Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Top Picks: Analistas demonstram cautela com ações novatas na Bolsa

Marcas bem conhecidas do público geraram bons movimentos na abertura de capital, mas profissionais preferem aguardar o desenvolvimento das negociações dos papéis para firmar uma recomendação

Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2019 | 19h38

Apesar da boa demanda pelas ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês), os analistas adotam uma postura mais cautelosa em relação às três empresas novatas na Bolsa de Valores. BMG, C&A e Vivara, marcas bem conhecidas do público em geral, geraram bons movimentos na abertura de capital, mas os profissionais, em sua maioria, preferem aguardar o desenvolvimento das negociações dos papéis para firmar uma recomendação.

Para Alvaro Bandeira, economista-chefe do Modalmais, o ponto de partida para as três ações não é muito animador. Ele lembra que o BMG, por exemplo, apresentou "resultados ruins" no terceiro trimestre, logo após o IPO. Algo que "pode limitar o retorno para os investidores no curto prazo". E realmente, desde a abertura de capital, a Unit do BMG já perdeu cerca de 18% do seu valor, movimento acentuado desde a divulgação de seu balanço, no dia 14 deste mês, quando o papel valia R$ 45. Hoje, já está na casa dos R$ 37.

No longo prazo, Bandeira acredita que a competitividade no setor bancário tende a crescer, o que vai pressionar os spreads, dificultando uma melhora dos resultados do BMG no futuro.

Para C&A e Vivara, Bandeira coloca também a concorrência como principal obstáculo. Inclusive na carteira dos investidores, já que outra varejista, Magazine Luiza, é uma das ações mais procuradas no momento. Ele cita ainda Lojas Renner, por conta de sua tradição. Com isso, segundo o economista do Modalmais, as expectativas pós-IPOs devem se arrefecer um pouco.

Sobre a C&A, uma reclamação dos analistas após o balanço foi a falta de clareza nas informações prestadas em sua apresentação. Isso motivou reações dos profissionais do mercado e uma resposta da varejista, prometendo melhorias nas próximas interações.

Pedro Galdi, analista da Mirae Asset, ressalta que a corretora ainda não iniciou a cobertura das ações, mas que as perspectivas de crescimento econômico em 2020 devem impulsionar os resultados das empresas, assim como outros segmentos voltados para a demanda doméstica.

Na semana passada, a XP iniciou a cobertura de Vivara com recomendação de compra. O preço-alvo é de R$ 30 para o final de 2020, o que representa um potencial de alta próximo de 25%. A analista de varejo, Mariana Vergueiro, destaca que as principais vantagens competitivas da empresa são o processo produtivo verticalizado, com a fábrica em Manaus; e o posicionamento diferenciado, com uma proposta de valor que combina oferta de produtos de qualidade e design a preços atrativos.

A Vivara é a única ação que consta em uma das carteiras recomendadas das corretoras que participam da coluna. A Planner incluiu a ação em sua lista de recomendações na última semana, e a mantém na lista. Desde a abertura de capital, em outubro, a ação se mantém praticamente estável, ainda próxima do patamar de estreia de R$ 24. C&A está em situação parecida, estreando em R$ 16,50, e hoje valendo pouco menos de R$ 16.

A corretora que fez mais alterações em sua carteira para a próxima semana é a Guide, com quatro trocas. Além da manutenção de Rumo ON, entram na lista Petrobrás PN, Itaúsa PN, Cyrela ON e IRB ON.

A MyCap fez três mudanças, retirando Eztec ON, B3 ON e Movida ON, e inserindo Natura ON, CVC ON e Vale ON. Já a Terra Investimentos fez uma mudança, com Natura ON no lugar de Ultrapar ON.

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