Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Top Picks: Plano de negócios da Petrobrás é positivo em geral, mas ainda gera dúvidas

Segundo profissionais do mercado, programa de desinvestimentos que será feito pela petroleira nos próximos anos ainda carece de mais detalhes

Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2020 | 21h00

O Plano de Negócios 2021-2025 apresentado pela Petrobrás nesta semana foi bem recebido pelo analistas de modo geral, mas alguns pontos ainda inspira dúvidas. As principais dizem respeito aos desinvestimentos a serem feitos pela estatal, que de acordo com alguns profissionais do mercado, ainda precisam ser mais detalhados.

Os analistas esperam sanar estas dúvidas durante o Petrobrás Day, encontro promovido pela companhia, que neste ano será virtual. "Esperamos que na reunião de segunda feira, a empresa forneça mais detalhes sobre o plano, especialmente sobre os ativos a serem desinvestidos", afirma o analista Daniel Cobucci, do Banco do Brasil Investimentos (BB-BI).

Cobucci ressalta que a inclusão de uma maior relevância dada pela Petrobrás às boas práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) foi uma surpresa, ao vincular as metas à remuneração variável dos executivos. "Porém, o caminho escolhido pela Petrobrás, de priorizar o petróleo em detrimento de energias renováveis dificulta que a empresa saia do discurso e implemente práticas de referência", afirma o analista do BB-BI.

Ainda sobre os desinvestimentos, Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, lembra que no plano do ciclo 2020-2024, a companhia projetou entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões em vendas de ativos, com a maior parte neste ano e em 2021, "o que já não ocorreu em 2020", lembra. Assim, Arbetman espera mais informações sobre os valores e a velocidade destas vendas. De modo geral, o analista da Ativa ressalta que o plano veio em linha com as expectativas.

Outro ponto que levanta dúvidas sobre o plano da Petrobrás é a projeção de diminuir os investimentos e a produção em 2021, como ressalta Julia Monteiro, analista da MyCap. "Na reunião, entenderemos os motivos que levaram a essa decisão, dando total destaque à redução da alavancagem e elevação de margens. Mas recebemos o plano de forma positiva e julgamos correta a estratégia de centralizar a produção e a extração nos campos do pré-sal".

Na visão de Enrico Cozzolino, da Daycoval Investimentos, o plano está condizente com a estratégia de longo prazo da Petrobrás, e levou em conta a desaceleração econômica global. "Os investimentos ficarão focados principalmente no pré-sal nos próximos anos, algo que não poderia ser diferente", afirma.

Em relação às carteiras recomendadas para a próxima semana, a Ativa fez três alterações, retirando Cosan ON, IRB ON e Raia Drogasil ON para as entradas de Locaweb ON, Magazine Luiza ON e Telefônica Brasil ON. O Santander também fez três mudanças, trocando Carrefour ON, Gerdau PN e Notre Dame ON por Bradesco PN, SulAmérica Unit e Vale ON.

A XP foi outra que fez três trocas em sua lista, com as saídas de Iguatemi ON, Magazine Luiza ON e Movida ON para as inserções de Cia. Hering ON, Gerdau PN e Klabin Unit.

A Guide Investimentos trocou Cosan ON e PetroRio ON por Petrobrás PN e Yduqs ON. A Mirae também fez duas substituições, saindo Cosan ON e Gerdau PN e entrando JHSF ON e Magazine Luiza ON.

A MyCap retirou da lista MRV ON e Raia Drogasil ON para as entradas de Lojas Americanas PN e Movida ON. Por fim, a Terra Investimentos trocou Carrefour ON por Gerdau PN.

 

 

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