Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Top Picks: Alta dos juros deve ter pouco impacto para construtoras, dizem analistas

Segundo especialistas, mesmo com a expectativa de que a taxa Selic chegue até 5% no fim do ano, custo do financiamento não deve ser muito alterado

Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2021 | 21h00

A alta de 0,75 ponto porcentual na taxa básica de juros (Selic), promovida pelo Banco Central esta semana, deve ter poucos efeitos sobre o crescimento experimentado pelo setor de construção civil nos últimos meses. Segundo analistas, mesmo com a expectativa de que a Selic chegue até 5% no fim do ano (atualmente está em 2,75%), o custo do financiamento não deve ser muito alterado.

Para a equipe de estratégia de pessoa física da Santander Corretora, a Selic deve fechar 2021 em um patamar entre 4,5% e 5% ao ano. O cenário pode provocar leve aumento no custo do crédito imobiliário, mas não na mesma proporção da taxa básica. "Um Banco Central mais ativo pode ajudar a ancorar expectativas inflacionárias e reduzir a pressão de custos que as construtoras também enfrentam do lado dos materiais", escrevem.

A ação preferida pelo Santander no setor é Direcional ON, com preço-alvo de R$ 20,10, o que representa potencial de valorização de quase 60% em relação à cotação atual. "Nossa recomendação fica nas construtoras voltadas a baixa e média renda, nas quais o financiamento acessível e o déficit habitacional podem compensar a economia mais fraca".

Na visão de Caio Ventura, analista da Guide Investimentos, o cenário continua muito favorável para o setor. "O ciclo imobiliário é beneficiado por uma demanda reprimida, que ganha força desde 2018 ajudada pelas taxas de juros em patamares baixos", diz.

Ventura afirma que os preços das ações continuam relativamente baixos, o que abre oportunidade de ganhos para os investidores no médio prazo. As preferidas da Guide no setor são Cyrela ON e Eztec ON.

Regis Chinchila, analista da Terra Investimentos, tem uma visão mais cautelosa para as construtoras. "No atual momento, não há muitas mudanças. Porém, para os próximos meses, com possíveis novos aumentos da Selic, há a tendência de elevação no valor das parcelas, dificultando o financiamento e o pagamento", diz.

Segundo ele, o segmento pode sofrer com queda nas vendas de unidades, o aumento do desemprego e a inflação. Eztec e Trisul são indicadas por ele como as empresas listadas com melhor posicionamento no momento.

Para a analista Julia Monteiro, da MyCap, há realmente um impacto mais negativo para as construtoras em um primeiro momento. Mas os juros ainda estão em patamares historicamente muito baixos. A Eztec é a preferida da corretora, pela "capacidade de capturar os novos hábitos da população, em função da crise sanitária".

 

Em relação às carteiras para a próxima semana, a Ativa Investimentos renovou toda a sua lista, composta por BB Seguridade ON, BRF ON, Dimed ON, Eztec ON e Hidrovias do Brasil ON.

A Planner manteve só Vale ON em relação à última lista, agora acompanhada por BB Seguridade ON, Eztec ON, Klabin Unit e Telefônica Brasil ON.

Quem também fez quatro alterações na lista foi a XP, mantendo somente Marfrig ON. Para a próxima semana, foram selecionadas também Cemig PN, Itaú Unibanco PN, Randon PN e Via Varejo ON.

A Guide fez duas trocas, retirando PetroRio ON e São Martinho ON e incluindo Aliansce Sonae ON e Braskem PNA.

Três corretoras fizeram uma mudança cada. A Mirae trocou Gerdau PN por CSN ON. Na MyCap, saiu JBS ON para a entrada de Grendene ON. A Órama Investimentos trocou Magazine Luiza ON por Suzano ON. Veja a lista:

 

 

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