grande maioria dos incorporadores está capitalizada e com muitos projetos na prateleira, prontos para serem lançados, afirma Herbert Braz, presidente da Abyara e vice-presidente do grupo Brasil Brokers

Em segundo lugar no ranking, a empresa participou de 30 lançamentos, que somaram 5.960 unidades e um valor geral de vendas (VGV) total de R$ 3,57 bilhões, segundo a Embraesp. “Vendemos R$ 1,7 bilhão no ano passado”, diz Braz sobre a atuação na capital paulista, onde o grupo deixou de operar com a marca Brasil Brokers no ano passado. 

Mesmo admitindo que ainda existe insegurança em relação ao emprego e à retomada da economia, o que pode inibir a compra de um imóvel, o executivo afirma que a previsão é de haver, neste semestre, 35 lançamentos, representando mais de R$ 5 bilhões em VGV e próximo de 10 mil unidades. “Esse é o nosso pipeline. E a tendência é que isso aumente”, diz. De acordo com o executivo, a empresa já participou de dois lançamentos em julho.

Cenário

“Este ano começamos muito bem. Janeiro e fevereiro foram os melhores dos últimos cinco anos, depois veio a quarentena e as coisas pararam. Mas, em junho, houve uma retomada que mostrou números mais próximos da normalidade, mesmo com o baixo volume de lançamentos”, afirma Gonzalo Fernandez, sócio-diretor da Fernandez Mera.

“Por causa do desempenho desses meses, conseguimos fechar o semestre com crescimento de 5% em relação ao mesmo período do ano passado”, acrescenta Fernandez.

Quinta colocada no ranking, a Fernandez Mera participou de 16 lançamentos em 2019, que somam 318,5 mil metros quadrados de área construída, 2.239 unidades e valor geral de vendas de R$ 1,57 bilhão. De acordo com Fernandez, a empresa cresceu, no ano passado, 93% em vendas, e ele prevê que o desempenho vai melhorar até o fim do ano.

Números do Sindicato da Habitação (Secovi) mostram que em abril foram comercializadas 1.923 novas unidades. Em maio, o número subiu para 2.405, alta de 25% em relação a abril, e chegou a 2.984 em junho, 24,1% a mais do que no mês anterior. Ainda assim, o desempenho em junho está 56% abaixo do mesmo mês do ano passado.

Lopes, Abyara e Fernandez Mera são as únicas participantes do ranking Vendedoras que não são “houses”, ou seja, não têm participação de incorporadora ou construtora.

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Venda de imóvel econômico se manteve na pandemia

Para diretora da Lopes, o produto é a mola do mercado; estúdios e 1 dormitório atraem investidores

Cláudio Marques, Especial para o Estadão

31 de julho de 2020 | 05h00

O imóvel econômico recebeu destaque das empresas de intermediação. “No ano passado, o mercado cresceu muito no segmento econômico. Neste ano, continuamos a vender esse tipo de imóvel. Foi um produto que continuou vendendo mesmo durante a pandemia”, afirma a diretora executiva da Lopes, Mirela Parpinelle

Na Lopes, segundo Mirela, esse tipo de imóvel respondeu por 20% das vendas. Na Abyara, foi 30% do faturamento, de acordo com seu presidente, Herbert Braz

As duas empresas atuam nos segmentos que vão desde o Minha Casa Minha Vida ao alto padrão, enquanto a Fernandez Mera centra sua operação em médio e alto padrão. 

“O econômico é a mola. Porque é nessa faixa que está a maior base da pirâmide”, afirma Mirela. “Nos melhores anos do mercado vimos pessoas subindo para classe B e comprar um imóvel maior. Agora, há mais pessoas entrando na faixa Minha Casa Minha Vida”, diz.

Mudança

“Todos precisam morar, independentemente do poder aquisitivo. Então, a pessoa que comprava um médio-alto, com renda maior, agora diminui a metragem, mas não deixa de comprar”, acrescenta sobre o movimento de compra constatado durante a pandemia e o isolamento social.

Além dos econômicos, estúdios e apartamentos de um dormitório fora das faixas do MCMV foram destaque no ano passado, tanto para a Abyara quanto para a Fernandez Mera. São o tipo de imóveis preferidos pelos investidores, que retornaram com mais intensidade ao mercado imobiliário em 2019, em função da queda da Selic e da menor atratividade de investimentos financeiros.

Juros

Neste ano, os juros baixos se tornaram ainda mais preponderantes para o mercado imobiliário. “Estima-se que a queda de 1 ponto porcentual na taxa de juros proporcione a entrada de 3 milhões de pessoas no financiamento imobiliário”, diz Mirela.

No início de 2019, a taxa estava em 8,31% e já vinha em trajetória descendente. Agora está em torno de 7%, e deve contribuir para movimentar o setor. 

A volta de ofertas de imóveis maiores, de três e quatro dormitórios, que havia escasseado a partir de 2014, também contribuiu para a melhoria nas vendas, segundo as imobiliárias. 

“Havia demanda reprimida por imóveis de 90 m², 100 m² e 150 m²”, diz Mirela. Com o estoque consumido e os sinais de retomada, as incorporadoras voltaram a lançar produtos desse tipo.

