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Top Picks: Após balanços, analistas mantêm otimismo com Petrobrás e Vale

Especialistas destacam bons resultados operacionais de ambas, que indicam solidez de médio prazo, mesmo em um contexto de curto prazo que pode trazer complicações, principalmente, por conta do coronavírus

Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2020 | 23h30

Os balanços de Petrobrás e Vale, divulgados esta semana, não alteraram muito as perspectivas dos analistas para o ano. Os profissionais ressaltam os bons resultados operacionais de ambas, que indicam solidez de médio prazo, mesmo em um contexto de curto prazo que pode trazer complicações, principalmente, por conta do coronavírus.

Na visão de Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos, a Petrobrás teve um resultado “operacionalmente forte”, mas em linha com o esperado. Ele acredita que o processo de venda de ativos deve ser mantido, reduzindo dívidas e focando nos segmentos mais importantes para a empresa. “A queda do preço do petróleo deve ser compensada pelo câmbio.”

Sobre a Vale, ele também elogia o desempenho operacional, mas lembra que as altas provisões surpreenderam negativamente. Esteter acredita que neste ano, a mineradora deve continuar entregando bons resultados em suas operações.

Pedro Galdi, analista da Mirae Asset, se mantém otimista com as duas companhias para 2020. No caso da Vale, ele ressalta que a visão positiva segue mesmo com as incertezas sobre o coronavírus. “A retomada de dividendos deve entrar no radar agora e a forte evolução da geração operacional de caixa devem fazer parte das metas da nova gestão”, explica.

Enrico Cozzolino, analista de investimentos do banco Daycoval, afirma que a Vale ainda passa por um processo de “organizar a casa” após Brumadinho, principalmente, pelo plano de descaracterização de barragens, que leva tempo e pesa sobre a ação no curto prazo. “Contudo, a baixa alavancagem, o desconto frente aos seus pares globais e sua forte geração de caixa permitem certo alívio aos investidores de longo prazo, que ainda vislumbram o recebimento de dividendos em 2020”.

Sobre Petrobrás, além dos números, considerados por Cozzolino “excelentes”, ele lembra que existe a possibilidade de diminuição da participação do governo no capital da empresa, o que eleva o otimismo. 

Na visão de Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, a queda do preço do minério de ferro e as fortes chuvas registradas em Minas Gerais e Espírito Santo, Estados importantes na produção da Vale, podem ter reflexos nos números do primeiro trimestre.

Para a Petrobrás, ele chama atenção para o aumento da importância das exportações para a China, que podem causar desgaste na demanda pelo petróleo. No cenário doméstico, o principal risco apontado pelo analista da Ativa é a greve do petroleiros, que foi suspensa ontem, mas as negociações com a empresa ainda estão em fase inicial.

Luiz Caetano, da Planner, afirma que mudou ligeiramente as projeções para as duas empresas. Para a Petrobrás, o ritmo de produção deve ter impacto nas vendas e custos, principalmente no primeiro semestre. Para a Vale, as provisões, ajustes no negócio de níquel e coronavírus podem “comprometer as vendas” na primeira metade do ano.

Em relação às recomendações, poucas alterações. A MyCap manteve somente Vale ON, e inseriu Ambev ON, Copel PNB, SLC ON e TIM ON. A Guide fez três mudanças, com as entradas de EcoRodovias ON, Lojas Americanas PN e Minerva ON.

Por fim, a Mirae também mudou três ações em sua carteira, colocando BRF ON, Indústrias Romi ON e Via Varejo ON.

 
 

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