Amanda Perobelli/ Estadão
Amanda Perobelli/ Estadão

Top Picks: Analistas pedem prudência, e suas carteiras refletem maior cautela

O pedido de calma aos investidores vem depois de uma semana em que a B3 teve de acionar quatro vezes o mecanismo de circuit breaker em três dias

Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2020 | 21h02

Em um momento de alta volatilidade do mercado acionário causado pela pandemia de coronavírus, os analistas afirmam que os investidores devem manter a racionalidade e a prudência. E as carteiras recomendadas para a próxima semana refletem esse discurso, com as corretoras montando suas listas prioritariamente com empresas consideradas mais sólidas, e boas pagadores de dividendos.

O pedido de calma aos investidores vem depois de uma semana em que a B3 teve de acionar quatro vezes o mecanismo de circuit breaker em três dias. O pregão para por meia hora quando o Ibovespa atinge queda de 10%, e se atingir baixa de 15%, a paralisação é de uma hora. Na quinta-feira, o índice quase atingiu 20% de queda, o que acionaria o mecanismo pela terceira vez no dia, e por um prazo determinado pela própria Bolsa.

O economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira, recomenda que os investidores evitem decisões emocionais, trocando posições mais agressivas por empresas com boas administrações e pagadoras de dividendos. “Quem está fora pode iniciar compras progressivas de boas empresas montando carteira de mais longo prazo, aproveitando preços de liquidação. Sair da Bolsa agora para voltar à renda fixa seria uma péssima posição.

A ação PN do Itaú Unibanco foi um dos destaques em termos de inclusão nas carteiras alteradas para a próxima semana. Das seis casas que promoveram mudanças, três incluíram o banco em sua lista. Foi o caso da Ativa Investimentos, que trocou Localiza ON pela ação PN do Itaú.

Ilan Arbetman, analista da Ativa, dá algumas dicas para quem quer operar com ações neste momento. Ele recomenda não olhar somente o preço, mas o potencial de crescimento da companhia. Além disso, ele aponta horizonte de longo prazo, diversificação, formação de proteção com outros ativos e “desconfiar de barbadas/negócios do século”.

A Guide Investimentos montou uma carteira semanal com empresas que estão menos expostas aos riscos potencializados pelo coronavírus. A corretora mudou toda sua lista, e também incluiu Itaú Unibanco PN, juntamente com Taesa Unit, Telefônica Brasil PN, TIM ON e Raia Drogasil ON. Esta última, segundo a Guide, pode se beneficiar com o aumento de vendas de produtos farmacêuticos.

Para Julia Monteiro, analista da MyCap, o momento é de rever a composição da carteira, para quem já tem aplicações em ações, e para quem está fora, ela recomenda cautela até que o mercado volte a apresentar mais consistência. “Sobre Petrobrás, acreditamos que mesmo com preço atraente da ação, a questão do petróleo deve continuar no radar, elevando o risco de investimento na mesma”. A MyCap fez duas mudanças em sua lista, tirando Ambev ON e Lojas Renner ON, para as entradas de Banco do Brasil ON e Via Varejo ON.

A XP fez também duas alterações, trocando Vale ON e Via Varejo ON por Engie ON e Iguatemi ON. Sobre esta última, apesar da exposição ao varejo, ela tem boa parte das receitas provenientes de aluguel. Assim, é considerado um nome mais defensivo.

Por fim, a Mirae Asset fez três trocas, com as entradas de Copel PNB, JBS ON e Vale ON. A Terra Investimentos alterou toda a sua carteira, composta por Cemig PN, GPA ON, Itaú Unibanco PN, Klabin Unit e Magazine Luiza ON. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.