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Cyrela se divide entre superluxo e o básico

Em 2019, empresa vendeu apartamentos entre R$ 150 mil e R$ 4,2 milhões

Heraldo Vaz, Especial para o Estadão

31 de julho de 2020 | 05h00

Depois da queda de 80% nos lançamentos no primeiro semestre, a Cyrela apresenta quatro empreendimentos, incluindo o alto padrão Cyrela For You, com estúdios, no bairro nobre de Moema. São dois de médio padrão, Living Ipiranga e Living Vila Mariana, além do lançamento do Vivaz Lapa

Para agosto, haverá mais dois produtos da bandeira Vivaz, um em Guaianases e outro na Vila Guilherme. Os seis projetos têm valor geral de vendas (VGV) de R$ 637 milhões.

Para atuar no segmento de baixa renda, a Vivaz Residencial foi criada em 2018 pela Cyrela, tradicional marca de produtos de alto padrão.

Temos dez empreendimentos à venda”, afirma o diretor de incorporação Vivaz, Felipe Cunha. Para ele, a marca amplia atuação do grupo e conversa com o perfil do consumidor de imóveis econômicos do programa Minha Casa Minha Vida. “Sem dúvida, o mercado de MCMV deve manter seu protagonismo no planejamento de lançamentos da companhia”, garante Cunha.

De janeiro a junho, as vendas da Cyrela atingiram R$ 2,17 bilhões, um recuo de 27% ante o primeiro semestre de 2019. As habitações populares responderam pela maioria (55%) dos negócios, passando de R$ 878 milhões, nos seis primeiros meses de 2019, para R$ 1,2 bilhão neste ano. 

Populares. As vendas no geral caíram, no entanto, os imóveis populares deram um salto de 37% no valor comercializado. “O segmento econômico não sofreu tanto impacto na crise”, diz Cunha. “É natural que tenha ritmo de vendas superior ao das outras categorias.”

Em 2019, o VGV dos lançamentos atingiu R$ 6,8 bilhões, de acordo com o balanço da Cyrela, com aumento de 35% em relação a 2018. Os imóveis econômicos ficaram na frente por uma fração menor que um ponto porcentual. A divisão foi a seguinte: 40,8% para MCMV, 40,2% alto padrão e 19% médio padrão.

Com base nos registros da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), referentes à Grande São Paulo, a Cyrela apresentou crescimento de 136% nos projetos (de 11 para 26) e quadruplicou o número de apartamentos lançados, para 7,8 mil unidades. 

Como incorporadora, o VGV foi de R$ 2,97 bilhões. Na atividade como construtora, chegou a R$ 3,5 bilhões. A Cyrela foi campeã nas duas categorias do Top Imobiliário.

Questionado sobre a curva de preços dos lançamentos feitos na cidade de São Paulo em 2019, o diretor de incorporação apontou como mais barata a unidade do Vivaz Sacomã e a mais cara no Cyrela Iconyc, respectivamente, por R$ 150 mil e R$ 4,2 milhões.

No último trimestre de 2019, a Cyrela lançou 27 empreendimentos. Depois, vieram mais 25 projetos nos três primeiros meses do ano, quando o segmento econômico foi o principal destaque no VGV de R$ 1,64 bilhão, conforme reportado no balanço da companhia.

Na pandemia. De abril a junho, foram apenas cinco lançamento – nenhum de alto padrão – e os produtos MCMV responderam por 63% do VGV de R$ 395 milhões. No segundo trimestre, auge da pandemia do coronavírus, foi um período atípico”, diz Cunha. “Como praticamente todos os setores da indústria, o setor de incorporação foi afetado e buscou se adaptar.”

Em 2019, a companhia entregou 45 edifícios, com 13 mil unidades, dos quais 58% de alto e médio padrão. O grande destaque foi a conclusão das obras do residencial de luxo One Sixty, na Vila Olímpia, lançado em novembro de 2015. 

Em torre única, são 53 apartamentos (de 280 a 340 m²) com preço (no lançamento) a partir de R$ 7 milhões, segundo a Embraesp. Fruto de parceria da Cyrela com o estúdio inglês Yoo, do renomado designer Philippe Starck. “Foi uma aposta em projetos que sejam sinônimo de grandiosidade”, diz Piero Sevilla, diretor de incorporação da Cyrela. “Ressignifica o conceito de alto padrão no mercado brasileiro.” 

Sevilla destaca, como diferenciais, o pé direito duplo de 6 metros na sala e no terraço, o hall com 30 metros de extensão, além do salão de festas com mobiliário assinado por Philippe Starck.

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Crescimento não impede queda no ranking

VGV da Plano&Plano sobe mais de 50% para R$ 1,38 bilhão, mas empresa vai do primeiro para o terceiro lugar

Heraldo Vaz, Especial para o Estadão

31 de julho de 2020 | 05h00

Campeã das incorporadoras na edição anterior do Top Imobiliário, a Plano&Plano aumentou o número de projetos lançados de 15 para 21 no último exercício, atingindo valor geral de vendas (VGV) de R$ 1,38 bilhão, segundo a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio.

“Crescemos mais de 50%”, diz o presidente Rodrigo Luna, citando o VGV anterior, de R$ 900 milhões. O total de unidades também subiu (45%) para 7 mil apartamentos. Mesmo com esse desempenho, desta vez a Plano&Plano caiu para terceiro lugar no ranking das incorporadoras.

Todos os 21 lançamentos de 2019, na cidade de São Paulo, estão dentro do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), cujo teto é R$ 240 mil como preço final.

Luna destaca o Laguna by Plano&Plano, na Chácara Santo Antônio, zona sul da capital, lançado em outubro. São 491 apartamentos de um dormitório (26,5 a 31 m2), com ou sem terraço, distribuídos em duas torres, de 19 e 20 andares. Em ambas, existe pavimento de lazer. Custam a partir de R$ 209 mil. O Laguna tem coworking e energia fotovoltaica. “É um produto de alta qualidade para pessoas de renda menor”, afirma.

