Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Top Picks: Analistas mostram dúvidas sobre desempenho de varejistas em 2021

Futuro incerto do auxílio emergencial, que pode ser continuado ou não, evolução dos casos da covid e falta de definição sobre vacinação ainda preocupam os especialistas

Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2020 | 21h00

As ações de empresas varejistas, especialmente aquelas voltadas para o comércio eletrônico, conseguiram se destacar positivamente na Bolsa brasileira durante os primeiros meses de pandemia. Nas últimas semanas, porém, os desempenhos dos papéis se estabilizaram ou até pioraram. Para 2021, os analistas demonstram mais cautela do que otimismo em relação ao segmento.

O maior exemplo da trajetória do segmento de e-commerce na B3 em 2020 é B2W ON. A ação chegou a fechar em R$ 126 no dia 3 de agosto, maior valor de 2020, com valorização de 100% no acumulado do ano. De lá para cá, o papel já registrou queda de 35%, apesar de ainda ter valorização de 27% em 2020.

Enrico Cozzolino, analista do Daycoval Investimentos, diz que é importante observar o dado do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar), que aponta queda de interesse em compras para 21, das 28 categorias de produtos mapeadas pela pesquisa após a Black Friday. Para ele, o número mostra que boa parte das vendas de Natal foi "roubada" pela data de promoções.

Para 2021, Cozzolino diz que o principal ponto a ser monitorado é a continuação - ou não - do auxílio emergencial. "Vale destacar que boa parte recuperação do varejo foi possibilitada por isso", afirma. Também é preciso ter no radar, diz ele, a evolução dos casos de covid-19, que pode levar a novas medidas de restrição de circulação.

"Além disso, temos as ações com múltiplos historicamente altos o que traz uma relação de risco e retorno não tão favorável neste momento", afirma. Segundo ele, no varejo Lojas Americanas é uma boa opção de investimento.

Para Regis Chinchila, da Terra Investimentos, a falta de uma definição sobre o início da vacinação também é um fator a ser analisado em relação ao comércio. Além disso, há preferência por outros segmentos neste momento. "Hoje, os investidores não estão olhando tanto o setor de varejo, principalmente com a entrada dos investidores estrangeiros na B3 buscando oportunidades em bancos e commodities".

No entanto, ele diz que no começo de 2021, com as divulgações dos resultados do quarto trimestre de 2020 e o cenário econômico mais definido, as ações do segmento tendem a iniciar a recuperação. "Hoje, B2W e Lojas Americanas são as que estão mostrando melhores oportunidades. Porém, acreditamos que Via Varejo possui maior potencial de crescimento", afirma.

Ricardo Peretti, do Santander, tem uma visão mais otimista, principalmente neste fim de ano, ainda com influência o auxílio emergencial. "Entre as empresas listadas, acreditamos que a Via Varejo deve continuar entre os destaque positivos, em linha com a performance já satisfatória apresentada durante o período da Black Friday", diz.

Nas carteiras recomendadas, a MyCap alterou toda sua lista para a próxima semana, retirando B3 ON, Gerdau PN, Locaweb ON, Lojas Americanas PN e Totvs ON, e selecionando EcoRodovias ON, Minerva ON, TIM ON, Via Varejo ON e Weg ON.

A XP fez quatro mudanças, mantendo somente Weg ON em relação à semana passada. Retirou B3 ON, Eletrobrás ON, Gerdau PN e Porto Seguro ON para as entradas de Banrisul PNB, Lojas Americanas PN, Marfrig ON e Minerva ON.

A Guide Investimentos trocou Yduqs ON por Iguatemi ON. A Terra Investimentos retirou Gerdau PN para a entrada de B3 ON.

 

 

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