Hannah Mckay/Reuters
Hannah Mckay/Reuters

Top Picks: Preocupação com coronavírus é moderada, mas analistas mostram cautela

Entre os papéis que podem sentir mais um eventual agravamento, estão as aéreas e empresas de turismo; em contraponto, ações de drogarias cresceram com a expectativa de aumento na venda de medicamentos

Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2020 | 21h02

O surto de coronavírus na China despertam uma preocupação moderada nos analistas que cobrem o mercado de ações brasileiro. Mas ao mesmo tempo, os profissionais demonstram uma cautela sobre os desdobramentos que o problema pode ter, e os impactos nas ações. Entre os papéis que podem sentir mais um eventual agravamento, eles citam principalmente as aéreas e empresas de turismo, como a CVC.

Questionados sobre os efeitos do coronavírus nas ações locais, alguns profissionais afirmam que preferem aguardar mais um pouco para avaliar melhor a situação. Para Victor Martins, analista da Planner, as proporções do problema ainda não estão claras, e por isso a visão continua positiva no curto prazo. "Imaginamos que um surto, dependendo das dimensões e dos possíveis desdobramentos, tem sim um potencial de influenciar o desempenho do mercado acionário", explica.

Nesta sexta-feira, os mercados atuaram na expectativa da confirmação ou não do terceiro caso do coronavírus nos Estados Unidos, enquanto a China passou a registrar 903 infectados. O número de mortes no país asiático chegou a 26. A França, por sua vez, notificou dois casos.

Pedro Galdi, analista da Mirae Asset, lembra que desde as primeiras notícias sobre o coronavírus na China, as ações que mais sofreram foram Gol, Azul e CVC. Em contraponto, ele destaca as altas recentes de Raia Drogasil, com a expectativa de aumento na venda de medicamentos. Nesta semana, Gol e Azul acumularam quedas superiores a 2%, enquanto a CVC caiu mais de 5%. Por outro lado, Raia Drogasil ON subiu mais de 7%.

No entanto, Galdi lembra que a Organização Mundial de Saúde (OMS) tem minimizado o risco de epidemias de coronavírus fora da China, o que pode diminuir a apreensão entre os investidores. "Mas é importante frisar de que apesar de não estar no radar, uma piora do quadro da doença no mundo pode elevar o estresse no mercado financeiro. Nesta situação, cada dia é um dia", ressalta Galdi.

Para Alvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais, por enquanto, o surto afeta somente a China. Caso se alastre, o coronavírus pode afetar não só as bolsas, mas o PIB global.

Em relação às recomendações para a próxima semana, poucas corretoras fizeram mudanças, mas nestas, houve um número significativo de trocas. O Modalmais renovou toda a sua carteira, que passa a ser composta por Arezzo ON, Cyrela ON, Odontoprev ON, Raia Drogasil ON e SulAmérica Unit.

A MyCap também trocou quase todas as suas recomendações, mantendo somente Weg ON em relação à última semana. Entraram na lista Arezzo ON, Log-In ON, Marisa Lojas ON e Trisul ON.

A Guide Investimentos fez três alterações, com as saídas de BR Distribuidora ON, BRMalls ON e Magazine Luiza ON, para as entradas de Rumo ON, Vale ON e Centauro ON. Sobre esta última, os analistas chamam atenção para o ritmo de expansão e conversão de lojas para o modelo G5, que são unidades que proporcionam experiência esportivas para o cliente, entre outras facilidades.

Por fim, a Mirae fez duas trocas em sua carteira, retirando Cosan ON e Rumo ON, para as entradas de Magazine Luiza ON e Minerva ON. Sobre esta última, a corretora lembra que a captação de R$ 1 bilhão com o follow on.

 

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