No ano passado, a incorporadora chegou a R$ 1,23 bilhão no total comercializado pela Plano&Vendas, também premiada com o Top Imobiliário. Agora, segundo Luna, as vendas subiram 11% no primeiro semestre.

“Imóvel econômico vende muito bem”, diz, enfatizando a resiliência do segmento. “Pessoas de menor renda perceberam ser indispensável ter casa própria. No meio de toda a loucura da covid-19, mesmo inseguras economicamente, elas querem comprar seu imóvel.”

A empresa adiou lançamentos após o surgimento do coronavírus em março. Havia sequência de empreendimentos previstos para abril e maio.

De cinco, fizemos dois”, afirma. Luna fechou o primeiro semestre, com cinco novos projetos, totalizando 1,9 mil unidades e R$ 372 milhões em VGV. 

“Fizemos três lançamentos em junho”, diz, preferindo não definir uma meta sobre o volume até fim do ano.

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Neste ano, crise reduz pela metade os lançamentos

Números do Secovi também mostram queda de 14% nas vendas do 1º semestre na capital em relação a igual período do ano passado

Heraldo Vaz, Especial para o Estadão

31 de julho de 2020 | 05h00

A crise do novo coronavírus derrubou os lançamentos. No primeiro semestre, a chegada de imóveis ao mercado de São Paulo caiu mais de 50%, para 9,6 mil unidades, em relação ao mesmo período de 2019. No caso das vendas, a redução foi de 14%, para 16,9 mil apartamentos, segundo pesquisa do Sindicato da Habitação (Secovi-SP).

O presidente do Secovi-SP, Basilio Jafet, vê um ponto positivo, dando ênfase ao fato de que as vendas ficaram “só 14% abaixo”. “Foi um baita resultado”, diz, comparando com quedas maiores de outros segmentos da economia. “Vendemos 86% do que fizemos no ano passado”, acrescenta. 

Jafet acredita que, neste segundo semestre, o setor vai “vender próximo” do registrado em 2019, ano em que São Paulo bateu recordes com 55,5 mil unidades lançadas e 44,7 mil vendidas.

Quanto à forte queda de novos projetos, ele espera “maior concentração” de lançamentos até o final de 2020. Em 2019, construtoras e incorporadoras concentraram 42% dos lançamentos no último trimestre. Dezembro foi o mês com maior volume, quase 11 mil imóveis.

O aumento das vendas em São Paulo, saindo de 1,9 mil unidades em abril para 2,4 mil em maio, chegando a 2,99 mil vendidas em junho, aponta uma tendência, segundo o Secovi. 

Demanda

As vendas de maio incluem 1.550 imóveis econômicos (64% do total). Na opinião do presidente do Secovi, o setor atende bem à demanda por habitações populares. 

No entanto, ele considera que a Lei de Zoneamento prejudica a classe média, com restrições que impedem produção mais diversificada de imóveis. Propõe o adensamento nas regiões com maior infraestrutura. O objetivo, segundo ele, é garantir que as pessoas tenham ganhos de mobilidade e que a indústria imobiliária possa atender vários tipos de consumidores.

O tombo no volume de lançamentos é atribuído por Jafet ao impacto do fechamento dos estandes. “Para lançar, era só virtualmente”, afirma, apontando também demora no ritmo de liberação. “Em abril e maio, houve problemas de atraso dos órgãos envolvidos na aprovação dos projetos.”

A partir de junho, com estandes reabertos, o setor refez o planejamento. Com cenário mais estável, a expectativa de Jafet é ter este segundo semestre parecido com o do ano passado. Jafet afirma que existe uma demanda represada por conta da crise que durou quatro anos. Também acredita que os juros baixos e a oferta de crédito imobiliário ajudam a impulsionar os negócios.

Movimento no setor comercial fica abaixo da média

Enquanto o mercado residencial na capital bateu recorde em lançamentos em 2019, (55,5 mil apartamentos, 50% a mais do que em 2018), somente 504 unidades de conjuntos comerciais foram lançadas em apenas 12 empreendimentos na Grande São Paulo. É um número bem inferior à média das últimas três décadas e meia, de 2.975 unidades por ano. 

A timidez do mercado de escritórios se deve à crise político-econômica dos últimos anos, caracterizada pela tendência do aproveitamento mais eficiente de espaços e redução de custos pelas empresas, cenário que deve se manter ainda mais forte, pelo avanço da tecnologia e o experimento do trabalho home office durante o período da pandemia, devendo levar à uma completa reformulação ao longo dos anos, neste segmento.

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Empresas batem recorde com venda de habitação popular

Resiliência do segmento leva duas construtoras a terem bons resultados no primeiro semestre

Heraldo Vaz, Especial para o Estadão

31 de julho de 2020 | 05h00

Com a produção voltada para o programa Minha Casa Minha Vida, duas construtoras, MRV Engenharia e Tenda, bateram recordes de vendas no primeiro semestre do ano, em plena crise da pandemia do novo coronavírus

O alto volume de vendas confirma a resiliência do segmento de baixa renda, segundo o consenso das empresas, que investem na construção de moradias populares.

A Tenda anunciou seu melhor resultado trimestral, com R$ 689 milhões entre abril e junho. No mesmo período, após atingir a marca inédita de R$ 1,67 bilhão, a MRV cresceu 8% e superou R$ 1,8 bilhão, com 11,5 mil unidades vendidas no segundo trimestre.

