Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Top Picks: Analistas tentam apontar potenciais bons negócios em meio à turbulência

Segundo especialistas, as apostas continuam sendo ações com perfil mais defensivo, e de empresas do setor de saúde

Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2020 | 21h00

Em mais uma semana de forte queda do Ibovespa, próxima de 20%, com o agravamento da pandemia de coronavírus, os analistas de bancos e corretoras têm o desafio de indicar possíveis bons negócios na Bolsa em um dos momentos mais difíceis da história. Neste sentido, as apostas continuam sendo ações com perfil mais defensivo, e de empresas do setor de saúde.

A maioria das corretoras resolveram manter as carteiras da semana passada, pois já tinham adotado esse perfil mais cauteloso em suas indicações. A Guide Investimentos manteve somente Itaú Unibanco PN. Saíram da lista Raia Drogasil ON, Taesa Unit, Telefônica Brasil Pn e TIM ON, e entraram B3 ON, Engie ON, Magazine Luiza ON e Vale ON.

Sobre a Vale, a Guide afirma que os preços do minério de ferro nos mercados internacionais estão em patamares elevados, enquanto o valor do papel está muito baixo. Segundo os analistas, os riscos para a economia chinesa devem diminuir, o que abre espaço para que a Vale retome seus patamares históricos.

No caso de Magazine Luiza, a Guide continua otimista com os fundamentos da varejista, principalmente por conta da estratégia de atendimento digital, que ainda a diferencia de seus principais concorrentes.

A MyCap fez duas mudanças, com as saídas de Eztec ON e Via Varejo ON, e as entradas de Marfrig ON e Weg ON. A equipe de análise da corretora afirma que a retomada gradual da China e os estímulos dos Estados Unidos aos frigoríficos motivou a troca de empresas voltadas para a demanda doméstica por exportadoras. Além disso, os analistas afirmam que já se tornou viável a montagem de posições para médio e longo prazo, já que alguns ativos estão sendo negociados abaixo do valor patrimonial.

A Mirae Asset fez três mudanças, com as saídas de Copel PNB, JBS ON e Vale ON e as entradas de AES Tietê Unit, Hypera ON e GPA ON. A corretora continua apostando em ações com perfil defensivo, e que podem se beneficiar do aumento da demanda por conta do coronavírus.

O Santander manteve sua carteira, e afirma que a preferência é para ativos com avaliação atraente, principalmente para empresas com alta previsibilidade de receitas e reajustes, como CPFL e Engie. Sobre Banco do Brasil, o preço da ação leva em conta uma rentabilidade de 10%, enquanto a estimativa do Santander é de 15%.

Para Enrico Cozzolino, analista de investimentos do Banco Daycoval, os mercados estão em "pânico", e assim está próximo um bom momento para exposição a risco. Mas ele chama atenção de que a alta volatilidade deve continuar, e o cenário "definitivamente não é para iniciantes".

Cozzolino lembra ainda que as novas taxas de juros mais baixas praticadas pelos países neste momento traz novas premissas para o fluxo de caixa das empresas. Da carteira recomendada, ele ressalta que Copasa, Taesa e Odontoprev têm perfis financeiros mais previsíveis, enquanto Itaú Unibanco e GPA estão baratas de acordo com os fundamentos.

A Ativa Investimentos continua voltada para o mercado doméstico. Sobre a PetroRio, uma das indicações, o analista Márcio Lórega é uma boa opção para uma futura recuperação do mercado, após queda expressiva do petróleo recentemente. Ontem, a companhia anunciou inclusive a ampliação de sua produção.

 

 

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