Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Top Picks: Inflação alta não preocupa de imediato, mas gera incertezas no longo prazo

De acordo com analistas, avanço de 0,83% do IPCA em maio não deve causar grande pressão nas ações, mas pode afetar alguns setores no longo prazo, como varejo e consumo

Luísa Laval, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2021 | 21h00

A inflação acima do esperado para maio não incomodou o mercado de imediato, mas divide opiniões no longo prazo, especialmente nos setores ligados ao consumo. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o mês com alta de 0,83%, ante avanço de 0,31% em abril, informou nesta semana o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado ficou acima do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que previam uma alta entre 0,65% e 0,76%, com mediana positiva de 0,71%. Em 12 meses, o valor foi de 8,06%, também acima das projeções, que iam de 7,85% a 7,98%, com mediana de 7,92%.

De acordo com analistas, o indicador não deve gerar grandes pressões nas ações listadas na Bolsa brasileira (B3), mas alguns setores, como varejo e consumo e seguradoras, podem ser fortemente afetados no longo prazo caso o aumento geral dos preços continue acelerado.

A equipe do Banco Daycoval afirma que há segmentos que sofrem duplamente, tanto pelo aumento da inflação quanto pelo efeito sobre os juros que ela provoca. "Por exemplo, o setor de varejo e consumo: a inflação corrói o poder aquisitivo das classes mais populares e força as empresas a reduzirem suas margens para mitigar o impacto nas vendas. Por outro lado, os juros futuros mais elevados reduzem o apetite ao consumo e encarecem a prestação do consumidor que compra financiado", afirma o time.

Por outro lado, o otimismo com a retomada econômica pode amenizar os efeitos da alta de preços. "A inflação atingiu patamar maior que o previsto, mas também houve forte reavaliação das projeções de crescimento em 2021. O setor bancário deve se beneficiar junto às seguradoras, enquanto o segmento exportador também seguirá forte", diz Alvaro Bandeira, sócio e economista-chefe do banco Modalmais. Para ele, setores ligados ao turismo de forma geral e shoppings podem seguir sofrendo os efeitos da pandemia.

A Elite Investimentos afirma que, entre as áreas que podem se beneficiar de uma rotação das carteiras em busca de ativos mais protegidos da inflação, encontram-se bancos e transmissoras de energia. "Enquanto os bancos ganham com a chamada transferência inflacionária, ao não remunerar os depósitos à vista de seus correntistas, as transmissoras têm seus contratos reajustados pela inflação (IPCA ou IGP-M)", diz Lucas Amendola, analista de Research.

Entre as alterações nas carteiras desta semana, o Daycoval mudou toda seleção: retirou Cia. Hering ON, Gerdau PN, Hypera ON, Petrobrás PN e Vale PN. Foram incluídas B3 ON, BTG Pactual Unit, Cyrela ON, Eletrobrás ON e JBS ON.

A Elite Investimentos incluiu Inter PN e Locaweb ON, enquanto retirou PetroRio ON e Yduqs ON. A Guide Investimentos adicionou Assaí ON, Lojas Americanas PN e Marfrig ON à seleção, enquanto retirou Espaço Laser ON, SLC Agríccola ON e Vivara ON.

A MyCap incluiu B3 ON, CSN ON, Magazine Luiza ON e SLC Agrícola ON, para retirar Bradespar PN, BrasilAgro ON, CCR ON e Eternit ON. A Órama retirou Aura Minerals ON, CSN ON e adicionou Lojas Quero-Quero ON e Vale ON. A Terra Investimentos retirou Itaúsa PN e adicionou Fleury ON.

A XP trocou toda a carteira semanal, ou seja, retirou B3 ON, Itaúsa PN, Magazine Luiza ON, Randon ON e Usiminas PNA. No lugar, incluiu Bradespar PN, Copel PNB, Cyrela ON, Klabin Unit e Multiplan ON. Veja a lista:

 

 

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