“A MRV adotou medidas como descontos nos preços dos imóveis”, afirma o diretor comercial Sérgio Paulo Amaral dos Anjos. Na divulgação de resultados, a companhia reporta que, para fechar negócios, é preciso ter estratégia comercial mais agressiva.

Segundo Amaral, os recordes consecutivos são consequência de adequar processos e os canais digitais, que permitem fechar a compra remotamente. “Sem sair de casa, o cliente escolhe a unidade, envia documentação, faz simulação e aprovação de crédito, negocia a proposta e assina o contrato digital”, afirma o executivo.

Ele diz que a casa ganhou mais importância durante o confinamento, mas reforça que o cenário com juros mais baixos e facilidades de financiamento é decisivo para o aumento das vendas tanto em São Paulo como em outras praças. “Em meio à pandemia, temos performance bastante satisfatória.”

Em 2019, o faturamento chegou a R$ 5,4 bilhões com 35 mil habitações comercializadas no Brasil. As vendas da MRV em São Paulo e Região Metropolitana, segundo Amaral, representam 13% do total. 

A construtora fechou 2019 com o valor geral de vendas (VGV) de R$ 6,9 bilhões para os 41,6 mil imóveis lançados em 162 cidades. Na Grande São Paulo, segundo a Embraesp, foram 18 novos projetos, com 5.980 apartamentos e VGV lançado de R$ 1,16 bilhão. 

Nesse lote, destacam-se mais cinco residenciais do Grand Reserva Paulista, maior complexo da MRV, com investimento de R$ 1 bilhão em 25 condomínios, com 7,3 mil apartamentos. “O preço da unidade gira em torno de R$ 225 mil”, diz Amaral, informando que 60% já foram entregues. “A última fase de lançamentos está prevista ainda para 2020.”

Neste ano, tanto no lançamento de 12 mil unidades como no VGV de R$ 2 bilhões, a MRV registrou queda de 30% em relação ao mesmo período de 2019. Com o alto nível de estoque, “optamos pela redução de lançamentos”, declara Amaral, ressalvando o objetivo de “intensificar significativamente” esse volume neste semestre.

Tenda

Com lojas fechadas, a Tenda bateu recorde no segundo trimestre com vendas de R$ 689 milhões. Isso atesta a resiliência da demanda por habitação popular, sinalizando a eficiência dos canais online, afirma o diretor financeiro, Renan Sanches.

Na prévia operacional, que anuncia seu melhor trimestre, a companhia reporta a política de descontos no pagamento da entrada dos imóveis. As vendas nacionais cresceram 25%, indo de R$ 980 milhões no primeiro semestre de 2019 para R$ 1,23 bilhão agora.

A Grande São Paulo respondeu pela parcela de 40% das vendas no Brasil, ancorada nos lançamentos, feitos entre outubro e dezembro. “Foi o trimestre em que a companhia mais lançou na sua história”, afirma Sanches. “Uma prateleira de produtos bem definidos, especialmente em São Paulo, permitiu super crescimento nas vendas.”

Assim, a participação subiu quatro pontos porcentuais. Em 2019, a Tenda havia registrado vendas de R$ 2,04 bilhões no País, das quais 36% na Grande São Paulo.

Quando começou a pandemia, segundo Sanches, não havia dúvida que o cliente de baixa renda continuava com urgência de adquirir a casa própria. “A dúvida era saber se ele ia comprar online”, conta.

A transformação digital trouxe inovações para clientes e vendedores com ferramentas para assinatura do contrato e envio da documentação por aplicativo. “É possível comprar tudo online”, diz ele, ao frisar que a necessidade fez tudo mudar rápido e chegar ate a venda de imóveis. 

Como a maioria das empresas, a Tenda reduziu os lançamentos, que caíram de R$ 978 milhões, no primeiro semestre de 2019, para R$ 796 milhões, uma queda de 19%.

Neste ano, a pandemia trouxe dificuldade nos processos de aprovação em prefeituras e órgãos estaduais, diz o diretor. Melhorou no final de junho, segundo ele, mês em que a Tenda fez nove dos 18 lançamentos do ano. Sanches espera aumentar o volume de novos projetos até dezembro.

MRV e Tenda lançaram 18 projetos cada

Nesta edição, a MRV Engenharia é vice-campeã do Top Imobiliário. Fez 18 lançamentos na Grande São Paulo em 2019, com 5.980 apartamentos, avaliados em R$ 1,17 bilhão, segundo a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). O desempenho representa 14% das 41.614 unidades lançadas pela empresa no Brasil e 17% do valor geral de vendas de R$ 6,9 bilhões em 2019, registrado no balanço como seu melhor ano. 

No caso da Tenda, as 5.540 moradias em 18 empreendimentos lhe deram o terceiro lugar no ranking, completando o podio das construtoras. O VGV lançado foi de R$ 920 milhões em 2019 na região metropolitana de São Paulo. O resultado apresenta crescimento de 52%, afirma o diretor financeiro, Renan Sanches, comparando com o ano anterior. “A estratégia de crescimento funcionou bem”, comemora o executivo.

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Estratégia tem sido construir torres mais altas

Tenda passa a focar investimentos em prédios com mais de 10 andares para aproveitar melhor os terrenos

Heraldo Vaz, Especial para Estadão

31 de julho de 2020 | 05h00

A Tenda subiu de patamar, lançando as primeiras torres acima de dez andares no ano passado. Com projetos mais verticalizados, 2019 foi um ano para aumentar sua presença em São Paulo. Até agora são cinco edifícios de 18 andares, os mais altos da construtora.

