Wilton Junior / Estadão
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Top Picks: Mesmo com dificuldades nas privatizações, estatais podem dar bons retornos

De acordo com profissionais do mercado, a Eletrobras é a que está mais próxima de uma privatização; mesmo assim, eles projetam que a operação se concretize somente no final de 2021

Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2020 | 21h00

No começo do governo Jair Bolsonaro, e também das novas gestões estaduais, o mercado tinha a expectativa de uma fila de privatizações que aconteceriam em um prazo relativamente curto. A estatal federal de energia Eletrobrás, a mineira Cemig e a paulista Sabesp eram as "favoritas", e as ações começaram a subir por conta dessa perspectiva. Passados quase dois anos, o cenário se alterou, e a venda do controle destas empresas se tornou menos provável, mas mesmo assim, os analistas se mostram otimistas com as empresas, mesmo após o período mais crítico da pandemia de covid-19.

De acordo com profissionais do mercado, a Eletrobras é a que está mais próxima de uma privatização. Mesmo assim, eles projetam que a operação se concretize somente no final de 2021.

Na visão de Henrique Esteter, da Guide Investimentos, a privatização é fundamental inclusive para auxiliar os governos neste momento de expansão dos gastos públicos para conter a crise. "Porém, após todos impactos decorrentes do coronavírus, acompanhamos uma mudança de tendência, com o adiamento da privatização da Eletrobrás para 2021, e a Sabesp com a fala sobre capitalização de João Doria, podendo indicar que a privatização poderá levar mais tempo", explica.

Sobre a Eletrobrás, Renato Chanes, estrategista de pessoa física da Santander Corretora, ressalta que a empresa melhorou muito do ponto de vista operacional, mas caso não seja privatizada, não teria recursos para novos investimentos. "Quando as concessões começarem a vencer, a Eletrobras teria que devolvê-las para um processo de relicitação e o próprio Governo assumiria todo esse passivo. No caso de uma privatização ou capitalização, esses passivos iriam junto e a companhia aumentaria o seu valor agregado".

Mesmo com as privatizações dificultadas, os analistas enxergam potencial nas ações. Para Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos, a Sabesp pode elevar seus investimentos com uma capitalização, aumentando a rentabilidade de suas operações. "Quanto à Cemig, o segundo semestre deve ser melhor para a empresa. No segmento de distribuição, responsável por 64% das receitas no segundo trimestre, há a possibilidade da empresa verificar nos próximos meses queda na inadimplência e normalização no consumo", completa.

Julia Monteiro, analista da MyCap, lembra que estas empresas possuem contratos de longo prazo, com receitas previsíveis, assim como as despesas. "Assim, essas ações são positivas para diversificar carteiras, especialmente em momentos de incertezas e elevada volatilidade como o que estamos vivendo".

 

Nas carteiras recomendadas para a próxima semana, a MyCap fez três mudanças, retirando da lista BRMalls ON, Duratex ON e Locaweb ON para as entradas de B2W ON, Banco Inter PN e Movida ON.

A XP Investimentos também fez três mudanças, com as saídas de Ambev ON, Carrefour ON e Eztec ON, substituídas por Cemig PN, MRV ON e Via Varejo ON.

A Ativa fez duas alterações, saindo Anima ON e Raia Drogasil ON e a seleção de Cia. Hering ON e Ultrapar ON. A Guide trocou Cogna ON e Itaúsa PN por B3 ON e JBS ON.

A Mirae Asset retirou da lista Banco Inter Unit e Magazine Luiza ON para as entradas de JBS ON e Randon PN. A Terra Investimentos trocou JBS ON por Via Varejo ON.

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