Amanda Perobelli/ Reuters - 19/12/2019
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Top Picks: Com auxílio emergencial, varejo ganha destaque nas carteiras das corretoras

Empresas mais agressivas no comércio eletrônico tendem a ganhar melhor performance e, por isso, acrescentam em suas carteiras os papéis de empresas como Natura, Centauro e Vivara

Wagner Gomes, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2020 | 21h00

Já levando em consideração a expectativa de volatilidade no segundo semestre, as corretoras refazem as suas apostas para setembro e anunciam mudanças nas carteiras que recomendam aos seus clientes. O destaque para a próxima semana fica com o varejo online com o prolongamento do auxílio emergencial anunciado pelo governo e o consumo reprimido. Mas tem ainda siderurgia, com ventos favoráveis da construção civil favorecendo a demanda por aços longos, além de energia.

Os analistas dizem que as empresas mais agressivas no comércio eletrônico tendem a ganhar melhor performance e, por isso, acrescentam em suas carteiras os papéis de empresas como Natura, Centauro e Vivara. Alvaro Bandeira, sócio e economista-chefe do Banco Modalmais, explica que as principais ações representativas do segmento de varejo de moda, por exemplo, já deram o seu recado e estão até bem acima das cotações do período pré-pandemia. Segundo ele, a única que está muito atrasada continua sendo Lojas Renner, considerada por alguns investidores como defasada no e-commerce.

"Porém em conference call (da Lojas Renner) foi explicada a atuação e investidores foram às compras. Penso que a resposta do setor já foi dada, e pode ter havido até alguma sobrevalorização que tende a ser ajustada. Com o prolongamento do auxílio emergencial e o consumo reprimido, a tendência é que as empresas mais agressivas no e-commerce sigam com melhor performance. Investidores recentemente se assustaram com a maior agressividade da Amazon no País", afirma Bandeira.

O analista Régis Chinchila, da Terra Investimentos, mesmo tendo tirado Lojas Renner da sua carteira para colocar TIM ON, explica que o movimento de alta do varejo reflete o sentimento do investidor com essas empresas. Ele também cita resultados positivos das empresas que colocaram durante a crise do novo coronavírus foco no comércio eletrônico.

As vendas online devem ser responsáveis pelo crescimento da receitas das empresas de varejo, de acordo com a analista da My Cap, Julia Monteiro. Ela explica que há melhora da confiança das famílias na retomada econômica mais breve e diz que a extensão do auxilio emergencial, além dos juros a níveis historicamente baixos, devem ajudar na expansão das vendas.

O varejo também é destacado por Enrico Cozzolino, analista do Daycoval Investimentos, que afirma que os resultados do segundo trimestre, ainda que menores, já mostraram capacidade de adaptação das empresas nas vendas online como uma alternativa ao consumo na loja física. Para a próxima semana, o Daycoval tirou da carteira Banco do Brasil ON e Bradespar PN. No lugar entraram Engie Brasil ON e Sabesp ON.

Na última terça-feira, 1º de setembro, a Engie Brasil fechou um acordo de investimento com o Itaú Unibanco que prevê o aporte de R$ 500 milhões feito pela instituição financeira na empresa de energia elétrica. A companhia informou que o investimento será feito por meio de aquisição de ações preferenciais emitidas pela Novo Estado Participações (NEP), controladora indireta da companhia, que representam 18,56% do capital social da NEP. O diretor-presidente da Engie Brasil, explicou que a operação proporcionou uma estrutura competitiva, em termos de prazo e condições, para viabilizar a implantação de cerca de 1.800 quilômetros de linhas de transmissão nos estados do Pará e Tocantins.

Ainda nas carteiras recomendadas, o destaque em siderurgia é a entrada da Gerdau PN na carteira da CM Capital e da Mirae Asset. A companhia, segundo analistas, está bem posicionada para beneficiar-se do potencial de crescimento estrutural da demanda de aço longo no Brasil, impulsionada pela atividade de construção civil. O mercado acredita que o crescimento da demanda impulsione a rentabilidade das siderúrgicas nos próximos anos, em função das taxas de utilização mais altas e do melhor ritmo de preços.

 

 

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