No primeiro semestre do ano, dois lançamentos são dessa safra, afirma o diretor financeiro da Tenda, Renan Sanches, referindo-se ao Mirari, com 304 apartamento, no Campo Limpo, e o Viva Marajoara, com 456 unidades, em Interlagos, ambos na zona sul da capital.

Outros três, com 18 pavimentos, chegaram ao mercado em 2019: Verona, em Ermelino Matarazzo, Bela Marajoara, em Interlagos, e Hortência, no Campo Limpo, cada um com 456 habitações.

É uma tendência para São Paulo, diz Sanches. “Quanto mais altos os prédios, consigo viabilizar em terrenos menores.” O diretor conta que a cidade foi a base pioneira para a empresa desenvolver projetos com essa característica.

No total, em 2019, a Tenda lançou 18 empreendimentos – ante 11 no ano anterior – com valor geral de venda (VGV) de R$ 920 milhões na Grande São Paulo. A participação cresceu de 32% em 2018 para 36% do VGV dos lançamentos feitos no Brasil. Sanches vê oportunidades de crescer e ganhar share na região por conta do déficit habitacional.

Destinados ao programa Minha Casa Minha Vida, todos os produtos da Tenda dividem-se entre a faixa 1,5 (20% dos lançamentos), com renda familiar até R$ 2.600, e a faixa 2 (com 80% do total), com uma renda de até R$ 4 mil.

Portfólio

Com posição consolidada na construção de moradias para a baixa renda, a MRV investe para aumentar o volume de produtos de médio padrão. A linha Class, segundo o diretor comercial Sérgio Paulo Amaral dos Anjos, está logo acima do limite do MCMV (a faixa 3, até R$ 9 mil) e conta com financiamento do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que tem como fonte os recursos da poupança.

Expansão

A MRV vem expandindo seu portfólio, com uma plataforma habitacional para clientes com renda de R$ 2 mil a R$ 10 mil, em 162 cidades do Brasil, de acordo com Amaral. 

É uma referência aos serviços para aquisição de apartamentos prontos ou na planta, à compra de terreno em loteamentos da Urba, ou à negociação de imóveis por meio da startup Luggo, que desenvolve produtos para locação residencial e posterior comercialização.

Além da Class, Amaral cita mais uma adição ao portfólio: a linha Essencial, voltada a famílias com renda entre 2 e 2,8 salários mínimos. 

A faixa 1,5 do Minha Casa possui uma grande base de clientes, que, de acordo com a direção da construtora, estavam ficando fora do jogo e vão ser atendidos pela linha Essencial.

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Pandemia já muda projetos de incorporadoras

Mesmo com atuação em faixas de mercado diferentes, Trisul e Cury reconfiguram apartamentos e áreas comuns

Eliane Sobral, Especial para o Estadão

31 de julho de 2020 | 05h00

Os efeitos da pandemia do novo coronavírus estão levando incorporadoras a repensar seus projetos. A Trisul já está fazendo adaptações para se ajustar às mudanças de hábitos e necessidades dos compradores. A configuração em apartamentos com três dormitórios e uma suíte, por exemplo, deve mudar para três suítes. E o banheiro de empregada volta com força total, segundo o presidente executivo da Trisul, Jorge Cury.

Uma novidade importante em tempos de pandemia é um espaço planejado para retirar os sapatos antes de entrar na casa. O ambiente para escritório, antes opcional, agora se torna obrigatório, em consequência da disseminação do home office. “Certamente, agora tem um grande peso na escolha de um imóvel”, afirma o empresário. 

Nos planos da empresa, 10ª colocada no ranking de Incorporadoras e Construtoras do Top Imobiliário, na área comum haverá vestiários para que os empregados do condomínio possam tomar banho e trocar de roupas, antes de iniciar o trabalho. “E ainda criamos áreas específicas para receber encomendas, pois o delivery deixou de ser só de alimentação e passou a atender a uma gama extensa e variada de produtos”, diz.

Popular

A Cury Construtora e Incorporadora, que tem 80% de seus empreendimentos voltados ao público do programa Minha Casa Minha Vida, planeja novas configurações nas áreas comuns – até por causa do espaço reduzido das áreas privativas dos apartamentos. 

De acordo com Leonardo Mesquita, vice-presidente comercial da construtora e incorporadora, onde antes havia salões de festa, haverá pequenos estúdios com infraestrutura para ser usado como home office depois da pandemia. 

“Adotamos uma configuração que permite privacidade e que tem boa infraestrutura de internet para que nossos clientes tenham um local apropriado para reuniões de trabalho”, descreve Mesquita. 

Outra novidade que a empresa pretende implementar em seus empreendimentos é a instalação de minimercados com autoatendimento para que os moradores não precisem se deslocar para fazer suas compras. “Já estamos em contato com algumas redes de supermercados para viabilizar o projeto”, diz o vice-presidente da Cury, 8.ª colocada no ranking Construtoras e 9.ª no Incorporadoras.

Em 2019, a Cury lançou nove empreendimentos com 3.390 unidades em 244 mil metros quadrados de área construída e com R$ 645,2 milhões em valor global de vendas líquido (VGVL), de acordo com os dados da Embraesp.

Recuperação

Em relação ao impacto da pandemia nos negócios, Trisul e Cury dizem que os meses de março e abril foram preocupantes, com a paralisação quase total dos negócios. Mas contam que se surpreenderam com a reação das vendas nos meses de maio e junho.

