Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Top Picks: Setor de energia deve ter impacto em resultados com agravamento da crise hídrica

Baixa hidrologia será 'pedra no sapato' das empresas do setor nos próximos meses, que são conhecidas pelos investidores justamente por terem receitas estáveis

Luísa Laval, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2021 | 21h00

A perspectiva de agravamento da crise hídrica no País preocupa investidores, que preveem impacto nos resultados financeiros de geradoras e distribuidoras de energia, com a dificuldade das empresas para produzir energia e a queda na demanda como consequência do aumento nas tarifas para o consumidor. O cenário deve reduzir a atratividade do setor na Bolsa brasileira (B3) nos próximos meses, porque abala a previsibilidade de receitas que costuma chamar a atenção do mercado financeiro.

Os analistas da Genial Investimentos Vitor Sousa e Gabriel Tinem afirmam que o setor de geração é conhecido por ter receitas estáveis, que têm como base contratos de longo prazo reajustados por índices inflacionários. Porém, a "pedra no sapato" das geradoras é justamente a baixa hidrologia, que afeta o negócio das usinas hidrelétricas.

"O regime de chuvas dos últimos anos têm ficado em níveis muito inferiores aos históricos - especialmente perigoso para um sistema elétrico com aproximadamente 70% da sua capacidade instalada exposta a hidrelétricas", escrevem Sousa e Tinem em relatório. Eles apontam que a combinação do baixo nível dos reservatórios com um regime de chuvas desfavorável cria um cenário desafiador para os preços. Como têm de cumprir contratos, as empresas terão de comprar energia de terceiros, com alto custo financeiro.

Para Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos, a perspectiva de agravamento da crise hídrica e de novos aumentos na conta de luz deve ter uma influência mais visível sobre os resultados das empresas de energia no terceiro trimestre deste ano.

"Tais fatores se agravam quando analisamos que uma das maiores preocupações atualmente, em termos econômicos, é a inflação. Sobre a crise hídrica, vemos geradoras com maior exposição ao Sudeste apresentando dificuldades, como são os casos da AES Brasil e Cesp, porém, mantendo no radar uma possível racionalização, o que impactaria diretamente as distribuidoras", aponta.

Esteter também destaca que o debate em torno da privatização da Eletrobrás, que tem movimentado as expectativas para o setor, mostra a importância da empresa para a matriz energética brasileira. "A aprovação é necessária para que a estatal consiga se manter competitiva e suprir a demanda futura de energia do País. Porém, é preciso avaliar como o texto será aprovado na Câmara e os impactos para a sociedade brasileira", complementa.

Entre as mudanças nas carteiras das corretoras, a Ativa Investimentos trocou CSN ON e Vale ON por Petz ON e Simpar ON. O Banco Daycoval mudou toda a seleção para esta semana, e agora ela é composta por Bradespar PN, CCR ON, Lojas Renner ON, Petrobrás PN e Weg ON. Portanto, foram excluídas B3 ON, BTG Pactual Unit, Cyrela ON, Eletrobrás ON e JBS ON.

A Elite Investimentos retirou BR Malls ON da carteira e voltou a incluir PetroRio ON. A Guide alterou quase toda a carteira, com quatro mudanças: retirou Assaí ON, Marfrig ON, Omega Geração ON e Vale ON. No lugar, incluiu CVC ON, Gerdau PN, PetroRio ON e Tegma ON.

Já a MyCap incluiu Intelbras ON e Randon PN, e tirou Magazine Luiza ON e SLC Agrícola ON. A Órama, por sua vez, adicionou Ambev ON e retirou Vale ON. A Planner excluiu Banco do Brasil ON, Minerva ON e Totvs ON, incluindo CSN Mineração ON, Telefônica Brasil ON e Randon PN.

Na carteira da XP, entraram Hapvida ON, Notre Dame Intermédica ON e Locaweb ON, enquanto saíram Bradespar PN, Copel PNB e Klabin Unit. Veja a lista:

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.