Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Top Picks: Varejo e construção são vedetes na Bolsa em 2019; perspectiva segue positiva

Fatores como a redução da taxa de juros, aprovação da reforma da Previdência e a perspectiva de retomada da economia justificaram o bom humor do mercado

Beth Moreira, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2019 | 18h44

Setores ligados direta ou indiretamente ao consumo das famílias, como o de construção civil e varejo, foram os destaques da Bolsa em 2019. Fatores como a redução da taxa de juros, aprovação da reforma da Previdência e a perspectiva de retomada da economia justificaram o bom humor do mercado. E a previsão é de continuidade do movimento em 2020.

Para o economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira, a maior vedete da Bolsa foi o segmento de varejo, por causa da queda da taxa de juros, da recuperação da economia e do consumo reprimido nos anos de baixo crescimento econômico. Ele cita ainda os segmentos de educação e saúde, com fusões e aquisições importantes, e o início de recuperação do setor de construção. Régis Chinchila, da Terra Investimentos, observa que grande parte das empresas de varejo e construção apresentaram crescimento acima de dois dígitos na Bolsa.

 

Ricardo Peretti, estrategista de Pessoa Física da Santander Corretora, espera que a aceleração iniciada em 2019 no setor de construção ganhe força em 2020, com forte crescimento de lançamentos e vendas para as principais construtoras de média e alta renda. "Vemos diversos fatores positivos para o setor, como taxas de juros em mínimas históricas, uma lacuna de oferta após anos de lançamentos limitados, cenário de crédito positivo, com taxas em declínio; e espaço para valorização do preço dos imóveis", afirma.

O profissional diz que o cenário de juros baixos e retomada dos níveis de emprego também garantiu um ano positivo para as varejistas. "As empresas sob nossa cobertura tiveram um ganho médio de 35% no valor de mercado. Das 17 empresas que acompanhamos, nove superaram o desempenho do Ibovespa. A principal recomendação do banco, a Lojas Renner (LREN3), teve um bom desempenho, enquanto a CVC teve a pior performance (queda de 30%).

Peretti avalia que, em vários casos, o mercado decidiu pagar por melhorias futuras (e incertas) antecipadamente, como nos casos de Via Varejo e Hering. "Essa foi uma das principais razões pelas quais o valuation do setor foi reclassificado para algo ao redor de 30 vezes o múltiplo Preço/Lucro, na comparação com as cerca de 20 vezes antes das eleições em 2018)".

O ano de 2019 também foi positivo para o setor de alimentos, que registrou maiores volumes exportados para o continente asiático e melhores preços, avalia o analista Victor Martins, da Planner Corretora. O setor de energia elétrica, por sua vez, foi beneficiado pela melhora regulatória, mudança de controle de companhias e perspectivas de privatização.

No setor de alimentos, o analista Pedro Galdi da Mirae Asset explica que a peste suína na China gerou grande fluxo de exportação de proteína animal, gerando melhora substancial de resultados e no comportamento do preço das ações. No ano, destaca, Minerva acumula ganhos de 153%, seguida de perto por JBS, com 129%; Marfrig (78%); e BRF (60%).

A equipe de análise da MyCap também cita o setor financeiro entre os que se destacaram em 2019. Para 2020, o setor, ao lado da construção, varejo e alimentos, tende a manter o viés positivo frente às expectativas de melhora na economia brasileira, sobretudo com as aprovações das reformas que ainda estão por vir.

"Havia no mundo uma preocupação muito grande sobre alguns temas, como a guerra comercial entre China e EUA, a troca de governo no Brasil, conflitos na América Latina, Brexit, entre outros que acabaram por travar durante um tempo alguns ativos e setores na bolsa local e no mundo, ocasionando fuga de capital estrangeiro, sobretudo de países emergentes", lembra.

Dentre as empresas mais tradicionais e líderes do mercado, Bandeira, da Modalmais, destaca Vale e Petrobras. Ele comenta que a mineradora apresenta boa recuperação desde final de agosto, após o problema ocorrido em Brumadinho (MG). "Petrobras vem mudando a orientação, cuidando da desalavancagem financeira, focando nos segmentos de maior retorno para a companhia e se tornando mais saudável e competitiva", explica.

Peretti, do Santander, segue com uma visão otimista para a Bolsa e projeta que o Ibovespa pode chegar a 135 mil ao final de 2020, tomando como base a esperada melhoria do PIB, o que deve impulsionar os resultados corporativos. O banco projeta que os lucros das empresas devem crescer, em média, 13% entre 2019 e 2021.

 

Carteiras

A MyCap fez duas alterações na carteira, com entrada de Banco do Brasil ON e Minerva ON no lugar das ações ordinárias de B3 e CSN. A Mirae Asset renovou o portfólio com CVC ON, Marfrig ON e Petrobras PN em substituição à BRF ON, Ultrapar ON e Cogna ON.

A Ágora Investimentos montou a carteira com C&A ON, Cesp PNB, Helbor ON, Santos Brasil ON e Totvs ON.

Já a XP trocou Copel PNB por EZTec ON. Para a corretora, a empresa se beneficiará da atual recuperação no setor imobiliário em São Paulo nos próximos anos, tendo em vista não só a forte exposição à região metropolitana da capital paulista, mas também pela sua solidez financeira e bom histórico de execução.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.