Na contabilidade da Trisul, as vendas líquidas do segundo trimestre totalizaram R$ 174 milhões, alta de 30% ante igual período de 2019, segundo Cury. Ele acredita que o pior já passou para os empreendimentos residenciais. “Diria que somos a versão em concreto e aço do agronegócio, que é o único setor no Brasil que desconhece a crise”, afirma o presidente executivo da Trisul. 

“Estamos otimistas e o nosso guidance continua valendo para os lançamentos e vendas programados para este ano, entre R$ 1 bilhão e R$ 1,2 bilhão”, afirma Cury. Segundo ele, a taxa básica de juros da economia brasileira, que está no menor patamar da história, fez com que muitos investidores migrassem do mercado financeiro para o imobiliário. 

Para Cury, da Trisul, o fato de a empresa ter um bom estoque de terrenos em áreas nobres, adquiridos na baixa de preços de 2014 a 2017, e oferecer imóveis de acordo com o que o cliente demanda contribuiu para que a Trisul se saísse bem numa conjuntura econômica adversa.

No caso da Cury, Mesquita afirma que a comercialização subiu cerca de 10%, na comparação com os mesmos meses do ano passado. Ele acredita que o primeiro efeito do pânico trazido pela pandemia foi alterar a lista de prioridades do consumidor. “Em geral, nosso cliente divide a casa com outros familiares, pais, sogros. São trabalhadores que passavam o dia fora e, de uma hora para a outra, se viram trancados em uma casa com todos os inconvenientes que essa situação traz.”

Segundo Mesquita, apesar do medo do desemprego, o cliente da Cury já está acostumado a viver na pressão de ter de desembolsar o valor do aluguel e quem entra no programa Minha Casa Minha Vida, só começa a pagar as parcelas do financiamento após a entrega das chaves.

Digital

Se antes da chegada da pandemia o comprador de imóveis ainda relutava em lançar mão da tecnologia para viabilizar a transação, ou mesmo para conhecer o produto, agora 90% das visitas aos empreendimentos são virtuais e o fechamento dos negócios é feito de forma digital. “Antes, o cliente queria ir ao escritório e assinar folha por folha dos contratos”, diz Mesquita, da Cury.

Segundo ele, nos últimos quatro anos, a empresa investiu algo próximo a R$ 5 milhões em pesquisa e desenvolvimento tecnológico. “O que mudou é que tivemos de acelerar o passo”, acrescenta. 

A Trisul informou que também intensificou os investimentos que já vinha fazendo em tecnologia. 

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Even lança mais de mil unidades em SP

Foram 10 lançamentos que somam uma área construída de 252 mil m2 e um valor geral de vendas de R$ 2,34 bi

Eliane Sobral, Especial para o Estadão

31 de julho de 2020 | 05h00

Há 40 anos no mercado, e operações em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, a Even participou de dez lançamentos no ano passado em São Paulo – o que corresponde a 1.107 unidades, 252 mil metros quadrados de área construída e a um valor global de vendas (VGV) de R$ 2,34 bilhões.

Essa performance levou a empresa ocupar a 6ª colocação em duas categorias: Incorporadoras e Vendedoras e o 9º lugar em Construtoras, de acordo com o levantamento da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp).  

A Even protagonizou uma virada no mercado imobiliário no ano passado. Saiu de um prejuízo de R$ 161 milhões, em 2018, para um lucro líquido de R$ 119 milhões, em 2019. A empresa também registrou a menor dívida líquida dos últimos cinco anos e alcançou R$ 276 milhões em geração de caixa.

Estratégia

Para analistas de mercado, a estratégia de operar com duas marcas, a Open, de empreendimentos residenciais com unidades de 45 m², em média, e a marca Even, para empreendimentos de médio e alto padrão, ajudou a empresa.

Isso fez com que ela ficasse bem posicionada num setor em que as variáveis macroeconômicas são detidamente avaliadas pelo potencial cliente, antes da concretização da uma compra, e pelo mercado.

No entanto, apesar dos resultados positivos do ano passado, a Even não ficou imune aos efeitos da pandemia do coronavírus, que travou a economia em todo o mundo.  

A empresa fechou o primeiro trimestre deste ano com queda de 27% no lucro líquido, de R$ 36,5 milhões, em relação a igual período de 2019, quando o lucro somou R$ 50 milhões.  

Entre janeiro e março deste ano, foram lançados dois empreendimentos: um no Rio Grande do Sul, e outro em São Paulo, que totalizaram R$ 95 milhões em VGV. 

Para se ter ideia do tamanho da retração que esse valor representa, no primeiro trimestre de 2019, seus lançamentos totalizaram R$ 785 milhões.

Segundo a empresa, as vendas foram afetadas com mais intensidade em março, quando começaram as medidas de isolamento social. 

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Para os jovens, localização do imóvel é prioridade

Cerca de metade da geração Z não deve abrir mão do conforto de morar perto do trabalho, mesmo que seja em imóvel pequeno

Yara Guerra, Especial para o Estadão

31 de julho de 2020 | 05h00

A pandemia de covid-19 mudou a relação entre as pessoas e seus lares. Na reclusão, a casa passou a abrigar todas as atividades antes feitas externamente, como exercícios, compras e trabalho. Em consequência, aumentou o interesse por apartamentos de maior metragem e mais afastados do centro. Mas lógica não é unanimidade em todas as todas as faixas etárias. 

Ana Amoroso, de 26 anos, diz que vai continuar dando prioridade à localização na busca pelo lugar ideal: um apartamento de um quarto. “Hoje, moro muito perto do trabalho e não queria perder isso. Mas é um bairro caro, então busco algo também próximo ao metrô”, diz. 

