Tiago Queiroz/Estadão
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Corretoras apostam mais nas empresas voltadas para a demanda doméstica, com menor participação de setores onde a exportação tem mais peso

Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2020 | 21h00

As mudanças feitas pelas corretoras em suas carteiras de ações recomendadas para a próxima semana mostram uma tendência. Um maior nível de confiança nas empresas voltadas para a demanda doméstica, com menor participação de setores em que as exportações têm mais importância.

Das 19 mudanças realizadas pelas corretoras que participam da coluna, somente três envolvem a inclusão de exportadoras. Duas delas são na XP, que usa mais as análises gráficas para sua lista semanal. De modo geral, entraram nas carteiras ações de segmentos como Varejo, Saúde Suplementar e Energia Elétrica.

A Mirae Asset, por exemplo, retirou Petrobrás PN de sua lista para a inclusão de GPA ON. Segundo a equipe da corretora, a varejista deve apresentar números melhores referentes ao segundo trimestre de 2020, tanto no faturamento quanto nas margens. E de modo geral, os analistas são otimistas com o setor de supermercados para este ano.

A Guide Investimentos trocou Grendene ON e CCR ON por Via Varejo ON e Equatorial ON. A corretora explica que os produtos e serviços oferecidos pela elétrica continuam com boas performances, mesmo com o cenário mais incerto. E a aprovação da Conta-Covid pelo governo trará maior liquidez para as distribuidoras de energia.

A MyCap fez quatro trocas em sua carteira, e com exceção de Vale ON, os outros papéis são voltados para a economia brasileira, com JHSF ON, Magazine Luiza ON e PetroRio ON. O Daycoval trocou Brasil Agro ON e Vale ON por Itaúsa PN e Taesa Unit.

A Planner trocou Cyrela ON e Via Varejo ON por Fleury ON e Hapvida ON. A Terra Investimentos retirou do portfólio Cemig PN e Iguatemi ON e selecionou BR Distribuidora ON e Lojas Renner ON.

Por fim, a XP manteve somente Magazine Luiza ON da sua carteira da semana passada, e incluiu Azul PN, Banco do Brasil ON, BRF ON e Gerdau PN.

Dentro deste contexto, os analistas já começam a enxergar sinais de recuperação do setor de distribuição de combustíveis, um dos mais afetados pelas restrições sociais impostas para combater a pandemia de covid-19.

Para Ricardo Peretti, estrategista de renda variável do Santander para Brasil e América Latina, as distribuidoras têm mostrado recuperação com a gradual reabertura da economia. Ele lembra que o volume vendido de gasolina e álcool subiu 7,4% em junho na comparação com maio, e há a expectativa de nova recuperação em julho.

"Dentro do setor, mantemos preferência pelas ações da BR Distribuidora, que mostra uma combinação de baixa alavancagem e sólida liquidez e melhores resultados trimestrais à frente, fruto das iniciativas de corte de custo e implementação de um novo sistema de preços", explica Peretti.

O analista da Ativa Investimentos Ilan Arbetman também aponta a BR Distribuidora como a preferida dentro do segmento, principalmente com os cortes de despesas promovidos recentemente. "Além disso, um possível avanço quanto à venda da participação da Petrobrás também pode impulsionar a ação". Ele também espera uma leve melhora dos números da Ultrapar, dona da rede de postos Ipiranga, no segundo trimestre.

Daniel Cobucci, do Banco do Brasil Investimentos (BB-BI), ainda se mostra cauteloso com as empresas no curto prazo. Ele aponta como sua preferida a Ultrapar, por conta do desconto no preço da ação em relação aos seus pares, e por ter conseguido pequenos ganhos de participação de mercado nos últimos 12 meses.

 

 

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