De 2010 a 2019, a área útil média de apartamentos de um dormitório passou de 47 m² para apenas 30 m² em São Paulo.

O caso de Ana não é isolado. Um levantamento realizado pelo Grupo Zap captou essa postura da chamada geração Z (nascidos entre o começo dos anos 1990 até 2010). 

Para 48% dos respondentes nessa faixa etária é importante que o futuro imóvel seja próximo do local de trabalho. O questionário, aplicado pelo portal entre 29 de maio e 7 de junho, obteve 3.469 respostas e já reflete os efeitos da pandemia. 

O fato de estar trabalhando remotamente durante a quarentena não seduziu a produtora de vídeo Gabriella Bueno, 21 anos, a morar longe do trabalho em um lugar mais amplo. Ela não abre mão da praticidade de viver perto do escritório. “Talvez eu tenha de voltar a trabalhar presencialmente, então, já estou procurando”, diz. 

No entanto, a Newcore, aplicativo de intermediação entre potenciais compradores e corretores autônomos, aponta que moradias com mais de 150 m² e afastadas de regiões centrais ganharam evidência. “A quarentena recalibrou os parâmetros de busca, que agora priorizam espaço e mais conforto em detrimento de localização em áreas próximas ao trabalho”, opina Luiz Moraes, CEO da Newcore.

Para o economista Fabio Gallo, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ainda é cedo para falar em tendências. “É um momento muito pontual, então não dá para garantir que, quando a pandemia passar, é isso que vai acontecer.”

Além disso, o preço também contribui para que esse cenário não se aplique aos jovens. Ainda no início da carreira, há limitação financeira que os impede de arcar com os custos de uma casa ou um apartamento espaçoso.

Nesse sentido, a locação, em detrimento da compra, também é mais favorável. Segundo o levantamento do Grupo Zap, 65% da população jovem tem maior interesse no aluguel. 

Ainda que não leve à busca por outros modelos de imóveis, a quarentena teve a sua influência no lifestyle juvenil. Para Ana, apenas intensificou a vontade de conseguir a casa própria. “Eu morava com meus pais e avós e, por causa da pandemia, está todo mundo em casa. Mesmo em home office, tem dias que preciso ir ao escritório. Para não prejudicá-los, estou ficando com outros familiares”, conta.

Já o designer gráfico Gabriel Alves, 25 anos, foi para um novo apartamento com a namorada em meio à pandemia. Ele, que já trabalhava em casa, teve de ajustar o ambiente de 60 m² para que os dois pudessem dividir o espaço confortavelmente. “Compramos uma mesa grande e transformamos o espaço, que antes seria voltado para o meu trabalho, em um superescritório”, diz. “Nesses momentos, parece que a gente extrai o máximo da nossa casa.”

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Tegra prevê mudanças nas áreas internas

Imóveis deverão ganhar espaço para trabalho remoto e para estudos

Larissa Féria , Especial para o Estadão

31 de julho de 2020 | 05h00

Premiada em duas categorias – 5º lugar em Incorporadoras e 7º em Construtoras –, a Tegra Incorporadora lançou 15 empreendimentos em 2019, com 2.457 unidades e uma área construída de 266 mil metros quadrados, segundo a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp).  

Com torre única e apartamentos que variam de 157 m² a coberturas duplex de 277 m², o Ayla Moema teve 100% das unidades comercializadas, destaca Thiago Castro, diretor executivo de Negócios da Tegra Incorporadora. Um dos atrativos do empreendimento, segundo ele, é um espaço de lazer integrado e elevado no oitavo andar, com vista panorâmica do bairro. O valor do m² é de R$ 15 mil.  

A empresa também chama a atenção para outro lançamento, o Brooklin Bricks. Com preço de R$ 11 mil por m², é um residencial com torre única e duas opções de planta: de 69 m² e 103 m², além de unidades garden e duplex, que variam de 145 m² a 206 m².  

Com espaço fitness e piscina com solarium, o empreendimento conta com delivery center, um espaço criado para que os moradores recebam as compras com segurança.  

“As adaptações no dia a dia mostraram que podemos reinventar algumas áreas comuns. Por exemplo, com o crescimento do e-commerce, o delivery space, espaço que conta com toda a infraestrutura para recebimento de compras e serviços dos moradores, ganhou destaque nos condomínios e, certamente, será ampliado e aperfeiçoado nos próximos lançamentos”, diz Castro.  

Outro projeto, o DSG Itaim tem preço de R$ 19 mil o m², espaço coworking e pocket park para crianças. São estúdios e unidades de um dormitório, cujas metragens variam de 27 m² a 44 m².

Tendências

Com as mudanças de rotina causadas pela pandemia da covid-19, a incorporadora prevê mudanças nos projetos. “O principal impacto poderá ser a destinação de uma área do imóvel para o trabalho remoto e a adaptação dos quartos dos filhos para facilitar o estudo em casa”, diz.

Segundo Castro, a procura por áreas de convivência dentro dos apartamentos, como as varandas gourmets, já era uma tendência antes mesmo da pandemia. “O momento proporcionado pela necessidade de maior isolamento social trouxe um olhar mais atencioso para dentro do apartamento e despertou a necessidade de otimizar espaços internos”, afirma.  

“Apesar disso, a demanda por áreas comuns existe e continuará existindo, pois representam mais segurança do que espaços como clubes e praças, que são frequentados por um número maior de pessoas em ambiente menos controlados”, acrescenta.  

Sobre o impacto causado pela pandemia, Castro diz que a retomada já foi iniciada, ainda que com algumas restrições. “A redução dos lançamentos veio muito mais pelas restrições impostas pela quarentena. Não faria sentido investir em um lançamento com plantões de venda fechados e os clientes impossibilitados de saírem de suas casas. Nós voltaremos a lançar em breve”, diz.  

Segundo ele, as entregas previstas foram feitas no prazo, graças à realização virtual das assembleias-gerais de instalação.

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Cresce busca por apartamento maior

Dirigente da incorporadora Diálogo aponta tendência de contemplar plantas mais ‘bem distribuídas’

Larissa Féria, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2020 | 05h00

Com atuação voltada a empreendimentos de médio e alto padrão e boa localização, Diálogo Engenharia ficou no ranking em duas categorias. Em 5º lugar em Construtoras e 7º em Incorporadoras

Em 2019, a empresa lançou 13 empreendimentos com 2.091 unidades e valor geral de vendas (VGV) de R$ 1,8 bilhão, de acordo com dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp).

No portfólio da construtora, o diretor Guilherme Nahas destaca dois empreendimentos localizados próximos a estações de metrô. A vinte passos da estação Carrão e com preço médio de R$ 7,4 mil o m², o Linea Home Resort teve 60% das unidades vendidas no fim de semana de lançamento. 

Também com preço médio de R$ 7,4 mil o m², outro destaque da empresa foi o Praça Tatuapé. Oferece opções de uma a três suítes, terraço com churrasqueira, piscina com raia de 25 metros e bicicletário. 

Segundo Nahas, com o “novo normal” por conta da pandemia de covid-19, a busca por apartamentos maiores está crescendo. “A procura por apartamentos maiores tem aumentado e as pessoas estão dispostas a investir nisso, o que impulsiona os lançamentos dos empreendimentos para suprir essa demanda”, diz.

Novas atribuições

A tendência, afirma, será de plantas mais bem distribuídas, com espaço para novas atribuições como home office e churrasco na varanda. “Acreditamos que as necessidades para o médio e alto padrão serão de espaços maiores e possibilidades de praticar diversas atividades dentro de casa. Continuaremos focados em entregar plantas inteligentes e bem distribuídas”, afirma.

Com a chegada da pandemia, a Diálogo intensificou o uso da tecnologia no processo de venda, com vídeos, apresentações ao vivo e tours virtuais.

“Estamos cada vez mais preparados para atender o cliente do começo ao fim de forma online. Hoje, 40% das vendas são originadas na plataforma online e temos todas as ferramentas para o cliente conhecer o produto sem sair de casa”, afirma Nahas. 

A empresa também está implementando a assinatura digital dos contratos de venda e compra. “Veio para conseguir fechar o ciclo da compra de forma 100% online.”

Com a rotina de segurança incrementada, a companhia não parou suas obras e mantém os lançamentos previstos e o início de cinco novas obras para os próximos meses.

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Potencial para média renda segue represado

Eztec indica que atendimento da demanda deve passar primeiro por regiões 'menos fragilizadas'

Larissa Féria, Especial para o Estadão

31 de julho de 2020 | 05h00

Com retorno estratégico à média renda, a Ezetec figurou em 6º lugar no ranking das Construtoras desta edição do Top Imobiliário, com 11 lançamentos que somaram valor geral de vendas (VGV) de R$ 1,95 bilhão, segundo a Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp). A empresa também aparece na 8ª colocação no ranking das Incorporadoras, com VGVL de R$ 1,53 bilhão. 

Na divulgação de resultados do 4º trimestre de 2019, a empresa registrou que os lançamentos Vertiz Tatuapé, Vértiz Vila Mascote, Vivid Perdizes e Artis Jardim Prudência atingiram uma velocidade média de 42% do projeto vendido no primeiro mês e 71% no primeiro semestre.

Segundo o documento, a demanda potencial da média renda segue represada desde os lançamentos de 2014 e passa primeiro pelas regiões “intermediárias” da cidade, menos fragilizadas pelo desemprego, como nos locais dos exemplos citados acima.

Com apartamentos de três e quatro dormitórios, o EZ Parque da Cidade foi o carro-chefe entre cinco lançamentos que, conjuntamente, somaram um VGV de R$ 934 milhões no quarto trimestre de 2019, o segundo maior resultado da série histórica da empresa.

Um dos motivos para a retomada do mercado de média renda em 2019, segundo o documento, foram as sucessivas quedas da taxa básica de juros, que facilitaram as condições de aquisição do cliente, além de fazer o investidor de alta renda migrar da renda fixa para o mercado imobiliário.

Panorama

A Ezetec tinha um panorama positivo para lançamentos em 2020, com guidance de R$ 2 bilhões a R$ 2,5 bilhões em VGV. Porém, com a chegada da pandemia do coronavírus, essa orientação deve ser revista após a fase aguda da crise se dissipar. 

Na prévia da Operacional de Resultados do 2º trimestre de 2020, a empresa apontou que os efeitos da pandemia foram sentidos em seu ponto mais crítico no mês de abril, com vendas brutas de R$ 21 milhões. Após uma curva de aprendizado de como formatar o processo de vendas, em maio foram gerados R$32 milhões no mês, chegando a R$ 94 milhões em junho. 

No segundo trimestre de 2020, a companhia não lançou novos empreendimentos, mas, em junho, fez o relançamento do Z. Ibirapuera de forma inteiramente digital, por meio de lives em plataformas de streaming. De acordo com o documento, as lives de empreendimentos específicos, foram as principais responsáveis pelas vendas do trimestre. 

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